Traumas de infância podem perdurar mesmo para toda a vida.

Sabe que muitas perturbações psicológicas começam logo em tenras idades, não é? Pois é, têm a ver com traumas de infância, que, em muitos casos, perduram mesmo para sempre …

Uma criança pode ficar traumatizada por “pequenas coisas”

Ouvimos por vezes: “Ele tem um trauma qualquer, precisa de ir ao psicólogo tratar-se…” Ou então: “Ela ficou traumatizada, agora passa a vida a chorar, não come, não dorme…” Mas também podemos ouvir: “Como é possível andar assim toda satisfeita depois de ter passado pelo que passou?”. De facto, as pessoas são diferentes e reagem de modo distinto a situações eventualmente traumatizantes. Estamos a falar de traumas psicológicos, emocionais, muitos dos quais traumas de infância … E não se pense que estes apenas têm a ver com ocorrências de vida altamente dramáticas …  De facto, muitas vezes, não é a situação vivida que tem importância, mas sim a forma como cada pessoa reage à situação.

Quem os não tem?…

Frequentemente, não percebemos como é que determinado acontecimento afetou tanto determinada pessoa. Muitas vezes, não damos qualquer importância à forma como se lida com determinada criança. Pode ser feito um comentário brincalhão, pode ser feita uma simples observação, pode ser apenas um olhar, pode ser qualquer coisa, mesmo sem até qualquer intenção de magoar … Mas o que é certo é que a criança pode ficar mesmo com estes traumas de infância, vindo-se apenas a saber disso mais tarde. Descobre-se isso em muitas sessões psicoterapêuticas, quando a pessoa resolve pedir ajuda a um psicólogo.

Como é possível andar assim, depois dos seus traumas de infância?

Na verdade, há determinados eventos ou situação de vida que não nos incomodam por aí além, mas as pessoas, por várias ordens de razão, repetimos, são diferentes. Tudo isso se estuda na Psicologia Diferencial e não interessa agora estar a desenvolver-se este tema. Portanto, temos que respeitar as pessoas nas suas singularidades.

Temos, pois que respeitar, a pessoa traumatizada que sofre, mas também aquela que, viveu, por exemplo, a perda de um ente querido e que continua a viver de uma forma adaptativa a sua vida. Não estamos a falar de pessoas que negam os seus sentimentos. Estamos a falar das pessoas que superam mais facilmente os seus lutos – o que queremos dizer é que não podemos condenar alguém por não ter ficado a sofrer…

Pequenos episódios pelos quais passamos nas nossa vidas, logo na infância

As situações traumáticas, sabe-se, podem ser dos mais variados tipos: acidentes, mortes de entes queridos, assaltos, violência doméstica… Mas também podem ser pequenos episódios pelos quais passamos nas nossa vidas, logo em tenras idades. Muitas vezes situações inesperadas, que nos causam vergonha, humilhação, culpa, deceção – enfim, os tais traumas de infância … São, realmente, situações que precisam de serem como que metabolizadas psicologicamente. Uns conseguem fazê-lo, outros não. De facto, nem toda a gente que, por exemplo, é assaltada com violência fica traumatizada. Mas há pessoas que ficam mesmo muito afetadas. Nem todas as crianças que foram alvo de piadas, em jeito de chacota, pelos adultos ficam traumatizadas. Mas há pessoas que ficam a sofrer muito, algumas para toda a vida. E, muitas vezes, tudo terá tido origem logo na infância.

Realmente, há pessoas que ficam como que estagnadas emocionalmente em determinados acontecimentos da sua infância. E passam a não conseguir ter uma boa autoestima, uma boa autoconfiança. Passa a não conseguir relacionar-se, a não conseguir trabalhar, a não dormir descansadamente. Estas pessoas passam a não serem capazes de sentir alegria, a não conseguirem fazer as coisas mais simples do dia a dia. E passam a não comer de forma minimamente equilibrada. Passam a não cuidar da sua higiene pessoal. Passam a não vestir-se com o mínimo de apresentação, a não cuidarem da arrumação da casa, a não fazerem compras autonomamente…

Há uma tendência para a vítima se culpabilizar dos seus traumas de infância

Há também pessoas que negam, dizendo: “Não foi nada, não teve importância… Há outras que sentem culpa. De facto, há uma tendência para a vítima se culpar: “Se eu não tivesse feito…”. Acontece, com efeito, muito no abuso sexual, ficando a pessoa com vergonha de si própria, não percebendo que foram mesmo vítimas de traumas de infância… Há pessoas que ficam com medo da mais pequena coisa, de insignificantes barulhos, por exemplo… Há pessoas que apresentam sintomas físicos muito negativos: insónia, pesadelos, dor no corpo, cansaço extremo, dificuldades de concentração, agitação psicomotora…

Há que restabelecer a comunicação entre os aspetos racionais e emocionais

Podemos, então, dizer, que trauma será uma experiência para a qual não estávamos preparados, uma experiência que não soubemos enfrentar, fazendo o devido entrosamento entre os seus aspetos racionais e emocionais. E devido a isso essa experiência ficou como que bloqueada no nosso cérebro. Ou seja, mesmo que já tenha acontecido há muito tempo, aquilo ainda perdura, as consequências ainda perduram, podendo manifestar-se de variadas formas: flashbacks, ataques de pânico, irritabilidade, diminuição da líbido…

Os eventos com potencial traumático são inúmeros ao longo das nossa vidas: desilusões amorosas, perda de emprego, crises económicas, ferimentos, doenças comuns… E o que é certo é que há pessoas que os conseguem superar e outras que ficam sempre presas no passado… Ora, é aqui que  pode entrar o EMDR, uma psicoterapia que, apesar de não se saber exatamente como,  funciona, apresenta taxas de sucesso altas, com resultados rápidos, que outras abordagens parecem não conseguir tão bem…

EMDR para a ultrapassar traumas de infância

Em resumo, e de forma simplificada, o EMDR, leva a pessoa a focar-se em determinados elementos das tais lembranças traumáticas – muitas das quais localizadas na infância. Aqui, podemos dizer que a pessoa tem que sofrer, porque tem que ir lá atrás a recordações dolorosas… Mas é só numa fase inicial, porque depois passa-se à estimulação bilateral para que o cérebro, por si mesmo, processe as memórias “traumáticas”, fazendo com que diminuam, ou mesmo desapareçam, as reações emocionais e os pensamentos negativos anteriores. E a pessoa deixa, assim, no passado, recordações cujo lugar certo é mesmo o passado, não precisando de estar a atrapalhar o seu presente.

Na PSICOVIAS, temos dois psicoterapeutas, que poderá consultar, certificados nesta relativamente recente abordagem: o Dr. Jorge Amaro e a Dra. Susana Firmino. Saiba mais aqui.

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