Afinal, o que é que me pode acontecer numa hipnoterapia?

Há muita falta de informação em relação à hipnose e à hipnoterapia. As pessoas têm uma ideia da hipnose que nem sempre corresponde à realidade. E nem é por culpa delas. Muitas vezes, realmente, é mesmo por culpa de quem a pratica. Há, com efeito, muitos hipnotizadores que a usam de um modo inadequado, para fins, digamos assim, menos nobres.

Com isto não estamos a dizer que a hipnose deva ser impedida de ser praticada, ou até proibida, como alguns defendem, nalguns contextos. De modo nenhum. Reconhecemos o direito de alguém a usar no âmbito do espetáculo e entretenimento – desde que não interfira com os direitos básicos da pessoa, tudo bem…

A hipnoterapia, a hipnose e a comunidade científica

É uma pena que a hipnose não esteja mais bem vista em determinados setores da sociedade civil e, nomeadamente, no seio da comunidade científica. Na verdade, há muitos psicólogos que rejeitam a sua validade e a sua eficácia num contexto psicoterapêutico. Há muitos psicólogos que consideram que não tem valor científico. E, por esse motivo, não estudam a hipnose e não praticam a hipnoterapia na sua prática mais clínica.

É uma pena, mas começa a haver indícios que esse panorama se esteja a modificar em Portugal. A Ordem dos Psicólogos Portugueses reconhece o valor da hipnose. Considera, com efeito, que a Hipnose é “uma das técnicas e ferramentas de intervenção das quais a Psicologia se pode socorrer para trabalhar as emoções, os conflitos internos e o inconsciente” das pessoas que procuram um psicólogo ou um psicoterapeuta.

A OPP considera ainda, no seu “Parecer sobre Hipnose”, de 2014, elaborado pelo Gabinete de Estudos Técnicos, que “a Hipnose é do domínio da Psicologia e da sua prática profissional e deve ser realizada por Profissionais de Saúde qualificados“. Reconhece também o EMDR e, na verdade, há quem afirme que o EMDR é uma  das formas de aplicar a hipnose num contexto psicoterapêutico.

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Mas, vamos, então, falar de hipnoterapia e dar a conhecer o que se poderá passar em consultório quando esta abordagem é seguida. Vamos falar da vertente de hipnose ericksoniana, que é aquela que nós mais privilegiamos na Psicovias.

Em hipnoterapia não há que ter receios

Ora, antes de mais, o que se poderá passar, saiba que não é nada de preocupante. Realmente, não tem que ter receio algum. Porque quem está constantemente aos comandos é você próprio e não o hipnoterapeuta. Realmente, é você que faz as escolhas. É você que decide. De facto, quando se submete a uma hipnoterapia, é você que escolhe o caminho a seguir.

Não tem, pois, nada a ver com a hipnose “toda poderosa”. Com aquela hipnose que vemos nos espetáculos. Não é uma hipnose autoritária. Pelo contrário, no consultório vai encontrar uma hipnose que faz uso de uma linguagem permissiva, tolerante, flexível.

Há quem considere que hipnose e relaxamento é a mesma coisa. Há quem considere que o fenómeno hipnótico é apenas o resultado do uso de induções de relaxamento muscular progressivo. Mas talvez não seja bem assim:  a hipnose não tem de ser exatamente relaxamento, porque inclui, para além do relaxamento, uma linguagem carregada de sugestões, promotoras de dissociação e da tal desejada mudança.

Hipnoterapia é um processo psicoterapêutico sugestivo

A hipnoterapia, realmente, é, sobretudo intrinsecamente, um processo sugestivo. De resto, tal como qualquer psicoterapia, que não é mais que um processo sugestivo com recurso muito frequente à imagética… De facto, o psicoterapeuta pode pedir frequentemente à pessoa que imagine determinada situação e um determinado comportamento da sua parte…

Vamos ser mais concretos, dando um exemplo:

Imagine-se, então, à frente do psicólogo hipnoterapeuta… Este começa por lhe pedir que se acomode confortavelmente na cadeira… Depois poderá dizer-lhe para ir para um local no qual se sinta mais tranquilo, mais seguro, mais sereno

—  Vou lhe pedir, então que feche os seus olhos… Isso mesmo! Vou lhe pedir que escute as minhas palavras…, porque elas serão diretas, claras e concisas… não tem que elaborar mais do que aquilo que elas são…. Está de acordo com isso?

Aqui você só tem que, se estiver de acordo, fazer um sinal afirmativo com a cabeça e continuar focado…

—  Então vou-lhe pedir para se absorver no seu interior…

Conforme o contexto, poderá, igualmente, dizer-lhe:

— Absorva-se no seu interior, de modo a que perceba que nós somos compostos por várias partes… Podemos ter uma parte mais autoconfiante, uma parte mais insegura, uma parte que tem medo, o medo racional que serve para o defender de perigos, e outra parte que tem medos irracionais, dos quais até não precisa mesmo…

Em hipnoterapia é convidado a seguir as palavras do hipnoterapeuta

Aceite, pois, o convite e continue  a ouvir o seu psicoterapeuta com a especialidade de hipnoterapia…

— A mudança ocorre quando todas as partes chegam a um acordo para efetuar a mudança… Até que todas as partes se sintam confortáveis com a mudança. Até que nenhuma parte de si boicote a mudança desejada…

Continue com toda a atenção a ouvir, descontraidamente…

— Você tem essa possibilidade: a de chegar a um consenso com todas as sua partes, de modo a que consiga perceber interiormente o que pode fazer para alcançar o que mais deseja. Mas não precisa de o fazer já. Até porque se o fizesse já, estaria a dar uma resposta apenas ao nível do racional e não do seu subconsciente mais emocional, por assim dizer…

É isso, o seu psicoterapeuta está a conduzi-lo para a esfera do emocional…. Continue a ouvir relaxadamente…

— Portanto nessa posição em que se encontra, permita-se sentir as sensações de ambas as suas mãos sobre o seu colo…, permita que as suas mãos repousem sobre as suas pernas… que a sua atenção se absorva nas suas mãos…, e gostaria que você se perguntasse a si próprio, com muita força, se todas as suas partes concordam em eliminar a negatividade, ou o que lhe queira chamar… E, se a sua resposta for sim, permita que a sua mente inconsciente dê um sinal com a sua mão esquerda…

Em hipnoterapia nem sequer tem que falar…

Responda, pois, afirmativamente ao seu hipnoterapeuta, com um assentimento de cabeça…

—  Porque eu sei que você é adulto e que pode fazer uso de todos os seus recursos, de todas as aprendizagens efetuadas ao longo da sua vida…. Tantas…. Aprendeu a andar, a ler, a escrever, a andar de bicicleta, a conduzir, passou exames, tirou cursos…

Mas um hipnoterapeuta, conforme o seu estilo e as abordagens seguidas também lhe poderá dizer o seguinte:

—  Foque a sua atenção num ponto qualquer à sua frente… Isso mesmo, num ponto qualquer!  Isso mesmo!

E depois poderá começar a ouvi-lo a falar num tom pausado e com voz num volume mais baixo que o habitual:

—  Foque a sua atenção nesse ponto profundamente…, sentindo, absorvendo-se. Isso mesmo! Foque a sua atenção nesse ponto com curiosidade, com interesse, com conforto. Isso mesmo!  Foque a sua atenção nesse ponto em si, interiormente, sentindo. Isso mesmo!

Muitas vezes o que ouve em hipnoterapia são frase soltas…

Vá, pois, continuando a ouvir, relaxando cada vez mais…

— Profundamente. Interiormente. De forma curiosa.  Centrada em si. Com conforto. Com tranquilidade. Através de sensações serenas. Tornando-se leve. Isso mesmo!  Sentindo. Algo a crescer em si. Com confiança. Numa aprendizagem leve. Numa aprendizagem natural. Numa confiança profunda. Numa estrutura sólida, mas também flexível. E que se vai desenvolvendo… A cada momento que passa… Em todos os dias… A todas as horas. A todos os minutos…

Isto são frases soltas que pode, realmente, ir ouvindo ao seu hipnoterapeuta. Que podem durar vários minutos a serem ditas. Que são proferidas lentamente, numa voz calma, em volume baixo, quase sussurrado. Depois, nessa sua hipnoterapia, poderá começar a ouvir a voz do seu psicólogo hipnoterapeuta a mudar para um tom mais vivo, menos lento:

A hipnose traz uma sensação de bem-estar…

—  E essas sensações… podem emergir consigo… começando agora, abrindo os olhos, sentindo energia, começando a mexer-se, sorrindo, sentindo-se bem.

Ao ouvir estas palavras, muito provavelmente, terão passado vários minutos, mas até poderá não ter dado pelo tempo passar e poderá sentir-se uma pessoa muito bem-disposta.

De facto, a hipnose traz uma boa sensação de bem-estar a quem passou por ela. É, pois, natural, que se sinta bem. E essa sensação vai perdurar mesmo depois da consulta.

Numa hipnoterapia, podem, no entanto, serem aplicadas outras induções hipnóticas. Pode, por exemplo, o seu hipnoterapeuta ir apenas olhando para si…

O hipnoterapeuta vai olhando para você e …

Vai olhando para si e pode dizer-lhe o seguinte:

— Não se importa que eu observe um pouco do que está a acontecer consigo neste momento? Sim? Então, reparo que o foco da sua atenção está em mim…. Reparo que a sua cabeça vai abanando suavemente… Que os seus braços estão confortavelmente apoiados… E assim até talvez possa sentir como a cadeira suporta o seu peso…

Você pode também ouvir isto:

— À medida que nós vamos estando aqui, talvez possa notar a forma como todo o seu corpo está suportado na cadeira…,  talvez até possa notar como o seu pé esquerdo se encontra em contacto com o chão…, talvez até possa notar a qualidade do repouso da suas costas no encosto da cadeira… até talvez se possa dar conta que isso é capaz de o ajudar a absorver-se nas sensações neste estado de hipnose…

Ou ainda isto, sempre numa voz agradável de ouvir, calma, cantante, pausada, serena:

— Talvez até você se possa aperceber do som que vem da rua ou de outros sons neste edifício…, talvez até você se possa aperceber de uma certa tonalidade da minha voz…, talvez até você se possa aperceber de outros sons, do ar condicionado, por exemplo…E talvez isso o faça perceber como tudo isto o vai absorvendo ainda mais na sua experiência dentro de si…

Provavelmente você já está hipnotizado, mas só se sente relaxado…

Ora, é natural que você aqui já esteja hipnotizado. Pode achar que está apenas calmo, mas você está, de facto, em transe hipnótico. Pode ser um transe leve, mas está hipnotizado. É o que diria um aparelho eletrónico, que cada vez os há mais desenvolvidos, que verificasse as suas ondas cerebrais naquele momento.

Ou seja, em hipnoterapia, o psicólogo poder ir reparando em coisa banais, para ir introduzindo algumas sugestões, ao princípio também banais….

Pode, pois, em hipnoterapia ouvir o psicólogo a dizer-lhe isto:

— E, à medida que isso vai acontecendo, vejo que está mais encostado à sua cadeira, que vai estando mais confortável…, que continua atento ao que eu estou a dizer… E, à medida que isso acontece, até pode estar mais aberto às aprendizagens que poderão acontecer dentro de si…

Portanto, o que é certo é que, embora não parecendo isto nada de especial, está a acontecer uma indução hipnótica que é usada em hipnoterapia, designadamente pelos hipnotistas ericksonianos “truístas”.

Podemos ser hipnotizados a ouvir uma história…

Com efeito, as induções hipnóticas podem acontecer por vários métodos. Podem ser feitas com os tais truísmos (do inglê “true”) , com as tais “verdades banais” cujos exemplos vimos atrás. Mas também com histórias.

Pode, pois, ouvir o seu hipnoterapeuta a contar-lhe uma história. Por exemplo, uma história deste género:

— Eu tenho andado aqui a pensar em si… Ainda ontem, ao pensar em si, tão absorvido fiquei nos meus pensamentos que até parece que comecei a entrar na minha própria hipnose…

Poderá começar, realmente assim a história…. Poderá, depois, ouvir mais…

— A certa altura percebi uma coisa… Por exemplo, quando eu comecei a aprender hipnose eu sabia a teoria toda. Sabia que na hipnose não se perde o controlo, que ninguém controla ninguém. Eu sabia que nenhum hipnotizador consegue fazer tudo o que quer à outra pessoa…

A história pode ser mais curta ou mais longa…

Você continua a ouvir a história… Repare que esta poderá ser usada para que a pessoa perca um eventual medo em relação à hipnose…

— Mas eu também estava num conflito… Porque uma parte de mim achava que eu poderia seguir todas as instruções ou sugestões que o hipnoterapeuta me desse…. Realmente eu tinha aprendido que qualquer pessoa era capaz de controlar… O meu mestre que me ensinou hipnose dizia-me isto e eu tinha confiança nele. Eu achava que podia acreditar na palavra dele…

— Só que uma outra parte de mim duvidava. Portanto, eu estava inseguro…E dentro das colegas que eu tive no meu curso de Hipnose, havia uma psicóloga muito carinhosa… Tinha uma voz de qualidade quase aveludada…, securizante…, protetora…,

Neste momento a história está a ser contada com uma voz neste registo. Você ouve uma voz bem colocada, macia, num tom tranquilo e sereno…

— A minha colega era, realmente, muito permissiva, dizia-me coisas como “Senta-te…, o mais confortável possível…, podes deixar aí as tuas pernas ao longo…, e as tuas mãos podem estar sob as tuas pernas…, e se tiveres mais conforto podes cruzá-las…, eu não sei se como é que te sentes mais confortável…, mas eu tenho a certeza que tu podes arranjar a melhor posição…”

Uma história em que o hipnoterapeuta é o protagonista, ou talvez não…

Ou seja, o seu hipnoterapeuta pode começar a contar uma história como se fosse a dele. Mas você, naturalmente, poderá deixar-se ir nessa história…. Poderá começar a seguir aquelas palavras como se lhe fossem dirigidas a si… Numa hipnoterapia, pode, pois, continuar a ouvir o seu hipnoterapeuta a desenvolver uma história…

Ele pode, pois, continuar a narrar a história. Você só tem que continuar a ouvir…

—  E eu começava a ajeitar-me na cadeira…, a movimentar os meus braços, começava a entrar no meu próprio conforto…, e ela dizia-me assim “Vai respirando, respira, tu, naturalmente, sabes respirar, porque todos nós sabemos respirar” E eu dizia-lhe “Ok!” E ia respirando, até porque era uma coisa que eu, realmente, sabia fazer naturalmente…

Você continua a ouvir, agora, provavelmente, respirando naturalmente…

—  A minha colega de curso continuava a falar comigo… “Eu não sei se te sentes mais confortável a fixar um ponto à tua escolha…, eu não sei se te sentes mais confortável a prestares atenção à minha voz…, eu não sei se te sentes mais confortável a perceberes como é que a cadeira suporta o peso do teu corpo… Eu não sei o que tu preferes, mas a escolha que tu fizeres vai permitir que tu te consigas absorver cada vez um pouco mais… e mais…, e mais em ti…”

Uma hipnoterapia com um volume de voz baixo…

É natural que neste ponto da história o seu hipnoterapeuta comece a baixar ainda mais o volume da sua voz…, com uma cadência cada vez mais lenta…

— E eu ouvia o que ela estava a dizer…. E, na altura, eu escolhi a cadeira…, e percebi o quão o meu corpo se apoiava na cadeira…, e eu respirava fundo….

Aqui é natural que nesta fase da hipnoterapia ouça o seu psicólogo a respirar, ele próprio, de uma maneira profunda. Mas você só precisa de continuar a ouvir a história…

—  E a dada altura, enquanto ela continuava a falar comigo, eu percebia o quão as sensações que eu estava a sentir me podiam fazer com que eu me centrasse mais em mim…, como que houvesse aqui um objetivo de centrar–me no meu corpo… E, à medida que ela me dizia essas coisas, parecia que, naturalmente, eu começava a respirar mais calmamente… e os meus olhos começavam a piscar…, a piscar… mais e mais…

É natural que aqui chegados você esteja a respirar cada vez mais calmamente, e os seus olhos até podem, de facto, começar a “tremelicar”. Enfim, depende de pessoa para pessoa….

O transe hipnótico vai sendo aprofundado…

Só precisa, no entanto, de continuar a ouvir a história:

— Eu cheguei, então, a uma altura em que tomei uma decisão… Pensei cá para mim…, neste momento as sensações que eu estou a sentir estão a ser tão agradáveis que eu simplesmente escolho manter os meus olhos fechados, permitindo-me embalar nelas, embalar-me  na forma como o meu corpo se sentia naquela cadeira…

Ou seja, você ouviu a história e meteu-se na pele do protagonista… E, naturalmente, acabou por entrar em transe hipnótico… Sim, neste momento, em princípio, você já estará hipnotizado…

Mas o hipnoterapeuta pode aprofundar ainda mais esse seu estado. Pode, pois, continuar a falar consigo deste modo:

— Portanto, a dada altura, continuando com os olhos fechados, deixei-me ir, ao meu próprio ritmo, entrando na minha própria realidade… E, à medida que eu ia entrando mais e mais no meu interior, as imagens que tinha misturavam-se harmonicamente nos sons que eu pudesse estar a ouvir…, e essa mistura harmónica ia fazendo com que as minhas sensações fossem aumentando…, e até a forma como o meu corpo contactava a cadeira, e como os meus pés estavam suportados pelo chão, tornava a mistura das minhas sensações ainda mais deliciosa…

Os ericksonianos dizem que o hipnoterapeuta tem de mostrar à pessoa que entrou em hipnose. Portanto, poderá ouvir o seguinte…

— E eu aí começava a descobrir o que era entrar em hipnose, ao meu próprio ritmo, ao ritmo do meu próprio conforto, no meu estado de hipnose…

As história hipnóticas sucedem-se…

O seu hipnoterapeuta poderá começar-lhe a introduzir aspetos mais ligados à psicoterapia propriamente dita. De facto a hipnose é apenas um meio, não é um fim… Poderá, pois, ouvir…

— E, por essa altura, deixei fluir na minha mente alguns pensamentos mais pesados, outros mais leves… Deixei aparecer questões do tipo “Será que eu um dia vou conseguir fazer isto, será que vou conseguir alcançar?…”  E, neste estado de hipnose, a minha mente viajou, para além do espaço e do tempo…

Em hipnoterapia podemos começar a ouvir histórias dentro de histórias. Só tem, pois, que continuar a ouvir…

— E aí eu encontrei uma pessoa que um dia me tinha vindo pedir ajuda. Essa pessoa tinha pensamentos que não o largavam, que o faziam sentir deprimido, ansioso, manietado… Não sei bem qual o nome que ele dava ao seu sofrimento, às suas dificuldades… Mas essa pessoa veio à minha procura pedir-me ajuda “Senhor doutor, o que é que eu posso fazer? Como é que me pode ajudar?”.  Ora, eu, na altura, estava com uma sensação em mim, uma sensação de calor, de confiança, e aí eu comecei a falar com ele e o mais extraordinário foi que, naquela altura, lembrava-me como se fosse hoje, ele começa a agir de uma forma diferente…, ele começa a absorver as minhas palavras e a cada inspiração ele ainda absorvia mais e mais as minhas palavras… E, a dada altura, eu comecei a contar-lhe uma história…

“Era uma vez um velho marinheiro…”

Portanto em hipnoterapia, você pode ouvir muitas histórias. O seu hipnoterapeuta pode começar a contar-lhe outra história. Esta é outra história possível… Permita-se, pois, continuar a ouvir…

— Era uma vez um pescador. Era um homem oriundo de famílias honestas. Era um trabalhador que vivia daquilo que colhia. Era um homem que tinha uma embarcação modesta.  Era um barco modesto tal como ele… Era uma embarcação que lhe servia para ele pescar o seu próprio peixe. Era, realmente, com aquilo que ele nutria a sua própria família…

Permita-se continuar a ouvir, embalado pela vioz calma do seu psicólogo especialista em hipnoterapia…

— Um dia, tal como todos nos outros dias, esse velho pescador fez-se ao mar… E tal como em todos os outros momentos, o seu intuito era pescar, conseguir comida para a sua família, conseguir providenciar o suporte para os seus filhos… E, com eles na sua mente e no seu coração, ele partiu para o alto mar e começou a lançar as suas redes …

Só tem que continuar no seu estado de relaxamento. Relaxamento ou transe hipnótico, como lhe quiser chamar… Continue a ouvir…

— Mas parecia que os deuses não estavam com o velho pescador… As sensações de paz associadas a um mar calmo, de repente alteraram-se…  O mar deixou de estar calmo e as ondas começaram a formar-se… A dada altura eram ondas enormes, de 2 e 3 metros, que começavam a surgir no horizonte…

Continue focado…

— E o marinheiro olhou e pensou “Isto pode ser um problema!”, e passou-lhe pela cabeça a ideia “Volto para trás, desisto?” Mas também lhe passou “Ou tento? Eu vou talvez conseguir!…”  E aquilo que mais pesou na decisão do velho pescador foi a sua família…. Ele queria continuar a oferecer-lhes tudo aquilo que seria bom para eles…

Continue, pois, a ouvir a história do velho marinheiro…

Continue a ouvir, porque você pode ficar com esta história no seu subconsciente e extrair dela “lições” para as suas dificuldades…

— E então esse pescador olhou para as ondas que estavam cada vez mais perto e disse para si próprio: “Houve uma altura em que eu tinha medo de vocês porque eu era novo e ainda estava a aprender a conviver convosco, mas o tempo passou e eu aprendi a lidar convosco, o tempo tornou-me experiente e confiante em mim próprio…, vocês já não me assustam…, vocês, ondas, já são minhas amigas….”

Continue focado na história… Você está a fazer hipnoterapia…

— E, num ato de autêntica bravura, agarrou nas redes e nos seu apetrechos…, e esse velho marinheiro começou a navegar entre as ondas e, a cada nó em que aumentava a velocidade da sua embarcação, ele ficava cada vez mais seguro de que as suas amigas ondas o estavam a ajudar ainda mais… O peixe era abundante, ele pescava cada vez mais peixe…

Continue relaxado, de olhos fechados, a ouvir o final da história…

— E tal como em todas as tormentas e em todas as tempestades, depois veio a bonança, o tempo acalmou…, e o velho marinheiro recolheu o fruto do seu trabalho, com a rede repleta de peixes, e retornou à sua casa feliz, contente, orgulhoso porque tinha conseguido dar à sua família o que ele se propôs dar-lhe… E ele sabia que, sempre que fosse preciso fazê-lo novamente, ele iria conseguir…

Em hipnoterapia absorvem-se histórias…

Portanto, o seu subconciente terá absorvido a mensagem que o hipnoterapeuta lhe passou ao contar-lhe aquela história simples, mas carregado de significado e simbolismo… E em hipnoterapia não se fica apenas pela contagem da história. Pode, portanto, continuar a ouvir o seu hipnoterapeuta a dizer-lhe isto:

— E a pessoa que me procurou absorveu toda esta história… E o incrível é que, enquanto ele absorvia esta história, eu conseguia olhar para o corpo dele… E percebi que o seu corpo ainda se erguia mais na cadeira… havia ali uma postura de confiança que começava a crescer nele… e isso também me deixava feliz…

Ou seja, o seu psicoterapeuta pode vê-lo a si a erguer-se na cadeira, à sua frente…. Pode ver uma postura mais confiante, ainda que o veja apenas a continuar de olhos fechados….

Portanto, é só continuar a ouvir, mas talvez nesta altura o psicólogo hipnoterapeuta já esteja a falar mais alto e mais rapidamente para si:

— Eu, realmente, percebi que havia ali mais confiança a crescer nessa pessoa, e isso deixava-me feliz por ver que estava a aprender…, que podia controlar tudo aquilo que se passava com ele…, com mestria, com tranquilidade, não temendo o que aí vinha, mas sim abraçando, de uma forma saudável, os desafios….

Os recursos estão dentro de nós… A hipnoterapia lembra-nos isso…

—E no final, ele abriu os olhos e disse-me obrigado, mas eu perguntei-lhe porquê…, e ele disse-me “Obrigado, porque tu mudaste-me a minha vida!” …  E eu sorri, olhei para ele e disse-lhe “Não, meu caro amigo, tudo aquilo que atingiste foste tu que conseguiste…, todos os recursos que conseguiste ao longo da tua vida, todas as tuas aprendizagens que fizeste estão dentro de ti…, eu simplesmente te lembrei disso, te lembrei de te lembrares, lembrando-te, para assim poderes perceber que todas as aprendizagens que agora possas fazer já vão ser mais fáceis, porque a base já tu tens…

— E eu não sei se ele acreditou em mim ou não… Até hoje penso sobre isso… Mas eu sei que a mente inconsciente dele retirou as palavras que desejou retirar de tudo aquilo que eu disse…

De facto, é essa a grande mais valia da hipnose…. Continue, pois, a ouvir…

— E, de súbito, quando me dei conta, a minha mente voltou para um tempo e um espaço muito familiar…. Voltou para aquela cadeira de uma determinada sala onde estava a minha colega… E, quando me apercebi que a minha mente estava a retornar, comecei até a sentir o meu corpo um bocadinho mais ativo…Percebi que algo na minha mente estava a mudar… e isso fez-me sentir bem… bem comigo próprio… e quando eu achei que isso era suficiente, simplesmente permiti-me que a minha respiração voltasse ao normal… que adotasse uma posição cómoda na cadeira e aos poucos e poucos eu senti que a luz da sala ia entrando e, de modo que a luz não me ferisse, os meus olhos iam-se abrindo aos poucos e poucos…,

A história aplica-se a você…

Repare, realmente, que o hipnoterapeuta está a continuar a história, mas aquilo aplica-se a si…. Continue a ouvir…

— Para que eu me sentisse confortável com a luz …, sem grande esforço os meus olhos iam-se abrindo… E, quando finalmente os meus olhos abriram, eu olhei para a minha colega e vi que ela tinha um enorme sorriso nos lábios…  E eu, na altura, agradeci-lhe a viagem… E ela, a sorrir de uma forma carinhosa, disse-me “A viagem foi tua! Eu só te acompanhei!…” E depois eu saí daquela sala naquele dia, e pensei “Ok, vou levar esta experiência comigo, dentro de mim, vou trabalhar nela e vou seguir aquilo que eu mais pretendo…

Ou seja, aqui o hipnoterapeuta está a dar a oportunidade de você continuar a trabalhar na superação daquilo que mais lhe diz respeito… E o seu hipnoterapeuta pode terminar assim a indução hipnótica que lhe aplicou…

— E pronto, esta é a minha história…. Realmente, eu ontem estive a pensar em pensar em si e decidi apenas partilhar esta história consigo. Claro que é a minha história, mas você pode retirar algum significado dela. E eu só quero agradecer-lhe por ter tirado um pouco do seu tempo e por me ter escutado…

Quer ser hipnotizado? Força, é muito agradável!

Há , para além dos aqui apresentados, outros métodos de você ser hipnotizado – em breve faremos mais um artigo sobre os diferentes modos de hipnotizar… Mas, como pode já constatar, pode ser muito agradável ser hipnotizado.

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NOTA: Este texto inspirou-se em inducões hipnóticas, algumas das quais inéditas, realizadas pelo Dr. Pedro Ribeiro, especialista em Hipnose clássica e ericksoniana, no âmbito de uma formação de hipnose vivencial realizada pela Mindfull.

 

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