Amaxofobia, sabe o que é?

Antes de vermos o que é a amaxofobia, convém falarmos das fobias em geral. Ora, fobias são, em síntese, medos irracionais. Ou seja, às vezes não há, simplesmente, motivos para se sentir aquele tal medo… Às vezes até se trata de apenas pequenos medos, só que, mesmo assim, alguns podem limitar muito a nossa vida.

Portando uma fobia é, digamos, um estado mental. E também um estado físico.  É um estado fóbico causado, portanto, por um medo irracional em relação a determinada exposição. Muitas vezes a pessoa não admite que seja medo, falando antes em excitação, em nervosismo ou em ansiedade. Mas, muitas vezes, a pessoa até pode mesmo sentir pânico. Isto quando a ansiedade é muito elevada.

Mas, enfim, ter medo até é uma coisa normal, uma coisa natural. Ainda bem que o temos, pois isso protege-nos. O problema, de facto, só existe quando a ansiedade excessiva que sentimos não está de acordo com o perigo real da situação.

As fobias são muito frequentes

As fobias são, de facto, muito frequentes. São, pois, medos que perduram no tempo, exagerados, irracionais. Podem acontecer na presença da situação fóbica ou mesmo quando “apenas” se antecipa a situação.

As reações a uma fobia são diversas. As pessoas podem ficar paralisadas. Mas também podem ficar muito agitadas. Podem gritar. Podem fugir. Mas as pessoas percebem o seu comportamento ilógico, não racional. Percebem que não há fundamento para aquele medo. Muitas vezes as pessoas até conseguem enfrentar os seus medos irracionais, mas fazem-no à custa de muito desconforto emocional.

Nos meios mais psiquiátricos fazem-se algumas distinções em termos de diagnóstico diferencial. Ou seja, não se considera tudo fobias. Por vezes, de facto, o diagnóstico aponta mais para uma situação de quadros mais ansiogénicos. Ou aponta para um quadro mais ligado às obsessões e às compulsões…

Medo persistente, excessivo e irracional

De qualquer modo, o diagnóstico, é, digamos, mais ou menos fácil de fazer. Ou seja, estaremos a falar de uma fobia sempre que haja um medo persistente, excessivo e irracional. Sempre que a pessoa reaja à situação de forma ansiogénica, ou até mesmo de pânico. Sempre que a pessoa perceba que é um medo não doseado e que não tem um motivo racional para existir. Sempre que a pessoa dê mostras de querer evitar a situação. Sempre que tenha ansiedade quando antecipa a situação.

Depois há também quadro a que não se chamam fóbicos, mas que andam lá, digamos, mais ou menos perto. E aqui temos os transtornos obsessivo-compulsivos, o stress pós-traumático, o quadro de ansiedade de separação…

As fobias podem ser tratadas. E podem sê-lo de uma forma relativamente rápida. Na PSICOVIAS privilegiamos o EMDR, ainda que o façamos no contexto de uma abordagem psicoterapêutica mais integrativa e eclética.

Sem razão objetiva para existirem

Muitas fobias são logo desenvolvidas na nossa infância. De facto, toda a gente passa por experiências traumáticas. Só que muitos de nós ultrapassamos bem essas situações. Outras pessoas, no entanto, desenvolvem reações fora do seu controlo. E são reações que aos olhos dos outros não se percebem, pelo menos de uma forma racional. São, portanto, medos errados que não têm razão objetiva para existirem.

De facto, as fobias são medos ilógicos, mas que provocam muito sofrimento às pessoas que os têm. As pessoas com fobias podem ser assaltadas por vergonha, por baixa autoestima, enfim por um desconforto emocional muito grande. São medos que, depois de instalados, dificilmente passam sem a ajuda de uma psicoterapia. De facto, muitas vezes, só com a ajuda de um psicólogo, é que a pessoa pode restruturar os seus pensamentos. Mas também tem que fazer uma restuturação, ou ressignificação, emocional. É, de facto, uma restruturação que tem que acontecer de modo a que pessoa consiga perceber que não há razão, nem emoção, para sentir medo.

Origem das fobias

Antes, no entanto, da restruturação há que perceber a origem dos seus medos irracionais. Enfim, há muitos modelos conceptuais e teóricos explicativos para a explicação de como essas fobias se desenvolvem. Há também muitas abordagens psicoterapêuticas e muitas técnicas para levar a pessoa a eliminar os seus medos irracionais. Há estudos que apontam para que a sua origem seja muito remota. De facto, aponta-se muitas vezes para a infância, mas também há estudo que apontam para origens localizadas em memórias genéticas. Há estudos que falam até em traumas transgeracionais.

Portanto, para que alguém faça frente à sua fobia, tem que mudar os seus comportamentos. Mas, não há dúvida, que primeiro tem que mudar, ou pelo menos tomar consciência, de determinadas emoções e sentimentos. E até antes disso mudar os seus pensamentos. Mas, para isso tudo, tem que começar a falar em termos emocionais, mais do que em termos racionais… Porque há, na verdade, que encontrar as causas e as origens dos problemas emocionais que condicionam o seu dia-a-dia.

Entender melhor as emoções

Com efeito, muitas, vezes tudo corre de um forma ajustada, “apenas” há aquele “pequeno” problema”. Só que é um pequeno problema que perturba a vida da pessoa, diminuindo o seu grau de felicidade. E a pessoa, realmente, sozinha tem dificuldade, ou mesmo impossibilidade, de se curar. Precisa pois da ajuda de um psicoterapeuta que, através de uma abordagem estruturada, lhe dê meios para entender melhor as suas emoções. Precisa, pois, talvez não de medicamentos, mas sim de entender o que provoca os seus medos irracionais. Precisa, pois, de entender a origem da sua fobia, para que a possa ultrapassar e viver mais feliz, livre de limitações que condicionam seriamente a sua vida.

Vamos, então, agora debruçarmo-nos sobre uma das muitas fobias que existe: a amaxofobia, um tipo de medo irracional que afeta, dizem alguns estudos cerca quase 20% das pessoas. De facto, o ato de conduzir uma viatura é uma atividade complexa. E muitas pessoas apresentam muitas dificuldades em fazê-lo. As pessoas com amaxofobia, muitas vezes, deixam, simplesmente, de conduzir. Ou seja, têm o tal comportamento de evitamento que é extremamente comum nas fobias.

Amaxofobia, medo de ter medo a conduzir 

Outras pessoas com amaxofobia tentam, no entanto, superar a sua limitação. Podem procurar a ajuda de familiares e amigos, mas, muitas vezes, não conseguem resultados. Outros procuram um tratamento medicamentoso, mas que acaba por apenas tratar o sintoma, não a origem, não o que está verdadeiramente a provocar o problema. Ora, pode haver uma resposta psicoterapêutica para a amaxofobia que vai realmente à origem…

Vejamos então o que é a amaxofobia. Esta perturbação tem, de facto, a ver com um medo intenso, um temor face à incapacidade de conseguir conduzir um veículo ou sequer pensar em fazê-lo. Muitas vezes, a pessoa apercebe-se que a tem porque em determinada altura é invadida por uma por uma crise aguda de ansiedade, às vezes mesmo um ataque de pânico, enquanto se encontra a conduzir.

A pessoa passa, pois, por uma intensa sensação de falta de autocontrolo. É, de facto, uma experiência muito negativa, acompanhada de pensamentos catastróficos sobre o que poderá acontecer se continuar a conduzir a viatura. E, portanto, tem que parar, tem que encostar à berma. Porque se o não fizer, a pessoa vai continuar a sofrer um grande impacto emocional, um medo intenso de que a sua crise vai produzir um acidente rodoviário de consequências imprevisíveis.

Um amaxófobo é alguém que até pode ter carta de condução há muitos anos. Só que raramente conduz. É, de facto, alguém que ao pensar na ideia de conduzir pode ficar apavorado.

Conduzir é desgastante

Conduzir, só por si, pode ser desgastante. De facto, há que tomar atenção a muita coisa. Exige coordenação oculo motora, exige um grande esforço para dar atenção a muita coisa ao mesmo tempo. Mas acabamos por conduzir automaticamente, por vezes, sem necessidade de grande esforço. É o que pode acontecer, por exemplo, em autoestradas, quando não há grande tráfego e o tempo está bom. Portanto, aqui “basta” estarmos calmos e relaxados para que possamos até saborear o desenrolar da viagem. Tudo flui, naturalmente.

Só que pode acontecer que o medo se apodere de nós e aí a condução torna-se um martírio. É o que acontece, na verdade, a quem sofre de amaxofobia. Aqui, realmente, o medo apodera-se da pessoa e o pensamento fica bloqueado. As emoções ficam descontroladas. Tudo se vê numa perspetiva negativa.  A pessoa começa a pensar que não á realmente capaz para poder continuar a conduzir em segurança para si e terceiros. O medo absorve-a de tal maneira que tem mesmo que parar e desistir de tentar conduzir mais.

Portanto o ato de coduzir, para o amaxófobo, ou amaxofóbico, não é só desgastante, é completamente esgotante!

Círculo vicioso que reforça o medo e a insegurança

Ora, tudo isto, vai levar a que a pessoa tenha pensamentos muito negativos sobre si próprio. Vai pensar, pois, que não tem valor. Realmente, na nossa sociedade e em determinados contextos, o ato de conduzir com desembaraço e celeridade é muito valorizado. Portanto a pessoa pode dizer para si mesma que é inferior aos outros, que é pior que os outros, o que vai, de facto, deixar a sua autoestima muito em baixo. E isto torna-se, assim, num círculo vicioso que reforça o medo e a insegurança.

O primeiro episódio de amaxofobia pode acontecer num determinado contexto. Pode acontecer, por exemplo, em determinado lanço de uma autoestrada, com determinadas características. Só que, com o evoluir da perturbação, a amaxofobia pode acontecer noutras situações, mais ou menos similares. As crises de ansiedade podem, pois, verificar-se noutros contextos.

Assim, a pessoa pode começar a reagir também com grande ansiedade e desconforto emocional noutras situações. Pode, pois, começar a transferir gradualmente para outras situações de trânsito, para outro tipo de percursos rodoviários. E isto vai fazer a pessoa sentir-se cada vez mais incapaz de lidar com sua ansiedade no ato de conduzir.

Pensamento de que pode causar a morte

Ora, assim a pessoa pode reagir de várias formas à sua dificuldade. Pode começar por evitar determinados percursos, pode depois só conduzir num percurso bem definido, pode escolher apenas um determinado período, ou pode abandonar completamente a atividade de condução. Ou seja, o medo de morrer é tal que a pessoa passa evitar a situação. Ou seja, o pensamento de que pode causar a morte a outras pessoas é tal que acha que tem que fazer qualquer coisa. E essa coisa é descobrir que a única solução para aquele pensamento ruminante é mesmo parar de conduzir. Descobre que é essa a solução para o seu elevado medo e ansiedade.

E isto é um transtorno que afeta, realmente, muitas pessoas. Há dados estatísticos sobre o problema, por vezes não coincidentes, ma o que é certo é que afeta muita gente, homens, mulheres, jovens e menos jovens… Muitas vezes a primeira crise acontece quando o condutor se encontra sozinho. E não suporta de tal modo a ansiedade que, num grande estado de frustração, com um sentimento de incompetência muito elevado, acaba por abandonar o veículo e não prosseguir a sua viagem.

O amaxófobo e a perceção de ameaça

Segundo os estudos, haverá algumas características comuns aos amaxófobos.  São pessoas que não têm um espírito muito flexível. São antes pessoas mais rígidas, mais regradas, que gostam de ter tudo sob o seu controlo, mais perfecionistas. Têm, geralmente, crenças sobre as questões relacionadas com o trânsito rodoviário, considerando-o muito perigoso e ameaçador.

Realmente um amaxófobo, ou amaxofóbico, ainda que possa não estar totalmente consciente de tal, sente uma grande vulnerabilidade, porque interpreta determinados estímulos com um risco excessivo. É, de facto, uma pessoa que mantém uma crença de que não possui a capacidade suficiente para lidar com a situação de conduzir no meio do trânsito. Acha que, realmente, não tem a capacidade para enfrentar os desafios da estrada, as ameaças constantes que ela comporta.

Ora, é a perceção desta ameaça que o leva a sentir um aumento de ansiedade. Uma ansiedade que tem origem nos possíveis riscos que a estrada ou os outros condutores podem representar.

E, muitas vezes, de facto, a única fuga possível em relação à extrema ansiedade, ao medo, é a reação de evitamento. Ou seja, a pessoa ao evitar conduzir não recebe um reforço positivo, isto é não fica mais feliz. Mas ao parar de conduzir pelo menos não sofre, ou seja, recebe um reforço que vai acabar por instalar a fobia. Enfim, há, pois, abordagens psicológicas mais da linha comportamental que têm em conta isto mesmo…

Há que fazer uma reconstrução cognitiva

Há, com efeito, abordagens que levam a que a pessoa mude as suas ideias, as suas crenças, os seus pensamentos errados sobre o trânsito, sobre o ato de conduzir…  São usadas, pois, técnicas de reconstrução cognitiva. São usadas técnicas para acabar com o condicionamento emocional associado ao medo. Outras técnicas há em que se procura fazer a exposição ao vivo, de forma progressiva e orientada…

Portanto, são técnicas comuns no tratamento de quaisquer fobias, que levam a que a pessoa faça o enfrentamento e deixe o evitamento. De facto, como em qualquer fobia, a exposição ao vivo pode permitir desenvolver experiências diretas de enfrentamento que vão ajudar a pessoa a superar o seu problema.   São abordagens nas quais a pessoa é levada a considera o trânsito uma situação mais segura, mais amigável.

Tudo em prol, portanto, da pessoa não cair no comportamento de evitamento e fuga. Para que, realmente, não comece a reduzir os lugares ode consegue conduzir. Para que não comece a procurar desculpas para não conduzir. Para que não comece a ter medo de ter medo. Porque, de facto, a amaxofobia é isso mesmo, ou seja, uma pessoa com amaxofobia tem medo de ter medo quando vai conduzir. E que esse medo possa originar consequências terríveis para si ou para os outros.

A pessoa parece que não tem o controlo

E este medo não surge apenas em principiantes. De facto, há pessoas que começam a desenvolver esta fobia só passados alguns anos de terem começado a conduzir. E há também aqueles que até conduzem bem em determinadas vias, mas não noutras. Podem conduzir bem numa estrada urbana, mas terem medo de conduzir numa estrada, por exemplo, mais florestal, sem bermas. Podem conduzir bem na hora de ponta de uma grande cidade, mas terem uma crise de ansiedade num sítio no qual não podem parar.

Portanto, muitas vezes, o medo surge em situações nas quais a pessoa parece que não tem o controlo. E a pessoa começa a perceber as situações nas quais as crises de ansiedade ou de pânico se revelam. Passam a saber com exatidão quais são esses locais. E ficam com medo de os enfrentar. Passam, pois, a evitá-los. E não se trata só de locais. Pode ser, por exemplo, uma situação em que começa a chover, em que numa autoestrada passa a haver só uma faixa, em que a inclinação da estrada, a descer, é muito acentuada.

Técnicas de exposição

Tudo aponta, pois, para pessoas que gostam de ter tudo planeado, que não se dão bem com os imprevistos. Os amaxófobos, ou amaxofóbicosão, pois, pessoas que tendem a ser muito controladores, respeitadores de regras, autocríticos. São pessoas que tendem a estar, continuamente, a compararem-se com os outros. São pessoas que, com efeito, se preocupam quando têm de fazer uma viagem mais longa, e começam logo a preocupar-se antes, muito antecipadamente. E podem começar a preocupar-se não apenas em relação ao seu desempenho, mas também ao comportamento dos outros condutores. Antecipam, constantemente, perigos: um buraco na estrada, os travões que avariam, um pneu que pode rebentar…

Realmente, um tratamento psicológico muito usado para este tipo de fobias envolve técnicas de exposição, em que, de uma forma progressiva, a pessoa se vai confrontar com as tais situações temidas. É claro, que a pessoa tem que ir sendo exposta gradualmente. Ou seja, as situações vão sendo introduzidas de uma forma gradual, de modo a que os temores sejam trabalhados de uma forma igualmente gradual. Tudo isto de uma forma quantificada.

Associar memórias positivas

A intervenção psicológica também pode passar por dar novos significados às experiências traumáticas vividas no passado. Ou seja, pode ter havido um ataque de pânico, um ataque muito grande de ansiedade. Ora a ideia é associar memórias positivas a esses acontecimentos que foram vividos muito negativamente.

Alguém com amaxofobia é uma pessoa que se sente mal interpretado. De resto, como toda a gente que tem uma fobia. Porque, de facto custar a crer que alguém possa ter medo de um pequeno cão inofensivo, do carinhoso gato, de voar num avião robusto, etc.  Portanto, podemos também achar o mesmo de alguém que tem medo de conduzir em estradas calmas. Não percebemos, pois, que se trata da impossibilidade da pessoa fazer um autocontrolo da sua ansiedade. E com essa ansiedade a pessoa como que fica bloqueada. As pessoas não compreendem pois que um amaxófobo tem de fazer uma restruturação cognitiva.

Na amoxofobia há uma perceção exacerbada do perigo

Há realmente várias técnicas para que a pessoa consiga fazer uma restruturação cognitiva. Pode passar por levar a pessoa a relaxar e levá-la a que gradualmente dessensibilize determinadas situações mais difíceis para ela.  Porque, realmente, uma pessoa com amaxofobia tem uma perceção exacerbada do perigo. E é esse exagero na perceção do perigo, ainda que muitas vezes não completamente consciente, que tem de ser revertido. Ou seja, para que a pessoa não entre em pânico, não viva o medo daquela maneira. Para que perceba que há perigo, sim, mas que é um perigo controlado. Para perceber que conduzir no trânsito não tem que fatalmente acabar em acidente trágico. Para que não precise, pois, de ser conduzida por outras pessoas, para que não fique dependente de outras, e de apenas algumas vias.

Mas, muitas vezes,a pessoa não sabe porque é que tem medo de conduzir. Tal como alguém não sabe porque é que tem medo de aranhas, ou de palhaços, ou simplesmente de andar de avião.  Ora muitas vezes houve associações negativas a essas experiências. Podem realmente ter existido situações que, ainda que não o parecendo, foram traumáticas. Por vezes, fala-se da questão dos filmes poderem traumatizar determinadas pessoas. De facto, todos nós podemos ficar abalados, não apenas as crianças. De facto, num filme nós podemos sentir medo, tristeza ou toda a espécie de emoções possíveis. Ora, nós sabemos que aquilo tudo não é real, mas, mesmo assim, ficamos emocionados como se estivesse realmente a acontecer.

A nossa parte emocional não entende

Ou seja, muitas vezes, não há congruência entre a parte racional e emocional. De facto, racionalmente, nós sabemos que se trata apenas de uma personagem. Portanto, o ator nunca morre, sabemo-lo racionalmente, mas, emocionalmente, achamos que aquela personagem de facto morreu. E isso vai fazer com que nos emocionemos como se tivesse ocorrido mesmo uma morte. Ou seja, a nossa parte emocional não entende isto. De facto, as nossas emoções não distinguem a realidade da ficção. E isso pode acontece também na estrada, quando conduzimos.

Podemos também ver na tela o caso de um avião quase a despenhar-se. E se o realizador e os atores forem bons, nós podemos sentir medo ao ver a cena. Ora, na condução nós também podemos ser levados pelas nossas emoções a ter medo. Porque de facto o nosso lado emocional não entende que não estamos a correr um perigo assim tão grande. Quer dizer há sempre perigo em conduzir, mas não um perigo catastrófico.

De facto, o peso do perigo não é suficiente ao ponto de nós acreditarmos que corremos um risco eminente em termos de ameaça à nossa vida e à dos outros. Estamos realmente apenas a conduzir, não estamos a colocar em perigo a nossa vida. Só que alguém com uma amaxofobia acabou por fazer essa associação, associou, com efeito, o ato de conduzir a um grande perigo, muitas vezes o perigo eminente de morte.

Corremos risco ao conduzir, mas é controlável

Recapitulando, o perigo de morte não existe numa elevada probabilidade. Mas, a parte emocional da pessoa não pensa assim, acha mesmo que o perigo de morte é altamente provável, particamente certo. E, portanto, entra em pânico, numa reação de pavor com toda a sintomatologia física associada. É, de resto, o que acontece noutras fobias. Por exemplo, a pessoa sabe racionalmente que o avião é seguro, mas, mesmo assim, tem pavor de voar.

Enfim, poder-se-á dizer que andar de carro é menos seguro que andar de avião. Será mesmo? Porque existem biliões de viaturas por todo o mundo, muito mais que o número de aviões. E essas viaturas estão constantemente a fazer interações umas com as outras e com os humanos. Ora, então se calhar, relativamente, os acidentes não serão assim tantos. Enfim, corremos riscos ao conduzirmos, mas é um risco calculado, é um risco controlável. Podemos usar, por exemplo, uma condução mais defensiva e o risco de termos um acidente é muito menor. Em suma, a probabilidade ter um acidente de automóvel não será muito alta.

É seguro viajar de automóvel…

De facto, a esmagadora maioria das pessoas morre sem ser por acidente de automóvel. Morrem sim de velhice, não por estarem a conduzir. Ou seja, apesar do trânsito ser cada vez mais intenso, de ser difícil conduzir, de ser complexo, a verdade é que, de um modo geral, pode ser considerado seguro viajar de automóvel. Mas é claro, há sempre perigos. E um desse perigos vem, precisamente, das pessoas que conduzem sob o efeito do álcool. Que haverá alguns que o fazem, precisamente, para combaterem os seus medos. E também há aqueles que combatem os seus medos “combatendo” os outros condutores, invetivando-os, tendo realmente uma condução agressiva para com os outros.

De facto, dizem alguns estudos que a agressividade ao volante é, na verdade, uma manifestação de medo, uma forma de defesa contra o seu próprio medo, num mecanismo contrafóbico.

Ter medo a conduzir é, digamos, normal. É bom que aconteça para, precisamente, evitarmos os acidentes. Este medo racional tem, pois, a função de preservarmos as nossa vidas e também as dos outros. O problema é de facto quando somos assaltados por um medo irracional.

A autoestima do amaxófobo, ou amaxofóbico, fica muito em baixo

Muitas vezes, temos mais medo quando a estrada é mais perigosa, quando as condições climatéricas são mais adversas. Isso é natural. É natural a nossa autoconfiança estar mais baixa. Trata-se, pois, de medos racionais.

O problema está, pois, quando evitamos mesmo quais situações em que tenhamos de conduzir. Mesmo com condições normais, com uma boa autoestrada, com um veículo seguro, com boas condições de visibilidade. O problema é quando, mesmo assim, a pessoa evita conduzir, quanto tudo faz para o evitar e digamos foge… E fá-lo ficando, no entanto com a sua autoestima muito em baixo.

Felizmente, existem algumas formas de tratar a amaxofobia. O psicólogo pode, pois, ver qual a abordagem que melhor se adapta a cada caso. Pode escolher as melhores técnicas e é isso que, de facto, fazemos na nossa prática. Na verdade, consideramos que as fobias podem ser tratadas de uma forma relativamente rápida. Para isso, na PSICOVIAS, privilegiamos o EMDR. No entanto, fazemo-lo no contexto de uma abordagem psicoterapêutica mais integrativa e eclética.

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