Porque o perfeccionismo excessivo pode ser um problema e como superá-lo

O perfecionista cobra muito

O perfeccionismo é um padrão comportamental. É um comportamento com algumas características peculiares. Talvez a principal característica de alguém perfecionista seja o querer fazer tudo de um modo irrepreensível. Quem sofre de perfecionismo não admite falhas, não fica satisfeito com o razoável ou mesmo com o bom, está sempre a procurar o excelente. E, muitas vezes, não se cobra apenas a si, também exige o ótimo dos demais.

O perfecionismo muitas vezes é psicopatológico

De um modo geral, é uma pessoa que pode fazer as coisas bem, mas só se centra nos erros e nas falhas.  Estamos a falar, é claro do perfecionista psicopatológico, em que pode haver aqui muita ansiedade, assim como sintomas depressivos. E, muitas vezes, o quadro apresentado pode andar muito ligado a uma perturbação obsessiva e compulsiva.

Há o bom perfecionismo?

É bom que se façam as coisas bem, com qualidade, que se admire a excelência. Para isso há que se andar motivado e determinado, por exemplo, no trabalho. Esse será o bom perfecionismo. Só que também há o nocivo, aquele que não permite à pessoa viver uma vida calma, serena, com harmonia. Sim, o perfecionista excessivo, realmente, pode viver uma vida com muita frustração, sempre a tentar fazer melhor, a tentar alcançar o excelente, o que, muitas vezes, não é possível.  E repete, repete, repete…

E lá aparecem as crenças negativas

Sim, e isso constata-se numa terapia. Verifica-se quando a temática clínica, digamos assim, trazida ao consultório, anda à volta de pensamentos ligados ao “poder” e ao “controlo”, tais como: “Sou um fracasso”, “Não confio nas minhas decisões”, “Tenho que ser o máximo”, “Não consigo lidar com isto”. De facto, aparece muito o tal alto padrão de autoexigência e auto desmerecimento. Está também presente a dificuldade em aceitar o erro, em trabalhar-se em grupo, a tendência para a crítica ao outro, estando instalada a dúvida quanto à qualidade do seu trabalho.

E lá aparece a procrastinação

A pessoa pode não iniciar determinada tarefa porque acha que não vai correr bem o suficiente. Acha que não vai ficar como a concebe. E a sua conceção é grandiosa. Logo, adia, adia, adia…, procrastina… Ou então prolonga a tarefa, revê, revê, revê… E pode também somar tarefas, aceita-as todas com pensamentos, nem sempre conscientes, do género :”Tenho que agradar a todos”.  Depois, até pode acabar determinado projeto, mas desvaloriza aquilo que fez: “Podia ter feito melhor, sou um fracasso”.

Uma procura obstinada pela perfeição

O bom não satisfaz o perfecionista, de facto. Fez o seu melhor, mas acha que falhou. Se é elogiado não valoriza tal enaltecimento, até porque acha que o interlocutor não está a ser sincero. Sim, o bom não é suficiente, muito menos o razoável. Não o aceita. E lá continua em busca da perfeição, só que isso leva-o à não produtividade, repetindo, repetindo, repetindo, sem resultados significativos, podendo, assim, deprimir, entrar em estados fóbicos, obsessivos e compulsivos, com pensamento ruminantes, insónias, cefaleias, etc.

Sim, o perfeccionismo pode ser um grande problema

Pode sê-lo quando se instala uma preocupação excessiva e doentia. Quando o medo de falhar se exacerba, quando não há satisfação com os resultados, quando se instalam sentimentos altamente negativos e se acha sempre que se tem de fazer algo para melhorar… E, no fundo, muitas vezes no subconsciente, o que se pensa é o seguinte: “Não tenho controlo”, “Estou encurralado”, “Não consigo alcançar o que quero”, “Não sou capaz de confiar em mim”.

Mas há tratamento

Sim, através de uma psicoterapia. Seja ela o EMDR, a hipnoterapia, a terapia cognitivo-comportamental. O importante é que se leve a pessoa a perceber, por si mesma, que não tem de se comparar obsessivamente com os outros. Que não há nada errado em os demais serem bem sucedidos, nada errado em não se conseguirem os mesmos feitos, fazendo apenas parte das diferenças individuais e da riqueza da diversidade humana. Para que se formulem novos insights e novas crenças positivas, tais como: “Eu tenho o controlo das minhas emoções”, “Posso fazer escolhas”, “Posso confiar nos meus julgamentos”, “Posso ser bem-sucedido”, “Posso ter valor mesmo cometendo erros”.

Em resumo, superar o perfeccionismo excessivo: os desafios e soluções

  • O perfeccionismo é um padrão comportamental em que a pessoa busca fazer tudo de forma irrepreensível e não admite falhas.
  • No entanto, quando esse comportamento se torna excessivo, pode levar a ansiedade, sintomas depressivos e perturbação obsessivo-compulsiva.
  • O perfeccionismo excessivo também pode ser acompanhado por crenças negativas sobre si mesmo, autoexigência elevada e dificuldade em aceitar o erro.
  • Além disso, o perfeccionismo excessivo pode levar à procrastinação e à desvalorização do próprio trabalho.
  • Para superar o perfeccionismo excessivo, é importante trabalhar com pensamentos, emoções e comportamentos de forma a desenvolver uma visão mais realista e saudável de si mesmo e do seu trabalho.
  • Isso pode incluir a busca por ajuda profissional, como terapia ou coaching.