Psicoterapia EMDR: como ultrapassar traumas psicológicos?

Psicoterapia EMDR e a Metáfora do Software Informático

Com uma intervenção de EMDR, “todo o nosso sistema cerebral é scaneado”. São corrigidos erros de arquivamento malsucedido, ficam restaurados “ficheiros emocionais corrompidos”. No término do respetivo protocolo, aparecem como que mensagens que são semelhantes às que aparecem no final de uma intervenção de reparação informática especializada:

O computador foi recuperado com êxito! Versus Já me sinto outra pessoa!

O computador conseguiu recuperar o ficheiro danificado!  Versus O trauma já não me causa sofrimento!

O computador está agora a funcionar com normalidade! Versus Vejo a situação, antes perturbadora, de outra forma, mais serena!

Somos nós próprios que fazemos correr o software EMDR

O psicoterapeuta fornece o aplicativo, dá as necessárias orientações para ele ter êxito, mas é o nosso cérebro que faz, praticamente tudo sozinho. As estimulações bilaterais que aplicamos a nós próprios, ou que o psicoterapeuta nos aplica, vão mesmo restaurar ficheiros corrompidos, para transformar aquelas nossas emoções tolhedoras em emoções positivas. E é isso que vai levar à nossa cura psicológica.

Depois do EMDR, perde-se a carga negativa associada a eventos traumáticos, transforma-se a sua negatividade em neutralidade. Ou seja,  o trauma já não incomoda o normal desenrolar da vida.

Fundamenta-se no Processo Adaptativo de Informação

Para o EMDR, temos um sistema neurobiológico de processamento de informação. É um sistema que nos serve para integrarmos as nossas experiências internas e externas. As experiências que vamos tendo vão ficando armazenadas como sendo memórias físicas, memórias de experiências que ficam armazenadas no nosso sistema e que vão determinar a nossa saúde ou a nossa doença.

Quando se trata de traumas, estes vão causar uma interrupção do processo adaptativo de informação. Assim, esta informação não processada corretamente vai ficar aprisionada nas redes de memória.

Na terapia EMDR trabalham-se pensamentos negativos

Os pensamentos estão, muitas vezes, ligados a recordações e determinadas vivências perturbadoras. E isso vai gerar sentimentos negativos. E estes vão gerar comportamentos disfuncionais. Se estou angustiado, por exemplo, é porque, antes, pensei em algo que me pôs angustiado.

Frequentemente, os pensamentos têm origem em eventos traumáticos nem sempre no nível consciente. Podem ser acompanhados de sensações corporais, sensações fisiológicas: suores, aperto no peito, dores de cabeça, tremuras, etc.  Podem-nos provocar um comportamento disfuncional nas nossa vidas quotidianas. Ou seja, podemos ficar deprimidos, ansiosos, agressivos, apáticos, dormirmos demais, ficarmos com insónias.

Distorção cognitiva que a psicoterapia EMDR desmonta

Essa distorção pode envolver o modo como nos vemos: “não tenho valor”; o modo como vemos o mundo: “neste país não me tratam com a justiça que mereço”; o modo como vemos o nosso futuro: “não vejo possibilidade de alcançar nada de bom”.

Começamos, então, a ter uma visão muito negativa de nós próprios. Achamos que tudo o que fizemos no passado foi tudo mau, foi tudo negativo. E achamos que o futuro é negro, nada nos espera de bom, vão acontecer só desgraças.

Não trata apenas os grandes traumas

Nós somos assaltados por pensamentos negativos que levam a sentimentos negativos e a “comportamentos negativos”. Para o EMDR, não têm que ter sido grandes traumas, podem ir dos mais pequenos aos enormes. Um evento mau pode ter sido traumatizante ou não.

Há pessoas mais bem preparadas para reagirem a determinadas situações emocionais. Umas por fatores genéticos, outras por fatores mais ambientais. Um evento pode ser traumatizante para uma pessoa, mas pode ser facilmente processado por outra. São aquelas pessoas a quem chamamos resilientes!

Nem todos temos o mesmo grau de resiliência. Por vezes, fraquejamos, vamo-nos abaixo com determinadas vivências. E até não precisam de ser muito duras, não precisam de ser catástrofes ou tragédias.

O sono REM e as estimulações bilaterais

Fruto de várias investigações científicas, concluiu-se que muitos dos acontecimentos que vivemos durante o dia são processadas durante as etapas do sono REM. Ou seja, em situações normais, o cérebro passa em revista esses acontecimentos mais difíceis e arquiva tudo de forma bem organizada. Só que nem sempre isso acontece e surgem os pesadelos repetidos…

De facto, nem sempre tudo corre bem, tal como acontece, às vezes, com os nossos computadores. À nossa mente podem acontecer coisas parecidas com o que acontece aos nossos computadores pessoais.  

Psicoterapia EMDR e a analogia com um computador

Com o computador: O ficheiro que estamos a tratar é tão pesado, tem tantos gigas, que o nosso computador, “crasha”. Passa a trabalhar sem eficácia, fica cada vez mais lento. Com o cérebro: o acontecimento por que passamos é tão traumático, tem tanto “peso”, que o nosso cérebro “crasha”. Temos um esgotamento, caímos em depressão, temos falta de autoconfiança.

Ao nível da informática, a dado momento, começamos a perceber que o computador passou a não funcionar lá muito bem. E também, ao nível da nossa vida, a dado momento, passamos a ver que não estamos a funcionar lá muito bem. Passamos a perceber que não estamos a lidar de um modo adequado com determinadas situações. E lá aparecem, por exemplo, as fobias, as ansiedades, as depressões, ou outras perturbações quaisquer.

Como que uma reparação informática

Determinados episódios da nossa vida quotidiana mais traumáticos ficam mal arquivados no nosso cérebro. Os nossos pesadelos  são, precisamente, tentativas que o cérebro faz para arrumar esses episódios de uma forma adequada. Por vezes, conseguimos fazer um restauro bem sucedido. E o computador volta ao seu equilíbrio. Mas outras vezes isso não acontece.

O EMDR é como que um restauro. Acompanhados de um psicoterapeuta especializado, fazemos correr um software no nosso “computador”. Ou seja, neste caso, um software de procedimentos que fazemos correr na nossa mente, acompanhado de uma intervenção no hardware, tipo umas palmadas alternadas na caixa de lata do computador, para reativar “contactos”, circuitos eletrónicos com danos na solda, no caso do computador, ou para ativar conexões nervosas, sinapses, no caso do cérebro humano.

Psicoterapia EMDR é focal, breve e altamente eficaz

O software EMDR ajuda o nosso cérebro a encontrar a cura. Tal como o nosso corpo, regenera tecidos, cura as nossas lesões físicas, também o nosso cérebro cura as nossas lesões emocionais. O EMDR ajuda o nosso cérebro a encontrar a cura, ajuda-o a encontrar os recursos que, pelos vistos, estão sempre lá.

O EMDR permite à pessoa que o seu cérebro encontre o melhor modo para que a perturbação deixe de fazer os seus efeitos perniciosos para a sua saúde mental. É o cérebro que vai encontrar a própria solução. Para isso, é necessário atuar até que as cenas perturbadoras passem a ser associadas a pensamentos, crenças, emoções e sensações mais positivas.

O EMDR é, de facto, uma psicoterapia  muito breve, integrativa e que pode, efetivamente, ajudar muitas pessoas a ultrapassarem as suas dificuldades ou limitações de natureza psicológica.