Para a mudança, pratiquemos a aceitação!

Muitas pessoas sofrem, lutando constantemente contra coisas que não podem alterar.  Têm dificuldade em praticar a aceitação. Ora há situações que não podemos mesmo modificar. Aconteceram no passado, pelo que já não podemos ir lá para mudar a situação.

Mas nós podemos mudar a forma como reagimos às memórias perturbadoras do passado. Para isso, o que temos de fazer é focarmo-nos na solução, não no problema, ou até talvez nem sequer na solução. A questão da aceitação tem muitas abordagens em psicoterapia.

Para a não resignação, aceitemos o que não é possível mudar

Falaremos no EMDR mais em baixo, uma psicoterapia na qual se trabalha muito a questão da aceitação…

Há pessoas que, realmente, se focam no problema, falando das suas mágoas, do seu sofrimento, da sua doença. Umas até nunca saem disso, não chegando jamais a uma solução. Outras, só passado muito tempo é que conseguem focar-se na solução. Também há psicoterapias que se focam durante muito tempo no problema. E só depois de muitas sessões mais tarde é que poderá vir a solução.

Como já o referimos, iremos falar, mais à frente, do EMDR. É uma abordagem psicoterapêutica breve e focal. Uma abordagem que, de facto, se ocupa logo da solução, praticamente a partir do momento em que a pessoa entra no consultório do psicólogo.

Há, realmente, situações que perturbam muito a nossa vida. E até precisamos da ajuda de um profissional especializado. Mas também sabemos que nem todas as nossas dificuldades são motivo para se consultar um psicoterapeuta ou um psicólogo.

Praticar a autoaceitação

Há pessoas que se concentrarm mais na solução do que no problema. Realmente poderemos refletir sobre como é que podemos mudar algo que está mal nas nossas vidas. Ora, a primeira coisa que teremos de fazer é aceitar aquilo que não se pode mudar. E a isto podemos chamar “praticar a autoaceitação”.

Ora, a autoaceitação tem a ver, em primeiro lugar, com o uso que fazemos das palavras – a PNL aprofunda bem esta questão. De facto, as palavras geram pensamentos. E conforme as palavras que usamos, os pensamentos associados podem ser negativos ou positivos. Conforme a sua natureza, levam a emoções positivas ou negativas, a sentimentos positivos ou negativos.

Não está ao nosso alcance modificar a situação

Por sua vez, estes sentimentos levam a comportamentos e estes vão-se traduzir em resultados. Como exemplo, podemos analisar o que pode acontecer quando, por exemplo, um comboio não chega a horas. Podemos dizer “Que chatice! Malvados!…” Mas podemos dizer que não está ao nosso alcance modificar a situação. E, portanto, pensarmos que, face a isso, não podemos fazer nada e ficar relaxados.

Ora, esse relaxamento vai permitir-nos termos um comportamento educado e não maltratar, por exemplo, os funcionários da estação. E este nosso comportamento vai trazer-nos bons resultados. Porque, se calhar, com a nossa atitude, até ficamos a conhecer algumas pessoas interessantes. Ou seja, uma coisa que até parecia má no início, poderá acabar por trazer muita coisa boa.

Temos o poder de mudar o nosso comportamento

Portanto, se há uma coisa que nós podemos controlar é o nosso comportamento. Para tal, temos, pois, que exercer controlo sobre os nossos pensamentos e sobre as nossas emoções. Mas tudo começa na aceitação das coisas que não estão ao nosso alcance mudarmos.

E é essa aceitação que leva à nossa mudança transformativa. Portanto, temos que começar por aceitar tudo aquilo que não podemos mudar. De facto, tudo aquilo que não ocorre dentro do nosso alcance está fora do nosso domínio. Tudo o que ocorreu fora do nosso controlo não esteve ao nosso alcance modificá-lo. Tudo o que poderá vir a ocorrer fora do âmbito da nossa responsabilidade, ocorrerá simplesmente….

Há o caso das pessoas que foram violentadas sexualmente, das pessoas que sofreram acidentes de trabalho graves. Há pessoas que foram vítimas de incêndios, de inundações, de cataclismos, de assalto, de rapto, etc. Há também há o caso de situações que não pudemos evitar por qualquer motivo.

Até poderíamos ter agido de uma forma mais cautelosa. Mas, então, para quê culparmo-nos? Aconteceu daquele modo e já não o podemos mudar. Portanto só temos que aceitar o que está no passado. Porque, realmente, não temos o poder de lá voltar para retificar o “mal”…

Não adianta lamentarmo-nos

Aceitemos, então, o facto de que já não podemos mudar o que passou. E concentremo-nos naquilo que podemos mudar para a frente. E, para isso, não temos que enterrar totalmente o passado, devemos poder lá voltar. Podemos lá ir para identificar as situações que ainda hoje nos perturbam. Mas não temos que ocupar muito do nosso tempo a falar, de maneira obsessiva dos nossos problemas – este será o grande entrave das psicoterapias mais longas. De facto, tantas e tantas sessões a falar das dificuldades e não da sua solução…

Voltando, então, ao EMDR… De facto, não é essa a metodologia desta psicoterapia de 3ª geração. Também se fala dos problemas, mas o objetivo imediato é partir logo para a sua solução tanto no presente como em situações futuras. Já iremos falar mais adiante de como é que o EMDR funciona… Por agora, continuemos a deter-nos na questão da aceitação…

Realmente, a aceitação é um passo fundamental para mudarmos a nossa vida. Mudar no sentido de uma vida mais feliz, com um sentimento de segurança, de autoconfiança, de serenidade, sem culpas. Porque, de facto, como nós, pessoas com problemas, há milhões  de seres humanos que sofreram, ou sofrem. Sofrem de intensos dissabores e, portanto, não adianta lamentarmo-nos, culparmo-nos… Valerá a pena, sim,  praticarmos a aceitação. E com ela partirmos para uma nova etapa, na qual possamos, se estiver ao nosso alcance, aperfeiçoar os nossos desempenhos.

Muitas vezes, a pessoa não quer mudar

Mas, é claro que a mudança nem sempre é fácil de implementar. E há pessoas que têm situações tão problemáticas para as quais precisam, de facto, de uma ajuda externa. Mas o primeiro passo é consciencializar isso mesmo. Querer mudar, querer arranjar a solução para o problema e reconhecer que se precisa de ajuda…

Enfim, há muita gente a precisar de auxílio. Têm profunda tristeza, depressão, elevado sofrimento. E também há aqueles que “apenas” têm baixa autoestima, falta de autoconfiança. Aquelas que  têm sentimentos de insegurança e vulnerabilidade, falta de realização pessoal. Aquelas que não têm um sentido ou propósito para a vida, etc.

Só que, muitas vezes, a pessoa não quer mudar. Parece que até tem estimação pelo seu sofrimento. Parece que  defende a sua doença. Parece que isso até lhe traz a atenção dos outros. Parece, de facto, que não quer ser ajudada. Acha que não vale a pena. Acha que isso não é possível, que não há nada a fazer, que é o seu destino, que faz parte de si… E também há outros que dizem que querem ajuda. Mas, na prática, revelam que não querem mudar de verdade, pois não agem no sentido de uma mudança.

Há pessoas que não podem ser ajudadas

Ora, um psicoterapeuta também tem que exercer a aceitação ao perceber que não pode ajudar quem não reconhece que precisa de ajuda. Ou que não quer mesmo ser ajudado. Porque se, realmente, não houver, por parte da pessoa um reconhecimento das suas limitações, um empenhamento na mudança e no processo…. De facto, não haverá solução para o seu problema…  Ainda que um psicoterapeuta não deva exercer logo essa aceitação… Porque a pessoa pode estar no seu próprio ritmo, que pode ser lento no princípio… Mas que se pode transformar à medida que a relação de confiança com o psicólogo ganha mais força.

De qualquer modo, um psicoterapeuta deve estar consciente de que não pode ajudar todas as pessoas. E, portanto, tem que aceitar isso naturalmente.

O mesmo se passa com a questão de aceitarmos a violência, os desastres, as perdas de entes queridos. São acontecimentos que são horríveis… Mas em que só há duas hipóteses de escolha: ficarmos cada vez mais doentes, à medida qua a nossa vida avança, não aceitando… Ou permanecermos saudáveis psicologicamente, aceitando que não temos controlo sobre coisas hediondas… Porque há, realmente, coisas  terríveis que, a toda a hora, acontecem no mundo. E, atenção, não se trata de resignação… Trata-se, sim, de uma questão da aceitação daquilo que não está sob o nosso controlo mudar.

Falemos, então, agora do EMDR…

EMDR são as iniciais de Eye Movement Desensitization and Reprocessing. Que podemos traduzir para o português por Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares. É uma psicoterapia, como já referimos, de 3ª geração. É breve e focal, na qual se pretende que a pessoa seja o seu próprio psicoterapeuta.

É uma abordagem que não é apenas indicada para graves situações traumáticas. É também especialmente indicada para os problemas causados por situações de vida que “apenas” abalaram a nossa autoestima ou a nossa autoconfiança. Enfim, muitas vezes, podem ser consideradas como situações sem grande gravidade. Mas o que é certo é que introduzem uma carga ansiogénica e de angústia de tal modo elevada no nosso cérebro que nos podem dar cabo da nossa qualidade de vida.

Portanto, o EMDR não é indicado apenas para traumas ligados a experiências de guerra, catástrofes naturais. Não é indicada apenas para situações em que houve tortura, acidentes graves, assaltos, violações. É também indicado para “pequenas” humilhações que vão ocorrendo ao longo da nossa vida…

Pode ser traumatizante para uma pessoa e não o ser para outra

O EMDR é, de facto, indicado para quaisquer situações nas quais a carga emocional é muito exagerada. Enfim, tão exgerada, com tal nível de stress, que o cérebro não a consegue processar como deve ser. Sendo que vai precisar de uma ajuda suplementar . Vai precisar de uma ajuda para digerir toda a carga de informação emotiva que recebeu num dado instante, ou por vários momentos, ao longo da vida.

Ou seja, não interessa a severidade da situação desencadeadora, mas sim a emoção negativa com que é recebida pela pessoa. De facto, determinado episódio de vida pode ser muito traumatizante para uma pessoa e não o ser para outra. Para certa pessoa um acontecimento trágico pode-lhe causar uma perturbação de stress pós-traumático Para outra “apenas” stress e ainda para outra não causar perturbação praticamente nenhuma.

Portanto, há pessoas que ficam com ansiedade generalizada, com uma determinada fobia, com reações de pânico. Outras podem ficar mais obsessivas, depressivas ou então perderem o sono e o apetite…. Outras pessoas há, ainda, que, quando se verificam situações semelhantes ao trauma inicial, podem ficar sem autoconfiança, com medo, com a sua autoestima muito em baixo, com perturbações do foro alimentar, etc.

Ora, o EMDR é indicado para todas estas situações, sendo uma psicoterapia reconhecida a nível oficial pela sua alta eficácia.

EMDR é uma psicoterapia breve, focada na solução

Voltando à questão da aceitação do que não podemos controlar. Voltando à questão da importância de nos focalizarmos nas soluções e não nas dificuldades… É de sublinhar, ainda, que o EMDR é, com efeito, uma psicoterapia que também se foca no problema da pessoa. Mas só o faz para ir à raiz do problema, para encontrar a memória chave perturbadora. Porque o grande objetivo é que a pessoa se concentre na solução. Neste caso que se foque no reprocessamento das situações traumatizantes.

Muitas pessoas que já usufruíram do EMDR referem, frequentemente, que “até parece magia”. Realmente, a pessoa deixa de perceber a situação como traumatizante. A pessoa reformula as suas cognições e as suas crenças disfuncionais. E passa a exercer a aceitação. Percebe, pois, que não esteve ao alcance dela evitar que as coisas tivessem acontecido assim, daquela maneira.

E tudo acontece naturalmente, sem esforço por parte da pessoa. De facto, só tem apenas que se “deixar ir” no processo. E tudo leva a crer, assim o apontam os estudos neurológicos efetuados neste âmbito, que é o seu próprio cérebro que, rapidamente, se encarrega de reorganizar toda a informação. A tal informação que nunca chegou a estar devidamente processada.

Novas associações positivas

O EMDR não deixa, é certo, de levar a pessoa a fazer cadeias associativas relacionadas com o problema – centrando-se em pensamentos, imagens, emoções e sensações corporais negativas. Mas fá-lo para que a solução surja mediante a ocorrência de novas aprendizagens. E fá-lo através de novas associações positivas que vão sendo levadas a cabo pelos recursos armazenados em memória.

E serão, em princípio, como apontam os últimos estudos científicos nesta matéria, as técnicas de estimulação bilateral que o fazem. Serão pois os movimentos bilaterais, usadas no EMDR, que vão resolver o problema do processamento mal adaptativo de informação. Vão, pois, transformar a informação proveniente da situação traumática para a levar à sua devida assimilação.

E é isso que vai acabar com as memórias disfuncionais mal armazenadas e sem as devidas conexões associativas…

Saiba mais aqui sobre a psicoterapia EMDR…

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