Depressão: como saber se sofre mesmo de uma?

Uma psicopatologia da Psiquiatria?

Entre as inúmeras psicopatologias, o DSM-5 descreve, com pormenor, a depressão. Talvez ajude, de facto, a sistematizar alguns aspetos. Mas, o que importa, na verdade, para os psicólogos, é que à sua frente está uma pessoa. E, portanto, o rótulo deverá mesmo ser este: “Pessoa que merece todo o respeito!”.

É claro que não estamos a dizer que no mundo da psiquiatria isso também não aconteça. De modo nenhum. Mas, de facto, os psicólogos, de um modo geral, abordam a depressão de um modo diferente, mais centrado na pessoa.

Há 350 milhões de pessoas com depressão em todo o mundo

Ouvimos falar, cada vez mais, em pessoas, muitas conhecidas nossas, com depressão. Mas estar-se-á mesmo a falar de um quadro depressivo? Será que determinada pessoa tem mesmo uma perturbação grave dos seus afetos, enfim, ao ponto de ter mesmo a tal tristeza muito intensa? Uma tal tristeza que se prolonga pelo tempo fora?…

Quase meio milhão da população em Portugal tem um quadro depressivo

Segundo o Ministério da Saúde, o número de portugueses com depressão, tendo em conta os inscritos nos centros de saúde, foi de quase 10% em 2017.

Será que pertence a um grupo de cerca de 400 000 portugueses que, por ano, se estima sofrerem de depressão? Será que até poderemos conviver, no nosso dia a dia, com pessoas do grupo que mais contribui para as mortes por comportamento suicidário?

O suicídio foi responsável por cerca de 1,5% de todas as mortes em todo o mundo. O suicídio está entre as 20 principais causas de morte.

Polémica: doença psicológica ou física?

Há quem afirme que é uma doença do cérebro, que só pode ser tratada com medicamentos antidepressivos, que a depressão não é, simplesmente, uma perturbação psicológica, mas sim uma doença biológica.

É a mente que provoca os males no corpo? Ou é o facto de alguma coisa avariar, digamos assim, na parte física que vai provocar os “males” da mente? A polémica está, de facto, instalada.

Mais informações estatísticas

Segundo a Direção Geral de Saúde, Portugal é o país da Europa com maior consumo de benzodiazepinas – o grupo farmacológico dos ansiolíticos, ou tranquilizantes, o mais prescrito no SNS.

Um em cada 4 ou 5 pessoas vai ter uma depressão ao longo da vida. O tratamento da depressão tem uma taxa de sucesso de 70-80%. A depressão é a primeira causa de incapacidade produtiva das pessoas no mundo inteiro.

Depressão ou tristeza? Qual o diagnóstico?

Sempre que passamos por momentos mais difíceis nas nossas vidas é comum sentirmos certas tristezas. Mas são emoções e sentimentos que não se prolongam no tempo, acabam por ir-se embora e, portanto, recuperamos o nosso estado de ânimo.

Determinadas pessoas podem, no entanto, após mais de duas semanas seguidas, continuar a sofrer profundamente, sem verem qualquer sentido para a sua vida e, muitas vezes, com uma agressividade profunda virada para si mesmas.

A depressão vai afetar a capacidade para se realizarem as tarefas mais simples do quotidiano. As pessoas com depressão têm dificuldades diversas, tais como alimentarem-se, vestirem-se, cuidarem da sua higiene, estudarem e dormirem. A depressão vai também começar a afetar os relacionamentos, a comunicação com os outros, a própria fala, o pensamento, a memória e o raciocínio

O que é afinal uma depressão?

Muitas vezes, voltamos a salientar, estamos tristes, mas não estamos doentes, estamos a apenas a reagir, de uma forma saudável, a perdas sentimentais, por exemplo. Portanto, não estamos com uma depressão, não somos bipolares, não somos distímicos, estamos apenas com razões válidas para estarmos tristes.

Recapitulando: depressão não é só ter tristeza, mas sim uma sucessão de episódios continuados de muita tristeza, a incapacidade de viver o prazer, a falta de ânimo de uma forma continuada e persistente.

Antidepressivos, sim ou não?

Em muitos casos poderá não haver outra alternativa mais adequada. Mas, também é certo que haverá muitas pessoas que os tomam talvez sem necessidade, porque, nem sempre estarão mesmo com uma depressão.

Há pessoas que podem não estar realizadas, sem um propósito de vida, achar que não têm valor, não andar serenas, não ter uma boa autoestima. Há pessoas que se podem sentir culpabilizadas, não se sentirem autoconfiantes, podem achar a vida sem sabor.

Mas, estas pessoas, mesmo assim, podem não estar com uma depressão. Sim, tudo isso dá sofrimento psicológico, mas, voltamos a sublinhar, pode não se tratar de uma verdadeira depressão.

Voltemos, então, à questão da definição da depressão

Para que alguém esteja nesse estado, é preciso que a pessoa tenha uma tristeza prolongada,  tenha desinteresse em viver, não tenha vontade ou prazer em levar a cabo aquelas atividades que antes gostava de fazer ou não consiga conviver.

Uma pessoa com depressão não tem energia, anda como que sempre cansada, não tem sequer prazer em comer, não tem apetite (ainda que, às vezes, até possa ter excesso). Para além disso, fica com o sono desregulado, com muita sonolência, ou com insónia, fica sem desejo sexual, sente-se inútil ou sem valor.

Estejamos atentos aos sinais e aos sintomas

Podem começar gradualmente, sem que até os mais próximos se apercebam. E tudo isto é, muitas vezes, acompanhado de ansiedade, de angústia, de culpa, de medos intensos, de lentidão ou agitação psicomotora, de náuseas, de alterações gastrointestinais…

E, ainda mais grave, a pessoa pode entrar em perigo de vida. Por vezes, a ideação suicida está, realmente, presente, levando mesmo a tentativas suicidárias, ou à própria consumação suicida.

A terapia EMDR pode ser uma solução para a depressão

O EMDR tem-se mostrado, conforme o apontam inúmeros estudos sobre a matéria, muito eficaz na abordagem a casos ligados à sintomatologia depressiva.

É uma abordagem levada a cabo por um número cada vez maior de psicólogos e médicos psicoterapeutas em que se atua no sentido de serem dessensibilizadas e reprocessadas memórias negativas relacionadas com eventos que foram muito perturbadores no passado, e que ainda causam muito sofrimento no presente.

Há uma percentagem elevada de pessoas que mostram uma remissão completa dos sintomas depressivos no final da terapia EMD, após apenas algumas  sessões com estimulação bilateral  ocular, auditiva ou tátil.