Sessões coletivas de EMDR

Excerto de um relato, feito na 1ª pessoa, de uma sessão psicoterapêutica coletiva EMDR na

(...)

Em relação a esta última situação, aqui, sinceramente, eu só recordava a cena que já descrevi lá atrás, aquela da minha regressão de idade através da hipnose…  Só recordava, portanto, a tal situação de quando tinha 5 ou 6 anos de idade na qual eu pus toda a gente a aplaudir-me de forma frenética e entusiástica, por vários minutos, numa ovação de pé, em delírio total. 

Por fim, pediam também para respondermos a um questionário que depois nos forneceria a nossa classificação numa escala de ansiedade. Lá respondi então ao Teste de Ansiedade que me deu o seguinte resultado:

Você tem uma ansiedade moderada a falar em público!

Nada mau, pensei, mas, mesmo assim, vamos lá então ao workshop para ver se melhoro da coisa… E fui. Passo a contar…

Como já referi lá atrás, sou bastante pontual. E também como já contei, sempre que estou muito motivado para determinado evento, ou preocupado, a minha adrenalina, a minha ansiedade, leva-me a chegar muito antes da hora que está marcada. Pois, eu estava muito motivado, muito entusiasmado…

Talvez fosse pelo tema, mas, talvez, também, porque ia conhecer a Oficina de Psicologia, uma empresa, uma sociedade, um gabinete, um consultório, que já me tinha chamado a atenção pela sua postura “moderna” no mundo da psicologia e das psicoterapias - com muitas abordagens inovadoras, com um site apelativo, com uma linguagem simples, clara e atrativa…

Mas, naquele dia eu tinha dado boleia a uma colega, atrasei-me um pouco, e cheguei mesmo à hora, aliás exatamente ao minuto certo, porque tive sorte ao encontrar um lugar para estacionar mesmo ao pé do edifício da Oficina de Psicologia.

Subi até ao 2º andar. A porta estava aberta e notava-se um certo movimento de pessoas, ouviam-se vozes, parecia que algo já tinha começado, não era aquele silêncio de quando um evento ainda estava para arrancar. Parecia, com efeito, que o workshop já tinha começado, apesar de serem rigorosamente as tais 17h 30 que estavam referidas no programa. Entrei numa sala, na qual já se encontravam para aí umas 6 ou 7 pessoas…

Reconheci entre elas a formadora, a animadora, a facilitadora, pois já tinha visto alguns vídeos, no Youtube, onde ela aparecia…

— Olá Jorge, deve ser o Jorge, não é? – perguntou-me ela com um largo sorriso, de modo informal.

Respondi que sim, retribuindo o sorriso. Gostei logo dela. E disse-lhe que também a conhecia.

— Ah sim, Jorge? — perguntou-me ela retoricamente. E, virando-se para o grupo, com um sorriso brincalhão no rosto, gracejou: — Estão a ver que sou famosa, já posso dar autógrafos…

— Vai ser aqui nesta sala? – perguntei eu também de forma retórica, pois estava mesmo a ver-se que iria decorrer ali. — É que eu preciso ir à casa de banho, posso? – perguntei eu, agora de uma forma talvez um pouco idiota…

— Não, Jorge, não pode ir… — brincou ela. — Pode é ir à casa de “faire pipi”, ali mesmo ao fundo do corredor…

Brincalhona, simpática, pensei eu, e lá fui…. Quando voltei já as pessoas estavam sentadas num pequeno U, talvez não todas, pois acho que ainda foram entrando mais duas ou três.

A formadora começou, de imediato, o seu trabalho. Eu estava à espera que houvesse primeiro uma apresentação de todos, neste caso de todas, porque só ali estavam mulheres – eu era, efetivamente, o único homem, facto que não me surpreendeu muito, pois estava acostumado a ver mais mulheres do que homens neste mundo das psicologias, desde os bancos da minha faculdade.

Começou por fazer uma introdução ao que iria acontecer, indo muito direta ao assunto - não me recordo bem de tudo o que disse, retive mais ou menos isto:

— A psicoterapia EMDR é usada para vários problemas, é especialmente indicada para resolver situações de stress pós-traumático, mas também é usada nas fobias, e olhem que o medo de falar em público é uma fobia… E há um protocolo específico da EMDR para as fobias, mas aqui vamos usar um protocolo clássico EMDR…

Continuou mais um pouco com explicações, parecendo-me ter ouvido:

— O que vamos fazer aqui é estimular o cérebro, vamos dar-lhe um GPS para ele se orientar e encontrar o melhor caminho para aquilo que queremos alcançar, para o objetivo que queremos atingir…

Eu estava então a perceber que iríamos já para a ação, mas sempre a achar que, antes, cada um de nós iria apresentar as suas dificuldades. E, provavelmente, por antecipar essa possibilidade, lá estava eu nervoso…

Quer dizer, até achava que não estava, mas as minhas mãos não deixavam margem para dúvidas - e fui olhando, várias vezes, para elas, enquanto a animadora ainda estava a introduzir a sessão. A minha mão esquerda lá estava ela a tremer, não muito é certo, porque se eu tirasse os óculos quase que não via os ligeiros tremores… Os outros, quer dizer as outras, neste caso presente, certamente, nem o conseguiriam notar, mas o meu nervosismo lá estava, bem presente para mim, e era, precisamente, aquele nervosismo, aquela ansiedade que eu queria, efetivamente, domar, de preferência extinguir…

Entretanto, ao mesmo tempo que seguia a palestra introdutória, eu ia olhando para as outras participantes, e ia-me interrogando se estariam também a sentir ansiedade como eu, mas eu ia concluindo: “Não, elas estão com uma aparência tão calma…, porque será que estão aqui neste workshop que se vai ocupar das questões da ansiedade em falar em público?… certamente, os problemas delas são muito menores que os meus…”.

E até ia reparando mais: eram jovens, todas elas, bonitas, bem-apresentadas, bem vestidas, modernas, com uma presença muito agradável… E voltava a olhar para a minha mão esquerda, penso que na secreta esperança de a ver serena, já sem qualquer tremor… - porque eu estava-me a sentir bem, confortavelmente sentado na cadeira, ninguém estava a prestar atenção à minha pessoa…

Mas não, lá estava a minha mão esquerda a tremer, como que a dizer: pensas que me enganas? Estás ansioso, sim senhor! Pronto, admiti eu no meu pensamento, por isso é que vim a esta formação à Oficina de Psicologia, para, precisamente, me “tratar”, não hoje, certamente, mas talvez nos tempos mais próximos – sim, hoje, seria apenas o início do meu “tratamento” …

A minha hipótese estava certa, iríamos mesmo partir para ação já:

— Vamos lá então começar a “pancadaria” … Vamos fazer batimentos, vamos estar estas três próximas horas a bater, e, atenção, é mesmo para bater rijo, ok? Preparadas? Preparado?

Respondemos logo em coro que sim. Eu, pelo menos, estava disposto a alinhar na coisa…

— Mas, antes, puxem lá pelas folhas e canetas para começarem a escrever e a desenhar, e não se preocupem com eventuais faltas de jeito, eu também sou péssima nisso… O que importa é que descrevam em desenho uma situação em que passaram por um mau bocado, em que sentiram que a ansiedade vos afetou, uma situação relacionada com falar em público, escolham a mais recente…

Perguntei logo se poderia ser uma cena que se tinha passado há muitos anos atrás, porque, mais recente eu não identificava nenhuma em especial…

— Sim, pode ser, Jorge, pode desenhar então essa situação…

Ela disse-mo com ar decidido, focalizando, no entanto, logo a seguir, a sua atenção nas restantes participantes…

— Atenção, meninas, façam também as vossas cenas nessas folhas que têm aí à vossa frente. Podem começar a visualizar a cena e a reproduzi-la em desenho… E reparem bem que eu não quero saber do seu conteúdo, isso é só vosso, guardem para vocês…

E todo o grupo começou a trabalhar afincadamente “nas suas cenas”.

— Já está? Então agora preencham aí essa frase “O que a cena diz de mim…”

Eu já tinha desenhado a minha cena, e até usei os meus lápis de cor acabadinhos de comprar numa loja chinesa. O desenho ilustrava bem a sessão desastrosa que já descrevi lá mais atrás, aquela em que eu tive uma síncope, não à frente dos formandos apenas porque eu resolvi fazer uma espécie de intervalo antecipado e sair da sala…

Então, agora, como era pedido, eu tinha que pôr aquela cena a dizer algo sobre mim…. Ora, escrevi logo prontamente: “A cena diz que eu acho que tenho de ser sempre o máximo!”

Mas também havia que registar a emoção que estava associada àquela cena… Depois de pensar por alguns instantes, ocorreu-me que o que eu estava a sentir era autocompaixão, eu via-me naquela cena e tinha compaixão de mim mesmo… Mas não me estava a “soar” bem aquilo e dirigi-me à psicoterapeuta que, entretanto, andava a dar assistência individual aos vários elementos do grupo. Perguntei-lhe eu, então, em voz sussurrada:

— Dra. Madalena Lobo, acha que é este tipo de frase que se pretende? Se calhar não é isto, pois não?

Eu, realmente, queria fazer bem o exercício…

— Pois, Jorge, se calhar não… Isso parece-me mais uma racionalização, o Jorge deve pôr aqui a emoção, aquele estado emocional, certamente, negativo, desagradável por que passou nesta cena…

Lá pensei melhor e acabei por escrever: “Grande descontrolo emocional, até ao desmaio”. Mostrei à formadora que, espreitando de relance a frase, fez prontamente o gesto de OK, seguindo, de imediato, para espreitar o que cada uma das minha colegas ia fazendo.

— Agora prestem atenção ao vosso corpo, onde estão a sentir a emoção? – pareceu-me a formadora a perguntar.

Ou será que perguntou: “Onde é que sentiram a emoção na altura?” … Estava a ficar baralhado: “Bem se é agora, no presente, o que eu sinto são as minhas mãos ainda a tremerem, o que sinto é a minha respiração algo descontrolada, o que eu percebo é que estou para aqui a tentar relaxar…”; “Mas se é o que senti na altura, então eu tenho é que escrever aqui que eu estava a sentir que até poderia desmaiar, tal o nível de ansiedade que me estava a inundar, que tinha de fugir dali rapidamente, tal o pânico que me invadia, o descontrolo emocional total…”

Mas, com mais uns sussurros com a formadora, eu lá percebi que tinha mesmo de pôr ali que, na altura, o meu corpo estava a entrar em colapso total, em falência total, que poderia até perder a consciência a todo o momento, eu tinha que escrever ali que o meu corpo começou a ficar invadido por uma espécie de sensação de enjoo, talvez na zona do estômago, que me iria levar, provavelmente, ao desmaio…

Comecei a não gostar nada daquilo… Comecei a sentir, ainda que num nível relativamente baixo, a tal sensação de enjoo… “Querem ver que vou para aqui desmaiar, se calhar vou ter que avisar a formadora, vou avisá-la que, se me vir a atirar-me para o chão, é porque estou a antecipar uma síncope, que, pelo sim pelo não, eu ia já deitar-me de barriga para baixo para não sofrer lesões na queda…”

Vi, realmente, o caso malparado “Onde é que eu me vim meter…”, pensava eu, mas, de repente, fui salvo pelo gongo:

— Bem, então, por agora, deixem essa cena de lado…

Ouvi aquela frase como se fosse música… “Que alívio!” pensei eu, quer dizer, melhor dizendo, senti eu, porque, sim, senti a sensação de enjoo a ir-se imediatamente embora.

— Agora façam o exercício da página seguinte…

O exercício da página seguinte consistia em listar memórias por ordem cronológica ascendente, por idades, que tivessem acontecido ao longo da vida… Mais uma vez, achei que não estava a perceber bem as instruções… Mas tudo se ia desenvolvendo rapidamente, não havia lugar a grandes momentos de esclarecimento, portanto comecei a escrevinhar o que me vinha à cabeça naquele momento:

ü 7 anos – a expetativa dos meus pais: “mãe: No futuro, vais ser padre, bispo, quem sabe Papa…; pai: Quando fores grande vais ser um grande advogado, médico, um cirurgião famoso, uma pessoa rica…”;

ü 10 anos – expetativa do meu pai: “Vais fazer um grande exame da 4ª classe, os teus examinadores, os meus colegas professores, vão ficar maravilhados com a tua boa prestação no exame oral, vão ver que foste muito bem preparado por mim…”;

ü 15 anos – “Tenho que passar no exame do 5º ano do Liceu…”

ü 17 anos – “Tenho que conseguir entrar para a Faculdade de Psicologia…”;

ü 30 anos – “Tenho que fazer um discurso de elogio ao noivo neste casamento…”;

ü 60 anos – “Vou ser um bom psicólogo/psicoterapeuta em consultório privado…”

Mas não estava a perceber bem se era aquilo que se pretendia, ou se tinham todas que ser situações que implicassem falar em público… E era pedido que classificássemos aquelas memórias numa escala de 0 a 10, em que 10 significava que tinha havido uma tensão muito grande ligada àquela cena.

Quando a animadora passou, e me perguntou qualquer coisa que já não me lembro, a atenção de ambos focou-se na tal memória dos meus 30 anos de idade, ou seja, a tal de “fazer um discurso de elogio ao noivo…”.  Isso talvez porque fosse a cena com uma nota mais alta, indicando que era a cena que mais me tinha perturbado, a que tinha uma presença mais vincada de emoção negativa – e nem era alta a nota que eu tinha atribuído, ficava ali pelos 3, 4, 5 pontos.

— Sim, Jorge essa cena está boa, vamos trabalhar nessa cena porque é aquela à qual o Jorge atribuiu maior classificação – disse-me ela, sussurrando-me ao ouvido.

E, passando para o registo de voz alta, instruindo todo o grupo:

— Vamos lá então à pancadaria, preparadas, meninas? Preparado, Jorge? Já sabem, toca a bater, alternadamente, as mãos nas vossas pernas! Comecem, força, com mais força, quero ouvir essas pancadas, mais alto, mais alto ainda, não estou a ouvir nada, vamos lá!!!

Surreal, aquilo era surreal, de malucos… Mas eu lá estava a bater, alternadamente, com força, as minhas mãos nas minhas pernas, e dava-lhe com força, entusiasmado, vamos lá, “o grupo puxava por mim”, aliás devíamos estar a puxar uns pelos outros. De olhos abertos, de olhos fechados, toda a gente a bater, com cada vez mais entusiasmo, a batermos, sonoramente, calorosamente, entusiasmadamente, a ouvir os incentivos da psicoterapeuta:

— Vamos lá, força, não parem! Não parem! Seguimos com isso!

Até parecia que estávamos num ginásio de preparação física, mas neste caso, pelos vistos, estávamos era num ginásio de preparação mental, a “malhar nas emoções”.

— Vamos lá, continuem a bater e, ao mesmo tempo, imaginem a cena, a cena que escolheram. Não quero saber qual é… A cena é vossa, trabalhem-na…. Observem…. Trabalhem-na…. Sigam com isso…

E todo o grupo continuava a bater com entusiasmo…

— Força, continuem, quero ouvir essas palmadas nessas pernas, força, toca a bater, a bater com força, alternadamente, sempre alternadamente, para espevitarem os vossos dois hemisférios cerebrais, para rearranjarem o cérebro, para reprogramarem, reprogramem a vossa mente, força, continuem!!!...

A cena maluca continuava…, quem nos visse de fora acharia que naquela sala estava toda a gente doida, doidos varridos… surreal… as expressões de cada um de nós alternavam entre uma espécie de fervor místico e de empenho numa tarefa do tipo preparação física, de compenetração profunda…

Eu estava completamente empenhado, de olhos abertos ou, por vezes, fechados, mas ia, por vezes, observando as minhas colegas, a maioria de olhos fechados… De vez em quando, cruzava-me com os olhos da animadora que, eu percebia, me incentivavam a continuar e aprovavam a minha prestação…

— Alguém está parado? Alguém parou na cena? – passei eu a ouvir várias vezes…

Não, eu não estava “parado” na cena, eu continuava a recordar pormenores, com muitas emoções à mistura, eu estava lá no casamento do meu amigo. E o meu pai também lá estava… Eu sentia que devia fazer um discurso de elogio ao noivo, um discurso bonito, com palavras muito bem proferidas, um discurso com uma boa oratória, que arrebatasse todos os convidados, que levasse a uma grande ovação no final, que enchesse de orgulho o meu pai, que o levasse a pensar: “O meu filho é fantástico, que grande orador, que grande tribuno, sim eu sou o pai daquele ali a discursar eloquentemente, sim eu tenho muito orgulho neste filho, porque ele fala muito bem, sabe exprimir-se muito bem, usando palavras caras que muitos nem conhecem…”

— Ok, vamos descansar um pouco. Toca a respirar, inspirem, 2, 2, 3, 4… expirem, 2, 3, 4, 4, 6 , 7 , 8, pausa, 2… inspirem, 2, 3 4, expirem, 2….

Mas o descanso, realmente, era muito curto, e lá ouvíamos nós:

— Vamos lá voltar à pancadaria, mais uma vez, toca a bater, alternadamente, as mãos nas vossas pernas! Comecem, força, com mais força, quero ouvir essas pancadas, mais alto, mais alto ainda…, trabalhem na cena, a partir do momento em que pararam, trabalhem na cena, não parem…, sigam com isso…

E eu lá continuava a bater, alternadamente, com força, as minhas mãos nas minhas pernas, ao mesmo tempo que visualizava a cena do casamento em que eu sentia que devia fazer um discurso de elogio ao noivo para agradar ao meu pai…, mas tinha que ser um discurso fantástico que levasse à admiração de toda a gente…, não era um discurso para deixar satisfeito o noivo, era um discurso para deixar muito orgulhoso o meu querido pai…, para ele ver que tinha um filho com muito valor…

— Continuam a trabalhar a cena? Alguém parou?

E, realmente, por vezes alguém, pelos vistos, tinha parado…

Então, a formadora, ou a sua “assistente”, lá ia “arranjar qualquer coisa”, como se fosse uma avaria súbita, como se fosse apertar um parafuso, ou talvez, ajustar melhor a correia de distribuição, ou até dar um empurrão para o motor voltar a pegar.

Se calhar alguma das minha colegas até tivesse ficado sem gasolina… Bem, até parece que estou a exagerar a narrativa, a brincar com a coisa… Mas, sinceramente, são as imagens que ainda hoje me passam pela cabeça. 

Mas deviam ser avarias ligeiras, ou então as duas “mecânicas”, a formadora e a sua assistente, eram muito competentes… A avaria era logo arranjada, porque, de um modo geral, lá começavam outra vez a trabalhar, a bater alternadamente as mãos nas pernas.

Por vezes, no entanto, a situação, talvez por ser uma “avaria” mais complicada, exigia passar para outra modalidade… Em vez de baterem as mãos nas pernas, agora, ao comando das duas formadoras, passavam a virar os olhos alternadamente da direita para a esquerda, ou vice-versa, não percebia bem, sempre alternadamente, num movimento horizontal, como se estivessem a seguir um pêndulo…

Eu, portanto, nunca “avariei”, nunca parei de trabalhar na cena e, portanto, tinha sempre direito a pausas de descanso. Ora, entretanto, eu, que lá atrás achei que ia ter alguma ab-reação, começava a ver agora algumas participantes a chorarem. Eu não. Era certo que eu, a trabalhar a minha cena, também ia passando por emoções com uma carga muito intensa, mas “o meu trabalho” estava-me a correr bem e, portanto, longe de desatar a chorar…

Estava, portanto, no bom caminho, pois eu já não sentia que tinha que agradar ao meu pai, eu já não sentia a obrigação de fazer um discurso para cerca de duzentas pessoas… Teria chegado a um ponto da “reprogramação” da cena porque o meu pai até me dizia:

— Ó Jorge, olha, vamos, mas é comer mais um queijinho daquele…, do da Serra, que está tão bom, acompanhado de mais um copo de vinho daquele, do Dão, anda lá, filho, que é o melhor que se leva desta vida…

E eu visualizava esta cena e outras, com muito carinho entre ambos, com o meu pai a perguntar-me sobre coisas do meu trabalho…, a comentar que eu, realmente, tinha um bom emprego, que tinha feito muito bem em me ter formado em Psicologia, que eu tinha muito jeito para isso, muito melhor que a profissão de advogado em que aquilo que se fazia, muitas vezes, era botar discursos que, a maior parte das vezes, não serviam para nada... 

Eu visualizava, imaginava todas estes pormenores da cena, agora com muita satisfação…. Qual discurso para os convidados, qual quê! Eu estava era a saborear a companhia do meu pai, a comermos e a bebermos ambos com satisfação, com uma relação de amor e carinho entre os dois…, com o meu pai a valorizar-me…

— Então, Jorge? — perguntou-me a psicoterapeuta, talvez tendo percebido, pela minha respiração, ou outros sinais de ausência de ansiedade, que eu estava sereno, feliz — Já chegou ao zero?

Respondi-lhe de imediato:

— Sim esta cena agora classifico-a no zero, sem dúvida nenhuma, no zero!

Sim, eu estava agora, muito provavelmente, com um sorriso de orelha a orelha, felicíssimo!…

A psicoterapeuta respondeu ao meu sorriso com outro sorriso, parecendo-me como que dizer “Sim, eu sei, Jorge, eu sei que isto acontece, parece milagroso, não é?”.

Logo a seguir, fez-me sinal para parar de bater, que descansasse agora…

Ela, entretanto, tinha de “acudir” a várias situações mais difíceis… Sim já havia para aí umas 3 ou 4 colegas de curso a chorar… Mas também já havia mais uma pessoa, para além de mim, com um grande sorriso na cara. E que sorriso, julgo que me vai ficar na memória para sempre: um sorriso luminoso, resplandecente…, eu que não tinha reparado muito naquela minha colega, via-a agora como a encarnação da felicidade em estado puro, linda, estava em êxtase, feliz, mostrava estar muito feliz. Tal como eu, não mais do que eu, pensei, eu estava também muito feliz! 

As batedelas continuavam, ainda que, a pouco e pouco, se ouvisse cada vez menos barulho. Com efeito, a pouco e pouco, iam-se juntando mais algumas “vitoriosas”, de sorriso estampado, que tinham conseguido combater as emoções negras e, portanto, agora descansavam da “luta”, já não precisavam de estar na “pancadaria bilateral”.

Havia umas duas ou três colegas um pouco mais atrasadas…, ainda deviam andar lá atrás no combate, porque ainda choravam, ainda havia sofrimento no seu rosto… Mas a luta não se prolongou muito mais… Passado não muito tempo, toda a equipa tinha saído ganhadora, estava, agora, o grupo todo com um sorriso na cara!

— Muito bem, malta. Vamos continuar as nossas batedelas, mas agora noutro exercício... Passem para a “página do gatilho” e escrevam lá quais as situações que despoletam, ou agravam, a vossa ansiedade quando falam em público…

E explicava com mais pormenor:

— Anotem o que vos provoca mais perturbação, por exemplo, desde a véspera do dia em que vão ter que falar em público, ou desde que saem de casa, quando estão quase a entrar na sala onde vão ter que falar, quando já têm o público à vossa frente, quando alguém boceja, quando alguém parece estar a rir-se de vós, quando identificam alguém mais “importante” na audiência, etc. etc….

Este exercício para mim era muito fácil, e escrevi logo na respetiva ficha:

Expressões de enfado, como que a dizer que o que estou a transmitir não tem nenhum interesse;

Desatenção, como que a mostrar que não estou a conseguir transmitir nada de importante;

Expressões de desdém, tipo “és um muito fraquinho…”;

Expressões de interrogação, como que a dizer que não estou a ser claro;

Identificação de pessoas na plateia com poder hierárquico ou de condição social alta.

E dei-lhe a seguinte classificação: ansiedade 8 na tal escala de 0 a 10 e completei a frase constante da folha “O que diz de mim:” com:

“Não sou um bom orador, não sou inteligente, não correspondo às minhas expetativas de ser um bom formador, de falar bem e facilmente em situações com várias pessoas!”

Em seguida, completei também o quadro referente à identificação da emoção:

“Desvalorização; ansiedade muito elevada; descontrolo emocional muito grande; pensamento acelerado; incapacidade de raciocínio claro; quase bloqueio total das funções cognitivas.”

Depois, preenchi a parte referente ao “corpo”:

“Tremores nas mãos; respiração descontrolada; sensação de enjoo; tensão nos ombros.”

E, a dado passo, a animadora da sessão volta à ação…

— Toda a gente pronta? Vamos à pancadaria mais uma vez?

Estávamos prontos…

— Sim! — respondemos em coro, e lá voltámos à habitual batida alternada, na malhação da mente…

Dávamos, pois, uma volta, e lá íamos pausando, fazendo as respirações, e mais uma rodada, e ainda outra volta…

— Como é que isso está, Jorge, já chegámos ao zero? – perguntou-me depois de já termos dado para aí, talvez, umas quatro ou cinco voltas… 

 — Partiu do 8, não foi? – perguntou-me, retoricamente, porque enquanto o fazia, espreitava a minha ficha, onde eu tinha apontado as minhas notas relativas ao exercício que estávamos a fazer naquele momento.

E eu respondi-lhe, com um sorriso brincalhão…

— Estou quase, só estou aqui a fazer uns testes, por exemplo agora mesmo acabei de fazer entrar na sala o primeiro ministro, o António Costa, e daqui a pouco vai entrar o senhor presidente da república…

Eu estava a tentar introduzir algum humor na minha resposta, mas até era mesmo verdade aquilo que lhe estava a dizer! Porque eu, depois de ter chegado ao nível zero de ansiedade numa determinada situação, passava a outra mais difícil.

Julgo que comecei por visualizar uma cena para um grupo pequeno, de seis ou sete pessoas no máximo, numa pequena sala… Aproveitei para imaginar uma situação que poderia acontecer em breve: proferir uma palestra com a duração de mais ou menos uma hora para um pequeno grupo de pessoas que se tinham inscrito no evento “História da hipnose e os seus mitos”.

Depois imaginei situações mais difíceis…, com o grupo já maior, numa sala que já não era uma sala, mas sim um auditório… e no auditório já não estavam apenas pessoas “normais”, ia entrando um chefe meu, daqueles mais sisudos, ia entrando uma pessoa famosa, entrava uma comitiva do governo… E foi nesta fase de visualização que fui interrompido pela formadora:

—  Jorge, já chegou ao Zero?

Respondi-lhe de imediato:

— Ainda não, Madalena, mas estou quase lá…

E continuei em tom de brincadeira, mas também falando a sério: 

— Estou para aqui ainda a imaginar que estou a falar para uma grande audiência, com centenas de pessoas presentes, e, a todo o momento, vai entrar uma comitiva com o presidente da comissão europeia…

Com agrado, vi que a Madalena alinhava na brincadeira, porque, com um sorriso na face, gracejou:

— Eh lá, Jorge, se calhar daqui a pouco até vai pôr o Papa assistir…

Realmente, ainda não tinha pensado nessa possibilidade, mas achei que era uma boa sugestão…

— Ainda bem que me lembrou dessa possibilidade…, vou, sim senhora, pôr também o Papa a assistir à minha intervenção na plateia…, é que para a minha temática que estou aqui a tratar é importante que ele também esteja presente, a seguir o meu eloquente discurso… — gracejei eu.

E foi o que acabei por fazer…, gradualmente, repetindo as cenas…

Aquilo tudo fazia-me lembrar as manobras da dessensibilização sistemática, muito usadas pelos psicoterapeutas cognitivo-comportamentais… Só que, aqui, as visualizações eram acompanhadas com muita “pancadaria” … Aqui tínhamos que ir batendo muito com os nossos braços nas nossas pernas, sempre alternadamente, bilateralmente, para, segundo o que tinha sido dito, logo no início da sessão, estimularmos os nossos dois hemisférios cerebrais.

E lá cheguei ao zero, não sendo, no entanto, a primeira pessoa a fazê-lo… Mas não fui, de modo nenhum, das últimas pessoas a chegar ao fim. Tive, portanto, direito, mais uma vez a descanso, aproveitando para observar, mais uma vez, algumas das minhas colegas que ainda batiam com força…. Certamente, ainda estavam a trabalhar as suas cenas, no sentido de afastar as suas ansiedades mais teimosas e renitentes… Mas, não tardou muito para que o grupo todo alcançasse a sua serenidade e, portanto, cessasse a “pancadaria”. 

— Descansem agora, porque daqui a instantes vamos voltar à cena inicial, aquela que vocês desenharam no início deste nosso encontro, lembram-se?

Sim eu lembrava-me bem! Era a tal cena traumatizante, aquela que, há mais ou menos duas horas atrás, eu achava que me poderia levar ali mesmo a uma síncope, lembram-se? “Agora é que vão ser elas”, pensei para mim. Pensei e tive que o fazer notar à psicoterapeuta:

— Dra. Madalena Lobo, olhe que esta cena é muito difícil para mim, mexe muito comigo…. É melhor acompanhar-me mais de perto…

Eu disse-lhe isto, realmente, com um certo receio, ainda que não tanto como no início da sessão. Estava, com efeito, com um certo medo de me sentir muito mal ali à frente de todo o grupo…

— Não, Jorge, vai verificar que agora vai ver a cena de um modo muito diferente… 

Disse-me estas palavras, sorrindo, de uma forma que me securizava… E assim foi… Logo na primeira ronda, eu percebi que aquela cena já não mexia emocionalmente comigo, eu, agora, até me via a fazer humor com os formandos que, na tal cena traumatizante que já narrei lá atrás, se encontravam à minha frente…

— Bem meus caros – eram todos homens — Vocês têm que me ajudar, dizia agora eu, sorrindo, com um ar brincalhão. — Eu tenho para aqui uns slides do Dr. Fonseca, o vosso formador efetivo, que hoje não pode estar aqui presente, que vamos ter que interpretar, ok?

Eu agora imaginava a cena e estava completamente descontraído a dirigir-me ao grupo…

— Olhem, por exemplo, ele fala aqui num destes slides em “homeostase não sei quê”, portanto eu vou precisar da vossa ajuda… É que eu até estudei, mais ou menos, este tema, mas olhem que este conceito não me pareceu muito fácil…

Continuava a imaginar-me muito seguro, a dizer:

— Mas, como alguns de vós até são desta área, talvez algum de vós possa contribuir com algum esclarecimento que possa ajudar os restantes elementos do grupo a compreenderem este conceito… Conto com isso!

E dizia-lhes tudo aquilo de uma forma sorridente e assertiva…

E visualizei também a cena em que eu tinha sofrido a síncope no corredor… Mas também já não “mexia” comigo. Agora, até quase que achava piada àquela situação, já via aquilo como uma comédia, daquelas em que ocorre uma série vertiginosa de desgraças ao protagonista: engasga-se, tropeça, leva com um piano em cima…

Agora eu até achava graça ao expediente que tinha usado e pensava “Esperto que foi o rapaz…, disse que faltavam slides, que tropeçou nas escadas, ehehe, lá se safou a pobre criatura de Deus…”. Sim, eu estava a exercer, talvez, uma autocompaixão psicoterapêutica… Ainda não percebia que aquilo tudo era fruto do EMDR e da sua estimulação bilateral, e perguntei a dado passo…

— Dra. Madalena Lobo, é possível que eu, só em duas ou três “rodadas”, já tenha conseguido fazer desaparecer toda a carga negativa associada à “minha cena”?

Enfim, perguntei, de certa forma, inutilmente, porque eu achava mesmo que sim. E o que eu ouvi, de imediato, confirmava-o…

— Sim, Jorge, eu não lhe disse há pouco que isso ia acontecer? Parece milagre, não é?

Mais uma vez, dizia-mo a sorrir, num tom tipo de cumplicidade, como que a piscar-me o olho… Mas não se demorava muito em mim, partindo logo para dar atenção às outras pessoas do grupo que ainda continuavam a “bater”.

Finalmente, todas as participantes chegaram ao fim e os sorrisos nas suas caras ainda estavam mais firmemente instalados. Que carga positiva havia ali naquela sala! Até parecia que nos já conhecíamos há muito tempo!... Mas o que predominava era o nosso ar de reconhecimento e agradecimento à dinamizadora da ação. E alguém disse:

— Dra. Madalena Lobo, posso-lhe dar um grande abraço?

Eu também já tinha pensado nisso, também sentia uma enorme vontade de a abraçar. E, logo de seguida, também a abracei, de forma muito envolvente, com muito carinho, muito agradecido por tudo o que me tinha proporcionado.

A sessão tinha chegado, pois, ao fim. Havia, no entanto, ainda, oportunidade para fazer perguntas ou tecer algum comentário. Fiz o meu, mais ou menos nestes termos:

— Eu comecei, mais ou menos há um mês atrás, uma viagem ao mundo da hipnose e, deixem-me que vos diga: eu ando completamente fascinado pela hipnose, tenho andado muito entusiasmado mesmo com a hipnose, e com as fantásticas possibilidades do seu uso no campo da psicoterapia…

Estavam-me a seguir com atenção e acrescentei:

— Talvez vocês estejam na fase cética…, eu também fui extremamente cético em relação à hipnose, mas agora tenho andado completamente arrebatado a estudar e a aprofundar a hipnose e a hipnoterapia, querendo-a usar, como psicólogo, numa futura prática clínica minha…

Imprimi ainda mais ênfase…

— Mas, a partir de hoje, passei a ter dois amores: a hipnose e o EMDR! Estou realmente impressionado com esta abordagem! 

E continuei a falar, muito entusiasmado…

— Reparem, eu vim aqui por causa da minha dificuldades em falar em público, certamente como vocês, mas reparem… … … … … … neste silêncio… … … … que, propositadamente, acabei de fazer, um silêncio que jamais a minha ansiedade permitiria que eu fizesse, assim … … … … … estão a ver? E reparem nas minhas mãos…  não estão nada a tremer, reparem… …. … zero tremuras… E posso assegurar-vos que no início dessa sessão eu bem as vi a tremelicar...

Só não continuei a falar mais, porque percebi que tínhamos mesmo que acabar, já passavam uns bons minutos da hora prevista para o encerramento do evento. Rematei apenas dizendo:

— Agora estou com algumas dúvidas se devo enveredar pelo caminho da hipnoterapia ou se devo prosseguir tomando a direção da psicoterapia EMDR…

Aqui, olhei mais fixamente para a formadora, como que a pedir-lhe a sua opinião… e ela deu-ma, com muita convicção:

— Jorge, acho que deve optar, sem dúvida, pelo EMDR!

 E, sem me dar a oportunidade de eu pensar que ela estava a dizer aquilo porque não sabia nada de hipnose, que era cética, que não lhe reconhecia credibilidade, porque era, simplesmente, ignorante sobre a matéria, ela acrescentou:

— Jorge, eu também sou hipnoterapeuta, já há alguns anos, mas prefiro, sem qualquer margem para dúvida, a abordagem psicoterapêutica EMDR.

Fiquei boquiaberto, confundido, não estava à espera, mas fiquei também muito satisfeito, pois o facto de, afinal, ela também conhecer o mundo da hipnose, vinha reforçar a imagem de muito competente que eu tinha ficado sobre ela.

E mantivemos apenas mais este pequeno diálogo:

— Ah, sim?! Então, e se eu quiser fazer uma formação como terapeuta EMDR, como fazê-lo cá em Portugal?

— Olhe, Jorge, só precisa de estar inscrito na OPP. Pode fazer essa formação numa entidade que esteja certificada cá em Portugal para o fazer. Eu já lhe vou dar os contactos de alguém cá de Lisboa…

E deu, mais precisamente a sua assistente, já numa altura em que toda a gente trocava beijinhos de despedida e algumas das participantes começavam a sair. Desci as escadas a pensar naquilo tudo que me tinha acontecido. Tinham decorrido, mais, ou menos, três horas, mas o tempo tinha passado vertiginosamente.

Já cá fora ainda me ecoavam alguns avisos, dados também pela animadora da sessão:

— Olhem que nas próximas 24 horas, ou até mesmo 48 horas, poderão ocorrer efeitos secundários desta intervenção… Não graves…, quer dizer, pelo menos comigo nunca aconteceu nada de especial…, mas a literatura científica sobre EMDR refere que por vezes acontecem alguns fenómenos… O que é certo é que vocês irão, com certeza, continuar a reprogramar, a reprocessar, vão ainda cimentar mais os ganhos que aqui já alcançaram…

Ainda alertou para mais umas coisas…

— Esta noite podem ter sonhos, e, em princípio, serão bons para as vossas temáticas individuais… Mas também pode acontecer que o cérebro entre por outros caminhos que levem a locais mais obscuros… Se virem que isso acontece, entrem logo em contacto com a Oficina de Psicologia, venham ter comigo que eu tapo esses caminhos… São caminhos que têm que ser tratados de uma forma mais individualizada…

Ora, eu pensei que não iria ter quaisquer efeitos colaterais adversos… Não, eu estava transformado, muito mais autoconfiante, sereno, e iria, certamente, aprofundar, ainda mais, este estado… E assim foi: passei um fim de semana fantástico, muito feliz, sempre a pensar naquela maravilha que tinha sido aquele encontro mágico, verdadeiramente mágico e até, talvez mesmo, miraculoso!

Eu estava diferente, para melhor, sem dúvida!

(...)

Leia aqui uma reflexão sobre o que é o EMDR, feita por alguém após se ter submetido a uma sessão

 

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