Acha que é saudável? Mas sabe o que é a Saúde Positiva?

Costuma-se ouvir muita vez alguém dizer “O que é preciso é que haja saúde!” Mas de que saúde é que se está a falar? De ausência de doença? De facto, há uma nova abordagem, com origem na Psicologia Positiva.  Refere que sermos saudáveis vai para além de não termos doenças: é a Saúde Positiva!

Refere que, realmente, temos é que estar felizes, gostarmos de viver, sermos autoconfiantes, vivermos com serenidade e paz de espírito. E tudo isto sem nos sentirmos culpados, saboreando os mais ínfimos pormenores da vida, sem correrias, sem pressas, com atenção ao nosso semelhante… Isso sim, é ser genuinamente saudável.

Promover os nossos pontos fortes para uma Saúde Positiva

Para esta abordagem, sermos saudáveis é, pois, sermos felizes, gostarmos de nós, dos outros, do que fazemos. Termos saúde é termos, enfim, um bem-estar harmonioso dentro de nós e na relação com os outros. Ora, segundo a Saúde Positiva, toda a gente tem recursos que pode ativar no sentido de ter uma vida feliz que leve a mais saúde. Esses recursos são os pontos fortes que todas as pessoas têm. E o que é preciso é descobri-los, identificá-los. Depois é colocá-los ao serviço de uma vida mais saudável e, consequentemente, mais longa.

Pode-se achar, então, que a Saúde Positiva será “apenas” uma maior aposta nos cuidados de prevenção da saúde, mais do que a aposta no sistema de tratamento de doenças. Mas, de facto, não será só isso… A Saúde Positiva é, com efeito, uma abordagem que procura promover os pontos fortes das pessoas. Inclui objetivo de uma vida de melhor qualidade. E isso, naturalmente, irá reduzir o risco de aparecimento de doenças.

Ou seja, uma pessoa com elevados níveis de ansiedade terá mais propensão em contrair doenças graves. Portanto, a Saúde Positiva deve trabalhar no sentido desta pessoa encontrar maneiras de viver com mais serenidade. É, pois, mais do que tratar a futura doença que irá certamente acabar por aparecer. Portanto a Saúde Positiva trabalha no sentido de se identificarem as tais forças poderosas que a pessoa tem em si. Isso para que tenha uma maior longevidade, com menos doenças, e melhores prognósticos sempre que as doenças atacam.

Para a Saúde Positiva não basta tratar a doença

De facto, o campo da saúde tradicional ocupa-se sobretudo do tratamento das pessoas com problemas de saúde negativos. Para ela, o seu objetivo é levar os doentes com saúde negativa a um estado de saúde neutra. O problema estará, pois, na reificação da doença, transformando-a numa coisa. Há, pois, uma certa desumanização, em que o que é importante é a doença e não quem está doente… Ora, para a Saúde Positiva não basta tratar a doença. De facto, ser saudável é mais do que não ter doença. Assim, o centro de toda a atenção deve ser a pessoa, mais do que a própria doença.

Na verdade, ser saudável é mais do que possuir saúde neutra. Por isso, para a Saúde Positiva, há que trabalhar no sentido de levar as pessoas a florescerem, a prosperarem. E isto é que vai proteger as pessoas contra as doenças. De facto, as pessoas que têm um projeto de vida harmonioso, original, em direção ao bem-estar, são acometidos de menos doenças. E vivem mais tempo.

Em suma, Saúde Positiva não é apenas a ausência de doença. É sobretudo a presença de bem-estar físico, social e emocional. E, portanto, a ameaça para a nossa saúde não vem apenas do exterior, de bactérias, de vírus, de micróbios… De facto, a maior parte das vezes, vem do nosso interior, dos nossos pensamentos negativos. Vem do nosso comportamento, do nosso estilo de vida, de vícios, por exemplo, que, estes sim, podem ser a grande causa das nossas doenças físicas.

Forças biológicas, subjetivas e funcionais

Portanto, mais uma vez, a Saúde Positiva parece ser um conceito igual ao da Prevenção em Saúde. Mas não é apenas isso, porque aqui entra também a Psicologia Positiva. De facto, a Saúde Positiva tem em conta as forças que as pessoas têm em si. Mas não são apenas as forças biológicas, são também as forças subjetivas e funcionais.

As forças biológicas já são por nós bem conhecidas. Fazem, com efeito, parte da nossa constituição biológica e podem ser medidas objetivamente através de exames médicos. É o caso de caraterísticas que têm a ver com a tendência, por exemplo, para uma tensão arterial alta ou baixa. É o caso da tendência para um alto ou baixo índice de massa corporal.

As forças subjetivas têm a ver como é que a pessoa se vê a si própria, com as características da sua personalidade. Ou seja, se é uma pessoa propensa a estados psicológicos positivos, em que há satisfação com a vida, otimismo, significado e propósito para a vida.

Já as forças funcionais têm a ver com a capacidade de uma pessoa se relacionar com o ambiente que a cerca. Mas também tem a ver com ter amigos próximos, de interagir no seio da sua família, de manter um casamento, ou um relacionamento, estável. Tem a ver com levar a cabo muitas várias tarefas diárias, mas sem ficar esgotado.

Saúde Tradicional versus saúde Positiva

Com efeito, há cada vez mais estudos realizados no campo da Psicologia Positiva e da Saúde Positiva. Estes apontam para o facto dos recursos que as pessoas têm, tal como vitalidade emocional, relacionamentos interpessoais, terem um grande efeito no não aparecimento de doenças cardiovasculares ou outras.

Poder-se-á dizer que a medicina tradicional também se ocupa disto tudo. Mas será que sim? De facto, havendo exceções, naturalmente, nas práticas médicas, a maior parte das vezes não há. Com efeito, não há uma preocupação estratégica com os tais fatores biológicos, subjetivos e funcionais. Não há uma preocupação no sentido de levar, realmente, a pessoa a criar uma saúde mais forte em si. Tudo para que leve a uma vida com mais qualidade e mais longa.

Muitos estudos apontam, de facto, para a necessidade de se terem em conta os fatores de saúde positivos das pessoas. Há vários exemplos, tais como o otimismo, a satisfação conjugal, a prática de exercício, de meditação… Portanto a tónica deverá ser cada vez mais apostar-se em programas que levem as pessoas a identificar as suas forças que levam a uma vida mais saudável e mais longa. Ou seja, algo que nos leve a percebermos quais as forças que possuímos e aquelas que podemos desenvolver.

Tudo isso em prol de melhorarmos o nosso desempenho em termos de uma vida com mais qualidade e mais longa. Porque a nossa atitude vai, na verdade, contar muito. Vai conta, nomeadamente, em relação a recusarmos o nosso envolvimento com comportamentos ou situações, das quais já falámos atrás, que só nos prejudicam.

Podemos desenvolver aprendizagens para uma Saúde Positiva

De facto, podemos aprender, treinar, melhorar…. Podemos aprender a não nos sentirmos culpados, podemos treinar a defender as nossas ações e os nossos pontos de vista. Podemos melhorar a nossa assertividade na partilha de opiniões, em discussões construtivas…

Assim, podemos começar a olhar para nós como agentes, defensores e promotores da nossa própria saúde. Porque para termos saúde, temos, de facto, de nos sentirmos bem. Temos de pensar naquilo que nos faz felizes, que pode ser, voltamos a referir, estarmos com amigos. Mas também podemos, por vezes, preferirmos estar sozinhos. Podemos, por exemplo, meditarmos, praticarmos desporto ou, simplesmente, estarmos num jardim a ler um livro, ou um jornal… Só temos é que fazer por levarmos mesmo tudo isso à prática…

A Saúde Positiva assenta nos pressupostos da Psicologia Positiva, de Martin Seligman, o fundador desta corrente da psicologia. Este autor mostra-o tudo isto nos seus livros “Felicidade Autêntica” e “Aprendendo o otimismo”. Mas não se espere encontrar neles grandes elucubrações sobre estes assuntos. Espere-se sim encontrar coisas simples. Essas coisas podem ser: a alegria contagia, as boas ações provocam boas ações, um comportamento otimista leva a pessoa a florescer na vida…

Otimismo e pessimismo são inatos, mas…

São, de facto, coisas simples, que parecem até ser apenas dicas de livros de autoajuda. Mas, com efeito, foram validadas por estudos científicos rigorosos. Ora, estes estudos apontam para alguns exemplos. Esses exemplos têm a ver com a questão do otimismo e do pessimismo ser inata. Têm a ver com o facto de cerca de metade das pessoas em todo o mundo nascerem otimistas e as outras nascerem pessimistas.

Mas as pessoas que nascem com uma predisposição mais pessimista podem aprender a ser felizes, a ser mais otimistas… Porque, na verdade, a sua felicidade está dependente dos eventos que poderão ir acontecendo ao longo da vida em apenas 10%. De facto, a felicidade está dependente de fatores genéticos em 50 %. Esta dependente de nós mesmos em 40%. E dependente dos eventos externos em apenas 10 %.

Portanto, temos então que trabalhar as tais forças que estão em nós. Essas forças são os nossos recursos, as nossas aptidões, para aumentarmos a nossa saúde positiva, a nossa felicidade. Uma das coisas, por exemplo, é encontrarmos a possibilidade de trabalharmos com prazer, de arranjarmos maneira de nem percebermos que estamos a trabalhar, mas sim a divertir-nos. A Psicologia Positiva chama a isso o fluir… O otimista trabalha, portanto, com gosto, arranja um modo de gostar de determinada coisa que tem de fazer,  seja ela qual for. Pode ser, realmente, qualquer coisa. O otimista não acha que tem que, obrigatoriamente, trabalhar no que mais deseja, se isso não for possível…

Os otimistas têm mais Saúde Positiva

O otimista não acredita só na sorte. Tem, digamos assim, um otimismo realista. Sabe, por exemplo, que deve fazer uma alimentação saudável, que o álcool em excesso lhe faz mal. Sabe que deve ler, estudar, cultivar-se, ter bons hábitos de higiene, fazer exercício, dormir bem…

O otimista sabe aceitar a sua humanidade, as suas emoções menos prazerosas Sabe que, muitas vezes, tem de aceitar a sua ansiedade, os seus erros, os seus fracassos, os seus receios e os seus medos. Sabe que tudo isso faz parte da vida. De facto, os estudos científicos da Psicologia Positiva referem que os otimistas vivem, em média, mais oito anos que os pessimistas. Referem, também, que têm relacionamentos mais duradouros e que se envolvem mais no trabalho.

Enfim, os otimistas são pessoas que, olhando para um copo meio cheio ou meio vazio, não se detêm muito a pensar nisso. Não pensam se ele está mais para o cheio ou mais para o vazio. De facto, são pessoas que acham apenas que o podem encher se trabalharem nesse sentido…

Os otimistas são também pessoas que consideram que não chega ter sucessos para se chegar à felicidade. Porque, acham eles, pode-se ter muito dinheiro, pode-se ter um lugar de promoção alto no trabalho, pode-se ter muita coisa… Mas isso não chega se não se tiverem, por exemplo, bons relacionamentos interpessoais.

É a felicidade que leva ao sucesso, e não o contrário…

Portanto, não é o sucesso que leva à felicidade, mas sim a felicidade que leva ao sucesso. Porque, de facto, com felicidade somos mais motivados e mais inteligentes.

E para sermos felizes o que precisamos de fazer também é exercer a gratidão. E, igualmente, aprendermos a ser resilientes, a termos uma atitude mais positiva face aos eventos externos… Assim, tudo isso vai melhorar o ambiente que nos rodeia. Vai, por exemplo, ajudar a que não surjam tantas doenças, ou ajudar ao seu combate. Porque, de facto, para a Psicologia Positiva, se pensarmos, por exemplo, na prosperidade, esta vai ter mais hipóteses de acontecer. Para tal, só nos devemos, pois, focar naquilo que funciona. E podemos manter um diário da gratidão, sempre focado em coisas boas, positivas, gratificantes.

Mas as coisas boas também podem surgir de adversidades. Para a Psicologia Positiva, de facto, é natural que passemos por adversidades. Só que podemos encontrar boas oportunidades nesses acontecimentos adversos, descobrir novos caminhos, ver portas abertas, ver janelas de oportunidade … Ou seja, até podemos ter um crescimento pós-traumático, porque “o que não mata engorda”. Na verdade, pode-nos dar fortalecimento, dar-nos novas visões, inovação, novas redes…

Aprender sem pressas o caminho da felicidade…

E quanto ao ritmo do nosso crescimento e desenvolvimento? De facto, podemos aprender devagar, em pequenos passos, não temos que fazer tudo de uma só assentada. Por exemplo, o nosso investimento social, ou seja, a nossa criação de redes de apoio, envolvendo outas pessoas, pode ser feito paulatinamente… O que interessa é que o façamos. Porque de facto ficamos mais felizes quando nos empenhamos socialmente, quando temos relacionamentos saudáveis.

Portanto, em suma, tudo isto pode ser treinado. Podemos, realmente, aprender a apreciar as pequenas coisas. Essas pequenas coisas podem ser um dia a amanhecer ou uma flor a desabrochar. Também pode ser uma refeição simples à luz da vela. Enfim não temos apenas que nos lastimar, podemos, pois, centrar-nos numa visão mais positiva em relação à vida. E isso é tudo em prol da nossa saúde. Não é apenas em prol da ausência de doença, não apenas para uma saúde neutra. É, sobretudo, em prol de uma Saúde Positiva!

Saiba mais aqui, fale connosco, sobre a sua felicidade, sobre a sua saúde…

 

 

 

 

 

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