Saiba mais sobre o luto para o superar

O luto é uma resposta natural

Antes de mais, compreenda-se: o luto é uma resposta natural a uma perda significativa. E essa resposta pode envolver várias emoções e comportamentos. Se tudo correr bem, a pessoa enlutada voltará a uma “vida normal” num espaço de tempo mais ou menos razoável.

Existe o luto complicado

Naturalmente, uma pessoa pode experimentar ao longo da sua vida lutos de vários géneros. Pode viver o luto normal, ou seja aquele que até é saudável. De facto, reagir com dor e sofrimento a uma perda é uma resposta natural. Mas pode haver aquele luto mais complicado: aquele que é muito intenso e demasiado prolongado, sendo acompanhado de sintomas emocionais, comportamentais e físicos de elevado grau.

Há o luto complexo

Todos nós podemos passar por um processo de luto complexo. Complexo quando se trata de um luto prolongado, muito intenso e que traz muitas complicações à vida de alguém. Isto pode acontecer quando sofremos uma muito significativa. Pode ser a morte de um ente muito querido em que não se consegue processar adequadamente o luto. Esta dificuldade pode acontecer por vários motivos, por exemplo quando, a pessoa enlutada não tem qualquer apoio por parte de ninguém.

Há mais tipos de luto

Também há o luto proativo, digamos assim, aquele se experimenta quando se antecipa uma perda, quando se antevê a morte de um ente querido. Há, igualmente, o luto crónico, aquele que perdura, aquele que não passa, quando a pessoa é incapaz de superar a perda de um ente querido, tendo graves repercussões na sua vida quotidiana.

Há o luto não explícito

Mas também há o luto que não se explicita, não expresso, aquele em que a pessoa não é capaz de ostentar a sua dor. E isso pode acontecer por  normas sociais ou por fatores culturais. De facto, as pessoas podem vivenciar o seu luto de diferentes formas. É, realmente, uma experiência muito pessoal, podendo variar conforme a natureza da perda, mas também das características da personalidade de cada um.

O luto é idiossincrático

Sim, é, e é por isso, por ser uma experiência única e individualizada, que é importante que a pessoa entenda e alcance o significado do seu luto e que perceba quando é que é necessária uma ajuda profissional.

O tempo é importante?

Sim, porque a principal diferença entre um luto normal e complexo muitas vezes tem a ver com o tempo. Sintomas nefastos por um período superior a um ano não são desejáveis. Isto num adulto. Já numa criança podemos encurtar o tempo para metade. Com efeito, é importante haver um período para o luto ser trabalhado, elaborado, mas depois há que encarar a vida, ou seja, considerar que as perdas acontecem, que irão sempre verificar-se, que fazem, pois, parte da existência.

Há lutos que perduram demasiado

Sim, e, depois, muitas vezes, instala-se a depressão, um estado depressivo. Uma grande tristeza aloja-se por tempo descomedido. E aqui é importante que a pessoa procure uma ajuda psicológica, para, nomeadamente, aliviar a depressão, mas também a ansiedade. E isto pode fazer-se em consultório: trabalhar-se a aceitação da perda, fazerem-se reestruturações, aprender-se a fazer uma ressignificação, aprender-se um novo papel.

Há estratégias que ajudam à superação do luto

No luto não há que esquecer. As memórias podem ser conservadas. O que será mais necessário é fazer-se um reajustamento, sobretudo emocional, mas também cognitivo. E será isso que vai levar a pessoa enlutada a não estagnar numa vida de padecimento, sofrimento e pesar crónicos. Será isso que vai levar a pessoa a passar, não por um luto patológico, mas sim por luto normal e até saudável. Isso pode fazer-se em psicoterapia.

Para se chegar à fase da aceitação

Muitas vezes não é fácil chegar a uma “concordância”. Não é fácil aceitar-se a morte de um ente querido. E isso não quer dizer que a pessoa que não aceita seja fraca, poderá querer dizer apenas que precisa de mais tempo para uma resolução emocional ou que carece de um apoio mais próximo e empático para a sua dor. Muitas vezes, um psicólogo é o profissional mais indicado para esse apoio – indicado e técnico-cientificamente habilitado.