Curar traumas psicológicos sem medicamentos, é possível?

Sim, é possível. Aliás, considera-se hoje que os métodos psicoterapêuticos, utilizados no tratamento do trauma, são muito mais eficazes que os métodos medicamentosos.

Vamos aqui falar sobre a psicoterapia EMDR, uma abordagem na qual, após poucas sessões, se obtêm altas taxas de sucesso. Mas, antes, vamos ver o que se entende por traumas em psicologia…

O que é um trauma psicológico

Realmente, um trauma psicológico pode traduzir-se numa perturbação, muitas vezes crónica, que traz grande sofrimento à vida de uma pessoa.

É o caso da Perturbação de Stress Pós-Traumático (PTSD). As pessoas com esta perturbação voltam como que a experienciar o trauma. Fazem tudo para evitar situações que lhe fazem lembrar a situação original. Ou seja, são pessoas que se encontram quase sempre numa enorme excitabilidade…

Com efeito, estas pessoas pensam no acontecimento traumático mesmo quando não querem. De facto, o evento traumático vem-lhes à memória quase constantemente. Sentem que tudo está a acontecer de novo, como se ainda não tivesse passado nenhum tempo sobre a sua ocorrência.

As pessoas com perturbações do tipo de stress pós-traumático têm pesadelos, evitam determinados lugares, evitam certos temas de conversa, evitam ver determinadas imagens na TV, em livros, em jornais…

Evitar tudo o que se assemelhe…

Enfim, quem vive este tipo de problema evita tudo que possa fazer recordar o acontecimento perturbador.

Há estudos que apontam para o facto de ocorrerem determinados fenómenos no cérebro, e também no corpo, que vão provocar a tal permanente excitabilidade e hipersensibilidade.

Em resumo, pessoas vítimas de traumas psicológicos severos apresentam reações emocionais exageradas, insónias, grande nível de ansiedade, irritabilidade, enfim, sintomas que levam a pessoa a um extremo cansaço, enorme desconforto, exaustão, fadiga crónica, etc.

Grandes traumas com T grande…

De facto, para estas pessoas, quaisquer situações banais e coisas triviais, que no passado não lhes causavam qualquer problema, podem agora funcionar como disparadores, como gatilhos… E estes disparadores podem, efetivamente, provocar uma enorme perturbação à pessoa.

Com efeito, torna-se a a vida muito difícil, com crises de choro frequentes, com a sensação de enlouquecimento, com todas as emoções relacionadas com a situação traumática a emergirem de forma muito rápida e avassaladora.

Em traumas relacionados, por exemplo, com acidentes rodoviários, a pessoa pode sentir uma enorme ansiedade, com os níveis de adrenalina a subirem a pique, com o coração a bater desenfreadamente. Pode até ter ataques de pânico quando tenta voltar a conduzir.

Um caos interior…

Pessoas com traumas dos mais variados tipos relatam, com efeito, como já referimos, grandes crises de choro. Mas podem também apresentar muitas dores de cabeça e pesadelos horríveis. E percebem que estão com um problema muito profundo em relação ao qual se sentem verdadeiramte impotentes.

As pessoas com estes traumas maiores, digamos assim, sentem-se, de facto, perante algo que não conseguem controlar. Sentem-se à mercê de memórias perturbadoras que até parece que ganharam vida própria, que irrompem de repente, a toda a hora.

Descrevem também uma espécie de caos interior que teima em não desaparecer. E sentem que não sabem bem o que se está a passar com elas. Sabem apenas que estão sufocadas, tipo possuídas de um grande mal destruidor, altamente perigoso, esmagador.

Situações traumáticas para uns, mas não para outros

As pessoas sentem-se, de facto, impotentes, sem vislumbrarem maneira de fugir daquela situação atormentadora. Mas nem só as grandes desgraças, os graves acidentes, as desvastadoras catástrofes ou grande tragédias  povocam traumas.

Vejamos, em psicologia há um conceito, o coping, que tem a ver com o modo como a pessoa lida com determinada situação, interna, ou externa, num determinado momento – coping é diferente do conceito de resiliência que tem a ver, digamos, com totalidade das experiências de coping.

Ora, muitos autores definem o trauma relacionando-o com as estratégias de coping de cada pessoa. E, portanto, as situações podem ser traumáticas para uns e não para outros. De facto, há situações que podem causar ansiedade, medo, sentimentos de extrema vulnerabilidade, fragilidade e impotência a umas pessoas, mas não a outras.

Pode bastar um único evento perturbador

Assim há diferentes classificações de eventos traumáticos. Por exemplo, há aqueles que ocorrem apenas uma vez, sendo, portanto, agudos, e há aqueles que, várias vezes, se repetem, sendo, portanto, crónicos. Por vezes, basta um único evento traumático para dar origem a sintomas da Perturbação de Stress Pós-Traumático.

Esses sintomas têm a ver, como já referimos, com o aparecimento de memórias irreprimíveis e intrusivas. Podem manifestarem-se em ataques de ansiedade, de hiperexcitabilidade. Mas verifica-se, igualmente, a ausência da sensação básica de segurança.

E aparecem os sentimentos de desconfiança em relação aos outros. Instala-se uma grande preocupação e incerteza relativamente a si próprio. Na verdade, em alguns tipos de trauma as pessoas interrogam-se, frequentemente, se os outros gostam delas.

Interrogam-se também se devem ter culpa pelo que aconteceu, se devem ter vergonha. E a maior parte das vezes as respostas que encontram são positivas. Culpam-se, portanto, e não apresentam, de facto, as estratégias mais corretas para lidarem com o seu trauma.

Traumas com origem no medo de morrer 

Os psicólogos têm-se debruçado sobre estes assuntos ligados à vivência de situações traumáticas, fazendo diversos estudos. E algumas conclusões apontam para situações diversas. Quando testemunhamos um evento muito perturbador, por exemplo, um grave acidente de automóvel, o trauma pode surgir por causa da associação que fazemos com o nosso medo de morrer.

E, na verdade, verifica-se que o trauma afeta adultos, mas também muitas crianças que presenciam eventos horríveis. Às vezes o trauma pode acontecer quando a criança “apenas” está a ver televisão, a assistir a determinados programas. Podem ser, de facto, cenas que as assustam terrivelmente. Pode acontecer num momento em que estão sozinhas. E sem qualquer tipo de informação enquadradora. Podem estar, pois, a ganhar medos e ansiedades crónicas do foro traumático.

Ora, sabe-se que há traumas intencionais. Ou seja, há traumas provocados pelas pessoas propositadamente. Que podem ser repetidos durante um longo período de tempo. É o caso da violência sexual e física reiterada. E estes têm, realmente, um maior potencial de dano.

O trauma pode não ser facilmente identificável

De facto, as situações repetitivas geram reações de stress mais graves. Isto comparativamente a traumas que ocorreram apenas uma vez e de forma acidental. É o caso, por exemplo, de um acidente de automóvel. Na verdade, um único acidente pode não causar forçosamente um trauma…

Acresce que, muitas vezes, o trauma não é facilmente identificável. Por exemplo, alguém até pode apresentar somente dores corporais. Ora, muitas vezes essas dores não têm correspondência adequada a uma causa física, diagnosticável… São produto do tal stress emocional, resultante de um trauma que aconteceu lá atrás, no passado.

Com efeito, os estudos referem que as perturbações psicossomáticas podem ter sido desencadeadas por traumas psicológicos. Só que as pessoas, frequentemente, não identificam a origem traumática dos seus sintomas físicos.

Traumas são como que feridas emocionais

Vejamos a origem da palavra trauma… Muitas palavras portuguesas derivam do grego, e trauma é uma delas. Sifnifica ferida. Ora, as feridas podem ser apenas ligeiros arranhões, ligeiras escoriações, mas todas precisam de tratamento, não é?

Enfim, às vezes basta lavar com água, deixar arejar, colocar um penso rápido… Mas, se não as tratarmos podemos ficar seriamente doentes. Ou seja, a ferida pode infetar e propagar-se a outras partes do corpo.

Sabe-se que o mundo está cheio de pessoas com ferimentos emocionais não tratados, não curados. Ora, essas feridas emocionais se continuarem sem solução podem também fazer mal a outras pessoas, ferindo-as do mesmo modo. Ou seja, ao não termos as nossas feridas tratadas, estamos também a ferimo-nos uns aos outros.

Portanto, um trauma não curado, um trauma não cicatrizado, faz realmente muito mal à sociedade. E pode até não ser exagerado considerar este assunto um grave problema para a saúde pública….

Traumas emocionais versus feridas físicas

Continuemos então a fazer a analogia dos traumas emocionais com os ferimentos físicos… Realmente, há feridas físicas de todos os tipos. Têm diferentes tamanhos, diferentes formas. Têm muitas variações em intensidade: contusões, lesões, amputações, ferimentos de bala, etc.

Às vezes são só arranhões, é certo, mas mesmo esses precisam de ser tratados…. Ora para a cura acontecer temos que aplicar o tratamento adequado. Esse tratamento pode, enfim, passar apenas por uma lavagem com água. É o caso de um corte. Ou seja, para evitar uma infeção, fazemos a estabilização inicial, colocando a ferida em contacto com a luz, com o ar…

Mas um tratamento errado pode piorar a lesão. De facto, pode complicar o processo de cura. Por exemplo, se a ferida for mexida de um modo não adequado isso pode acontecer. Ora, o mesmo se pode passar com as feridas emocionais…

Experiências negativas podem resultar em traumas

Há dias ouvimos uma colega nossa, psicóloga americana, também psicoteraputa EMDR, a dar o exemplo de um jogador de futebol. Dizia que era um homem saudável. Mas que, de repente, sofreu uma pancada no joelho fruto de um pontapé dado por outro jogador. Depois, referiu que a equipa médica podia fazer-lhe várias coisas… Podia-lhe aplicar apenas um spray. Podia aplicar outra coisa qualquer também simples. E, assim, permitir que ele pudesse continuar o jogo…

Acabou por referir que isso também pode acontecer nas nossas vidas. Ou seja, de repente, podemos ficar com um ferimento emocional. E as causas podem ser diversas. Pode ser causado, por exemplo, pela censura injustificada de alguém ao nosso comportamento. E lá ficamos nós com uma “pequena contusão emocional”, com um “ligeiro inchaço emocional”, com um “pequeno corte emocional”…

De facto, vão-nos acontecendo várias experiências negativas ao longo da vida. Só que o que nos vai valendo é toda a nossa rede de suporte. Temos os nossos familiares, os nossos amigos. Enfim, temos um sistema de apoio formado por pessoas que nos ouvem.

Realmente são pessoas que nos ajudam a ser resilientes. São elas que nos ajudam a continuarmos em frente. De facto, assim dizem os estudos, conseguimos ser mais resilientes se formos apoiados em vez de censurados ou criticados.

Traumas na origem de muitos conflitos

Só que essa rede, muitas vezes, nem sequer existe. E a pessoa fica, então, muito fragilizada… Depois, a sociedade nem sempre apoia quem mostra fraqueza. E, muitas vezes, essa “fraqueza” já vem de uma tenra idade.

De facto, o trauma pode vir de experiências adversas na infância, na qual foram estabelecidas conexões negativas. Podem ter origem, por exemplo, em negligência, abuso. Pode, por exemplo, ter a ver com o crescimento num lar com pais alcoólicos. Pode ter a ver com uns pais em permanente conflito, com pais na prisão, etc, etc.

Enfim, podem ser várias as circunstâncias com uma carga negativa. E podem ser circunstâncias, cujas consequências têm reflexos muito importantes na vida adulta. São circunstâncias que podem, por exemplo, formar seres humanos conflituosos.  E esses seseres humanos poderão até causar conflitos à escala mundial, com crises geopolíticas, com guerras… Portanto, talvez não seja exagerado dizer que o trauma emocional não curado pode ser o grande causador de muita da  conflitualidade  existente no mundo.

EMDR, uma psicoterapia especial para traumas “grandes” e “pequenos”

Portanto, temos que começar por nos curarmos primeiro a nós mesmos… Porque se as nossas feridas emocionais estiverem saradas, poderemos mais facilmente ajudar os outros a fazerem o mesmo. Mas para isso, na verdade, temos que estar conscientes dessas nossas mesmas feridas. Realmente, só assim as poderemos enfrentar.

Enfim, podemos até não saber exatamente quais são os seus contornos, mas temos que perceber que há qualquer coisa que nos está a ferir emocionalmente. E depois temos que fazer algo, temos que partir para a ação. E a ação pode, efetivamente, ser fazer EMDR…

Com efeito, o EMDR pode ser, precisamente, uma metodologia psicoterapêutica a seguir. O EMDR é um processo bem estruturado que começa por enquadrar a pessoa de modo a que esta consiga fazer um bom diagnóstico da sua problemática…

Depois, o EMDR leva a pessoa partir para a ação através de determinadas estratégias terapêuticas centradas em sintomatologias dissociativas. É, enfim, um processo que vai promover a comunicação interna. E esta comunicação interna consiste, precisamente, em tomar consciência do que se está a passar naquele dado momento dentro de si…

Memórias ligadas a um trauma

Portanto, com o EMDR pretende-se que a pessoa tenha um melhor conhecimento de si mesmo, que abra as suas perceções internas sobre as mais variadas temáticas. E, em sessões EMDR, uma pessoa até pode não ter grandes recordações da sua infância. Pode apenas lembrar-se de pequenas coisas. Mas, a partir de certa altura, pode vir-lhe à memória, por exemplo, de como o seu pai foi violento consigo em determinada altura…

É assim que, a partir daqui, a pessoa pode começar a reviver detreminadas recordações mais dolorosas. Pode até começar a sentir-se mal fisicamente. De facto, numa sessão EMDR tudo aquilo que estava reprimido, relativo ao passado, pode começar a ser consciencializado como fazendo parte integrante do presente. Ou seja, noutro contexto, a pessoa até poderia dizer que toda a sua infância foi normal. Mas o que é certo é que não foi… Houve, efetivamente, lugar a traumas, que estão ainda lá a causarem sintomas  mal adaptativos.

As diversa fases do EMDR

Portanto, numa primeira fase do EMDR há que perceber a temática perturbadora. Noutra fase explicam-se todos os detalhes sobre o procedimento. A seguir, vai haver uma focagem em determinada lembrança da mente. Enfim, uma que se julgue ser de importância central para o problema. Depois observam-se os pensamentos que estão associados à imagem principal perturbadora. Observam-se também os sentimentos mais presentes. E também o que é que o corpo sente….

Enfim, o psicoterapeuta EMDR pede à pessoa que faça uma classificação de 0 a 10 em relação à cena traumática, em que dez é o máximo de perturbação observada. Seguem-se outros passos, até que passa a haver estimulação bilateral ocular, auditiva ou tátil, conforme a pessoa preferir…

Estimulação bilateral para tratar traumas

Portanto, fazendo-se ao mesmo tempo a estimulação bilateral, a pessoa é levada a entrar em contacto com a lembrança perturbadora. Vamos perguntando o que vai observando, se nota alguma modificação, se, nas memórias que vão surgindo, vai acontecendo algo. Vai havendo como que uma espécie de associação livre, tal como acontece na psicanálise.

Depois, mais à frente, vai-se continuar com o pensamento positivo que se escolheu para trabalhar, de modo a que a pessoa se perceba, a determinado momento, mais fortalecida. Vai-se também trabalhar a atenção a todo o corpo, de modo a fazerem-se desaparecer todas as tensões que possam existir.

A seguir, no final de uma primeira sessão, pede-se à pessoa que observe o que vai acontecer durante a semana, de modo a perceber as mudanças ocorridas em si.  São ao todo oito fases, no final das quais, sendo cada caso um caso, a pessoa regista mudanças significativas em si. Ou seja, a pessoa vais observar um alívio da carga emocional negativa associada ao tal  evento traumático.

Há explicações, mas ainda nem tudo está bem esclarecido…

Há muitas explicações para o que parece acontecer… Em princípio, os traumas ficam armazenados na memória traumática…, que é diferente da memória “normal”… As memórias traumáticas provocam, efetivamente, sintomas. E isto porque são memórias que não se integram, que não se interligam com as outras memórias. E ficam, portanto, armazenadas de forma mal adaptativa.

Os estudos de imagiologia apontam para aí, de facto. São estudos nos quais se descobre, por exemplo, que o stress traumático leva à ativação de outras regiões do cérebro diferentes das que são ativadas por uma situação também de stress mas que foi normalmente resolvida…

EMDR para desensibilizar e reprocessar

Em suma, o EMDR é uma abordagem que trabalha com a dessensibilização e a reprogramação de informações. Fá-lo através de estimulação bilateral dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro.

Foi inicialmente desenvolvido para transtornos pós-traumáticos, como guerras, catástrofes e violações. Só que, mais tarde, começou a perceber-se que também era uma abordagem indicada para outras situações de natureza “menos” traumática. Enfim, situações que “apenas” incomodam, que causam um certo desconforto, mas que desequilibram a pessoa. Só que são situações que a levam a pensar de uma forma desadaptada. Que instalam crenças que ficam cristalizadas negativamente…

Realmente, podem ser situações como, por exemplo, a perda do emprego ou o fim de um relacionamento. De facto, estas situações podem ser, muitas vezes, altamente traumáticas na vida de uma pessoa. De facto, podem impedir o processo adaptativo de informação natural. Podem impedir que a pessoa adapte a informação associada de uma maneira funcional. E, portanto, pode levar a pessoa a adaptar-se de uma forma distorcida.

EMDR, uma psicoterapia muito breve

Ou seja, a estimulação bilateral vai trabalhar com as lembranças das situações problemáticas. Vai ajudar a dessensibilizar e a reprogramar a informação. E isto de modo a poderem surgir crenças positivas. Portanto, a levar que as coisas, que antes estavam a incomodar, passem a não perturbar mais, deixem de provocar sofrimento. E, com isso, a fazer com que deixem de provocar sensações, emoções e comportamentos disfuncionais.

Estamos, pois, diante de uma psicoterapia muito breve que atua em várias áreas do cérebro, conforme dizem os estudos científicos já realizados. De facto, há, como já referimos atrás, comprovação científica feita através de exames tomográficos que dão conta que a estrutura do cérebro antes e depois de um trabalho de EMDR é, efetivamente, diferente.

Enfim, há quem diga que é um casamento perfeito entre a psicoterapia cognitivo – comportamental e a hipnose. Que é ideal para trabalhar com traumas reprimidos e recalcados. E o que é certo é que organizações mundiais de saúde, incluindo do mundo da psiquiatria, consideram que o EMDR é altamente eficaz nos quadros de depressão, de ansiedade, de fobias e outros.

Traumas em crianças

Será o EMDR aconselhável também para crianças? De facto, nas crianças, o trauma pode afetar severamente o seu desenvolvimento normal. Pode afetar a sua evolução em geral, na escola, no caminho da sua autonomia, na aprendizagem de novas tarefas. Pode, portanto, afetar o seu cérebro, levando-a diminuir o seu desempenho, a deteriorar os seus relacionamentos pessoais.

Uma criança traumatizada pode, pois, começar a reagir de forma mais agressiva aos outros. E o seu auto-conceito pode também degradar-se. Ou seja, uma criança pode começar a perceber-se a si como alguém com defeito, sem qualidade, ficando desmotivada, apática, sem vontade de ir à escola… E aqui os pais, naturalmente, ficam angustiados. Há uns que procuram, felizmente para todos, a ajuda de um psicólogo ou psicoterapeuta que os entenda, que os ouça, que os apoie…

Psicoterapia que envolve protocolos específicos

E, quando o fazem, começam logo por perceber que não estão sós, que há outras pessoas no mesmo tipo de situação e que também não sabem o que fazer… Mas, de facto, conversar não chega. Realmente, muitas vezes, diz-se que basta desabafar. Diz-se que a psicoterapia é só isso, e, talvez por isso mesmo, há pessoas que consideram que não precisam de psicoterapia. Outras acham que precisam, realmente, de desabafar e recorrem a um psicoterapeuta.

Realmente, para o EMDR, não basta falar sobre determinados assuntos mais difíceis para os resolver. É, com efeito, uma psicoterapia que envolve protocolos específicos com técnicas bem definidas. Que exige qualificações especiais, que exige que o psicoterapeuta domine essa técnicas e que seja também especializado nas questões do trauma. E em Portugal há um diretório no qual se podem pesquisar quem tem as competências necessárias para levar a cabo uma psicoterapia EMDR.

EMDR com muito em comum…

É claro que o EMDR também tem muita coisa comum com outras abordagens psicoterapêuticas. De facto, ocorre num espaço em que o profissional, sendo especialista, possui, em princípio, conhecimentos específicos que o paciente não tem. Ocorre num espaço de encontro presencial, numa relação de confiança, de trabalho, de igualdade, em mútuo acordo acerca das diversas etapas da psicoterapia que vai ser seguida. Tudo isto numa parceria em que o psicoterapeuta clarifica e apoia. Mas em que o paciente também tem um papel muito ativo na busca dos elementos mais importantes a tratar. No EMDR estabelece-se, com efeito, uma parceria, digamos, de igual para igual.

No entanto, é natural que a pessoa possa manifestar alguma apreensão acerca do que lhe vai acontecer durante a psicoterapia EMDR. Pode, de facto, interrogar-se sobre se, realmente, irá ser capaz de seguir todos os passos, se terá que ser forçado a fazer alguma coisa que não está disposta a fazer. Ora, isto tudo é natural. É certo que as pessoas vão ter que trabalhar com memórias penosas, mas vão fazê-lo de forma apoiada ao longo de toda a psicoterapia. Na verdade, é um processo que é devidamente controlado, orientado e que ocorre em ambiente “protegido”.

Acabar com as memórias traumáticas

Pode haver casos, em especial com crianças, em que haja dificuldade na cooperação.  Mas um psicoterapeuta competente saberá como atuar para que esta se exprima da melhor forma possível. E isso levará ao objetivo final: atenuar, ou mesmo eliminar, os sintomas despoletados pelo trauma.

De facto, o que se pretende é que o stress resultante da memória traumática deixe de fazer efeito, para que o adulto, ou a criança, possa funcionar no seu quotidiano da forma o mais normal possível. O que se pretende, com efeito, é que os medos diminuam, para que a pessoa possa fazer as coisas de que mais gosta, para que a perturbação não estrague mais a sua vida.

Procura-se, pois, que haja a colocação de uma certa distância entre a pessoa e o trauma. Isto de modo a haver um lugar seguro sempre que necessário, de modo a que o trauma não se imponha e que a pessoa tenha os comandos da sua vida no seu controlo.

O que é o EMDR afinal?

Há quem postule, como já referimos atrás, que o EMDR não é mais do que o aproveitamento de tudo o que melhor tem a psicoterapia cognitivo-comportamental. Uma psicoterapia em que se trata das cognições e das perceções negativas e erróneas. Em que se trata das atitudes negativas em relação a si próprio ou à situação traumática, juntando-se-lhe a estimulação bilateral, com movimentos oculares ou com estímulos sonoros e táteis.

Há também quem advogue que acabe por haver no processo a indução de um estado hipnótico… Mas o que é certo, repetimos, é que o EMDR resulta, parecendo, às vezes, um milagre. E as pessoas, muitas vezes, fazem apreciações deste género:

“Nunca pensei que isto me pudesse vir realmente acontecer. Sempre vi as imagens com muita perturbação, sempre as vi tal como as vivi naquele dia fatídico e, no entanto, elas parecem agora ter ido para bem longe, quer dizer, estão lá mas já não me perturbam, já não me causam sofrimento!…”

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