Será que sofre mesmo de uma depressão?

Antes de mais, deixe-nos dizer-lhe que a PSICOVIAS não é apologista de rótulos em psicologia ou psicoterapia… Enfim, como a generalidade dos psicólogos não o será. De facto, há um Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais que até já vai na sua quinta edição….

É o DSM-5, editado pela American Psychiatric Association, que descreve dezenas e dezenas de psicopatologias. Mas será, assim, tão fundamental a sua utilidade? Enfim, usando a linguagem dos juristas, pode-se dizer que “a doutrina diverge!”. Mas, há, realmente, muitos psicólogos que acham que não –  e nós incluímo-nos nesse grupo.

Ora, entre as inúmeras psicopatologias, o DSM-5 descreve, com pormenor, a Depressão. Talvez ajude, de facto, a sistematizar alguns aspetos. Mas, o que importa, na verdade, para os psicólogos, é que à sua frente está uma pessoa. E, portanto, o rótulo deverá mesmo ser este: “Pessoa que merece todo o respeito!”. É claro que não estamos a dizer que no mundo da psiquiatria isso também não aconteça. De modo nenhum. Mas, de facto, os psicólogos, de um modo geral, abordam a depressão de um modo diferente, mais centrada na pessoa…

350 milhões de pessoas com depressão

Ouvimos falar, cada vez mais, em pessoas, muitas conhecidas nossas, com depressão. Mas estar-se-á mesmo a falar de um quadro depressivo? Será que determinada pessoa tem mesmo uma perturbação grave dos seus afetos, enfim, ao ponto de ter mesmo a tal tristeza muito intensa? Uma tal tristeza que se prolonga pelo tempo fora?…

Será que pertence mesmo a um grupo dos 350 milhões de pessoas com depressão que se estima haver em todo o mundo? E em Portugal?… De facto, segundo o nosso Ministério da Saúde, o número de portugueses com depressão é vastíssimo… Tendo em conta os inscritos nos centros de saúde, foi de quase 10% em 2017…

Então, será que determinada pessoa, que até poderemos conhecer, pertencerá a este grupo? Ou seja, será que pertence a um grupo de cerca de 400 000 portugueses que, por ano, se estima sofrerem de depressão?

Depressão na origem de suicídios…

Será que até poderemos conviver, no nosso dia a dia, com pessoas do grupo que mais contribui para as mortes por comportamento suicidário?

Ouve-se falar cada vez mais nesta problemática do suicídio… E, de facto, está verificado, a questão do suicídio é, realmente, um problema realmente muito grave, associada a quadros depressivos. Com efeito, aponta-se a depressão como a grande causa para o suicídio, situando-se na ordem dos 70 % dos casos.

Os números que estão disponíveis apontam para o facto de haver um português a tentar suicidar-se frequentemente. Mais exatamente, em termos estatísticos, a cada hora que passa. Já a nível mundial, os números da OMS apontam para quase 800 000 pessoas.  Estas pessoas, de facto, morreram devido a suicídio. E muitas mais tentaram-no, não o tendo concretizado…

Ou seja, o suicídio foi responsável por cerca de 1,5% de todas as mortes em todo o mundo. Portanto, reparemos que o suicídio está entre as 20 principais causas de morte…

Doença psicológica ou física?

Mas voltemos às polémicas…. Existe, é sabido, a questão controversa de saber se a depressão é uma doença psicológica, uma doença “física”… Há quem diga que é uma doença do cérebro, que só pode ser tratada com medicamentos antidepressivos.

Realmente, há quem defenda que a depressão não é, simplesmente, uma perturbação psicológica. Há, com efeito, quem afirme que é, isso sim, uma doença biológica. Mas o que será mesmo certo é que é uma perturbação que afeta o cérebro, a mente e o corpo.

De facto, a depressão não será um simples estado de espírito… E há quem defenda que a depressão não é uma simples perturbação psicológica. Há quem considere que não é um simples tanstorno que a determinada altura passará, que não tem origem na falta de vontade da pessoa…, que é mesmo uma doença.

E a polémica pode continuar por aí fora…  Se é a mente que provoca os males no corpo… Ou se é o facto de alguma coisa avariar, digamos assim, na parte física que vai provocar os “males” da mente…

Mais informações estatísticas sobre a depressão

Mas há uma coisa que não é polémica, que será mesmo certa: segundo a Direção Geral de Saúde, Portugal é o país da Europa com maior consumo de benzodiazepinas – o grupo farmacológico dos ansiolíticos, ou tranquilizantes…, o mais prescrito no SNS….

Tenhamos em conta mais informações estatísticas, para além das que referimos atrás:

– um em cada 4 ou 5 pessoas vai ter uma depressão ao longo da vida;

– o tratamento da depressão tem uma taxa de sucesso de 70-80%;

– a depressão é a primeira causa de incapacidade produtiva das pessoas no mundo inteiro.

Depressão ou tristeza? Façamos o diagnóstico…

E quanto ao diagnóstico? Vejamos… Sempre que passamos por momentos mais difíceis nas nossas vidas é comum sentirmos uma certa tristeza. É comum ficarmos abatidos, desanimados… Só que são emoções e sentimentos que não se prolongam no tempo. São emoções que acabam por ir-se embora e, portanto, recuperamos o nosso estado de ânimo.

Ora, com determinadas pessoas isso não acontece, podendo, após, por exemplo, de mais de duas semanas seguidas, continuarem a sofrer profundamente, sem verem qualquer sentido para a sua vida e, muitas vezes, com uma agressividade profunda virada para para si mesmas.

Ora. tudo isto vai afetar a sua capacidade para realizarem as tarefas mais simples do quotidiano, tais como alimentarem-se, vestirem-se, cuidarem da sua higiene, estudarem, dormirem…. E vai também começar a afetar os relacionamentos, a comunicação com os outros, a própria fala, o pensamento, a memória, o raciocínio, etc.

O que é afinal uma depressão?…

Portanto, a depressão existirá mesmo e cada vez se fala mais nela…

Mas voltemos à questão: será que determinada pessoa está mesmo com uma depressão? Já ouviu, por exemplo, no autocarro, uma senhora a dizer “animadamente” para outra: “O que eu tenho é uma grande depressão!” Pois, será, então, que é “tudo” depressão? É que talvez não….

De facto, muitas vezes, precisamos de perceber melhor o que se passa, porque, se calhar, não estamos diante de verdadeiros casos de depressão. Muitas vezes, voltamos a salientar, estamos tristes, mas não estamos doentes, estamos a apenas a reagir, de uma forma saudável, a perdas sentimentais, por exemplo. Portanto, não estamos com uma depressão, não somos bipolares, não somos distímicos, estamos apenas com razões válidas para estarmos tristes.

Recapitulando: depressão não é só ter tristeza… Porque ter tristeza, como já referimos, é natural. Todos passamos por episódios que nos provocam esse sentimento ao longo das nossas vidas. É, realmente, inevitável.

Então o que é mesmo uma depressão? Enfim, não será muito fácil definir em poucas palavras, mas tentemos: depressão é uma sucessão de episódios continuados de muita tristeza, é a incapacidade de viver o prazer, é a falta de ânimo de uma forma continuada e persistente…

É preciso dar muita atenção aos sinais

Voltando às questões mais ligadas à psiquiatria…

Sabe-se que, realmente, muitas pessoas tomam antidepressivos. E também se sabe que em muitos casos poderá não haver outra alternativa mais adequada. Mas, também é certo que haverá muitas que os tomam talvez sem necessidade… Porque, nem sempre estarão mesmo com uma depressão…

Há pessoas que podem não estar realizadas… Há muita gente sem um propósito de vida… Podem achar que não têm valor, podem não andar serenas, podem não possuir uma boa autoestima. Há pessoas que, com efeito, se podem sentir culpabilizadas, podem não se sentir autoconfiantes, podem achar a vida sem sabor… Mas, estas pessoas, mesmo assim, podem não estar com uma depressão

Sim, tudo isso dá sofrimento psicológico, mas, voltamos a sublinhar, pode não se tratar de uma “verdadeira” depressão…

Voltando a definir a depressão…

Voltemos, então, à questão da definição da depressão…

Para que alguém esteja nesse estado, é comumente aceite entre os profissionais, é preciso que a pessoa:

– tenha uma tristeza prolongada,

– tenha desinteresse em viver,

– não tenha vontade ou prazer em levar a cabo aquelas atividades que antes gostava de fazer,

– já não consiga trabalhar adequadamente, conviver, enfim levar a efeito as mais pequenas coisas que antes realizava sem qualquer dificuldade.

De facto, uma pessoa com depressão não tem energia, anda como que sempre cansada, não tem sequer prazer em comer, não tem apetite (ainda que, às vezes, até possa ter excesso). Para além disso, fica com o sono desregulado, com muita sonolência, ou com insónia, fica sem desejo sexual, sente-se inútil, sem valor…

Sempre atentos aos sinais e aos sintomas da depressão…

Uma pessoa deprimida pode, de facto, deixar de ser capaz de fazer coisas que antes fazia com facilidade. E, mais grave ainda, pode ter ideias relacionadas com a sua própria morte… Portanto, há que ter atenção a todos estes sinais, a todos estes sintomas.

É que estes podem começar gradualmente, sem que até os mais próximos se apercebam, e depois instalarem-se mais definitivamente. E tudo isto é, muitas vezes, acompanhado de ansiedade, de angústia, de culpa, de medos intensos, de lentidão ou agitação psicomotora, de náuseas, de alterações gastrointestinais…

E, de facto, ainda mais grave, a pessoa pode entrar em perigo de vida… Por vezes, a ideação suicida está, realmente, presente, levando mesmo a tentativas suicidárias, ou à própria consumação suicida.

Será então que sofre mesmo de uma depressão?

Como já salientámos, não somos apologistas dos rótulos em psicologia. Mas, respeitamos e compreendemos a importância das abordagens que os utilizam. Realmente, há quem considere, e nós também comungamos desta perspetiva, que, demasiadas vezes, parece haver uma utilização desmedida do diagnóstico, do rótulo da depressão e do consequente exagero na prescrição de antidepressivos. É, de facto, uma questão que suscita dúvidas a muita gente e, inclusivamente, até os profissionais da saúde psicológica, incluindo médicos, têm incertezas sobre estas matérias…

É, pois, um assunto muito controverso… De facto, parece que existem casos em que a depressão pode ocorrer devido a fatores ligados à hereditariedade… Há estudos que apontam para razões de natureza mais genética… Que esta tem uma influência enorme no surgimento de quadros depressivos… Mas até talvez seja mais acertado falarmos de fatores de risco para a depressão – ainda que, tendo em conta, no entanto, que nem toda a gente reage da mesma forma a esses fatores. Ou seja, nem sempre uma pessoa que passe por certas situações perturbadoras irá cair, forçosamente, na depressão.

Trabalhar nas soluções…

Na PSICOVIAS estamos disponíveis para ouvir as suas problemáticas, os seus receios, os seus medos, para “diagnosticarmos”, ou não, a sua depressão. Podemos dizer-lhe que vai encontrar um psicólogo com os seus conhecimentos técnicos e científicos, mas também com os seus conhecimentos pessoais, com as suas experiências, as suas vivências… E vai,  encontrar, seguramente, um psicólogo com empatia… De facto, estaremos completamente centrados em si, na sua pessoa, compreendendo as suas dificuldades sob o seu ponto de vista.

Deste modo, trabalharemos, em conjunto, no “diagnóstico”,  e iremos trabalhar, também em parceria, nas soluções para uma possível “depressão” que possa ter. Quando nos consultar, estaremos prontos, pois, para trabalhamos essencialmente nas soluções que contribuirão para se tornar uma pessoa mais feliz, mais tranquila, mais serena, mais segura!…

Mas, para se trabalhar nas soluções, o foco poderá ter que incidir na ideia de que a origem da “depressão” pode estar em situações altamente stressantes anteriores pelas quais se passaram ao longo da vida… Enfim, são os atropelos, os abusos, os traumas pelos quais, muitos de nós, passámos…

Já ouviu falar da intervenção EMDR?

É, assim, que, ao partirmos dessa hipótese, da tal existência de experiências traumáticas, privilegiamos o EMDR para a superação que um eventual quadro depressivo.

De facto, o EMDR tem-se mostrado, conforme o apontam inúmeros estudos sobre a matéria, muito eficaz na abordagem a casos ligados à sintomatologia depressiva. Com efeito, esta é uma “nova” psicoterapia que cada vez mais profissionais da saúde mental consideram revolucionária.  É uma abordagem levada a cabo por um número cada vez maior de psicólogos e médicos psicoterapeutas em que se atua no sentido de serem desensibilizadas e reprocessadas memórias negativas relacionadas com eventos que foram muito perturbadores, que causaram, e ainda causam, muito sofrimento.

E o que é certo, assim o apontam, como já referimos, vários estudos científicos, é que há uma percentagem elevada de pessoas que mostram como que uma remissão completa dos sintomas depressivos no final do “procedimento” EMDR aplicado em apenas algumas  sessões.

Enfim, ainda muito haverá a aprender sobre a matéria. Mas, vai-se, entretanto, presumindo a importância fundamental do reprocessamento das tais memórias traumáticas. Que se faz por meio de uma estimulação bilateral. Estimulação essa, ocular, auditiva ou tátil, que irá levar a que os sintomas ligados à depressão diminuiam acentuadamente, acabem, desapareçam totalmente…

De facto, a psicoterapia EMDR tem-se mostrado uma abordagem muito eficaz para as perturbações do foro depressivo… Caso ache que tem uma depressão, ou “por lá perto”, dê o primeiro passo – estamos disponíveis para si…

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