EMDR online ou face a face, benefícios, desvantagens…

Ainda não há, em Portugal, entre os psicólogos, muita discussão sobre a questão de se levar a cabo o EMDR de uma forma totalmente à distância, não presencialmente. Mas já há bastante troca de pontos de vista sobre os seus benefícios, ainda que também sobre os desafios que se colocam ao EMDR administrado via online.

Realmente, já se discute o que se deve fazer e o que não se deve fazer, de modo a ajudar tanto o psicoterapeuta EMDR como a pessoa que segue o processo em sessões à distância.

Psicoterapia à distância cada vez mais popular

Mas o que é certo mesmo é que, pelo mundo inteiro, esta modalidade de psicoterapia à distância está a ser cada vez mais popular, e cada vez há mais psicólogos empenhados em levar a cabo intervenções online, incluindo de EMDR à distância.

Na verdade, começa a haver discussões em que há quem postule que a intervenção à distância até pode ser mais eficaz do que uma psicoterapia face a face. De facto, há pessoas que preferem fazê-la a partir da segurança e do conforto das suas casas, em que a atenção está sobretudo focada num ecrã e nuns auriculares.

Ainda são necessários mais estudos, mas já há alguns…

É claro que são precisos mais estudos, como em todas as áreas… São, realmente, necessárias mais pesquisas sobre o desenvolvimento de relacionamentos terapêuticos eficazes num ambiente online. O mesmo se deverá passar com o EMDR online.

É, pois, importante, que se compare o EMDR face a face com o EMDR à distância. Que se estude a qualidade da relação psicoterapêutica, a questão do contrato psicoterapêutico, da aliança, do consentimento informado… Mas já há alguns estudos que apontam para o facto do EMDR online ser tão eficaz como o EMDR presencial.

A Internet, não haja dúvida, veio mesmo para ficar. E para ser usada. Ora, os psicoterapeutas EMDR não deverão ficar de fora – têm, pois, que, cada vez mais, conviver com as tecnologias.  Usando do devido cuidado, é certo, mas avançando com confiança, de modo a não serem desperdiçadas estas novas oportunidades de se chegar mais perto das pessoas que tanto precisam de apoio psicológico.

Só há pois que ir aperfeiçoando e aprimorando os processos, só há que ir aprendendo cada vez mais…

EMDR online tal como a psicoterapia cognitiva e comportamental (CBT) online

Os estudos sobre o EMDR online não estarão tão avançados como, por exemplo, os estudos sobre a psicoterapia CBT online. De facto, a psicoterapia cognitivo-comportamental online já foi testada em muitos estudos – ainda que, talvez, não tantos, em comparação com os estudos da psicoterapia cognitivo-comportamental presencial, cara a cara. Ou seja, a CBT online também precisará de mais estudos. Para, por exemplo, se estabelecer se há uma exata equivalência nos dois formatos de psicoterapia.

Portanto, não é apenas uma questão exclusiva do EMDR…

De facto, a psicoterapia desenvolvida através da Internet ainda tem uma história relativamente curta. Terá tudo começado por volta de 1990…, mas, mesmo, assim, reconheçamos, ainda não se passou muito tempo. Só que, agora, os tempos tecnológicos são, efetivamente outros.

Na verdade, a menos que algo imprevisto surja, a velocidade do progresso tecnológico vai ser cada vez mais vertiginosa. E vão aparecer, pois, novas formas de psicoterapia. Poderemos até talvez dar um nome a estas novas formas de psicoterapia…. Já agora, porque não, por exemplo, Terapia Psicotecnológica, Ciberpsicoterapia…

Psicoterapia on line, uma psicoterapia digital que…

E porque não, simplesmente, Psicoterapia Digital? Enfim, será, pois, uma psicoterapia com recurso à Internet, aos computadores… Um tipo de psicoterapia em que até se pode fazer mais uso da escrita, por chat, por SMS ou por email. Um tipo de psicoterapia em que, inclusivamente, se poderá fazer uso de gravações digitais, de mensagens por voz, enfim o que se preferir usar…

Portanto, uma psicoterapia em que se poderá fazer uso de clipes de vídeo, de arquivos de áudio ou de quaisquer outros elementos digitais interativos. Uma psicoterapia em que se podem introduzir Apps, programas modulares, com trabalhos de casa digitais, trocados interactivamente entre a pessoa e o psicoterapeuta. E poderá ser uma psicoterapia feita de modo síncrono, mas também assíncrono. E, realmente, já há sites que o fazem em ambas as modalidades – basta pesquisá-los na Internet.

E para além de sites, há programas variados, ainda que não muito diferentes entre si no que diz respeito à substância.  De um modo geral, esses programas procuram mimetizar os programas face a face em termos de conteúdo e duração. Existem, por exemplo, programas para a depressão com módulos semanais. Alguns refletem os ensinamentos da psicoterapia comportamental cognitiva. Podem incluir psicoeducação, ativação comportamental, reestruturação cognitiva, prevenção de recaída, etc.

E também há programas que podem incluir psicoterapia de resolução de problemas, de aceitação e comprometimento. São programas baseados em estudos que tiveram em conta muitas “variáveis” tais como a “depressão”, o “transtorno do pânico”, a “fobia social”, o “transtorno de ansiedade social”, a “ansiedade generalizada”, o “transtorno obsessivo-compulsivo”, o transtorno de estresse pós-traumático, fobias específicas, a hipocondria, a bulimia, a disfunção erétil, a dor ou fadiga crônica….

Ainda tem que haver a devida cautela

Mas, voltando à discussão, também resulta que, de facto, os psicoterapeutas online deverão fazer uso de maior cautela em relação ao processo – realmente, trata-se de se usar as tecnologias que cada vez mais se renovam, mas cujos efeitos ainda não estão totalmente estudados….

E em relação ao EMDR? Com efeito, por enquanto, ainda não há diretrizes específicas para o EMDR on-line – e elas, na verdade, seriam bem-vindas, no sentido de se incremetarem estas iniciativas. De facto, há cada vez mais pessoas que procuram apoio psicológico através do EMDR à distância.

Realmente, há,  talvez mais em particular no EMDR, o risco de surgirem situações mais inesperadas… Poderão, por exemplo, envolver a dissociação, os estados alterados de ego… E aqui há, realmente, que ter especiais cuidados, de forma a poder-se assegurar o máximo de segurança à pessoa. Há, pois, que controlar ao máximo os riscos envolvidos…

O controlo do processo EMDR pelo psicoterapeuta

Portanto, neste tipo de discussões, entre profissionais ligados ao EMDR, fala-se também sobre a questão do psicoterapeuta ter a totalidade do controlo sobre o processo. E logo aparece, por exemplo, a questão de como se fazerem os movimentos bilaterais alternados.

Ora, de facto, on-line também se poderá fazê-lo. E a pessoa poderá escolher o tipo de estimulação: auditiva, tátil e visual. Poderá, igualmente, ter a possibilidade de parar esses movimentos…

Mas, para além da qualidade dos estímulos, há também a questão da quantidade… Se na modalidade online também será possível fazer esse controlo… Enfim, é uma questão equivalente… Fala-se, por vezes, em 24 rodadas de movimentos, mas há também quem defenda que deve diferir de pessoa para pessoa…. Que, de facto, as pessoas podem definir o número de movimentos que melhor se ajuste à sua situação… E, na verdade, há pessoas que o fazem até intuitivamente…Realmente, à medida que a psicoterapia vai progredindo, a pessoa pode determinar melhor o tempo de duração para cada rodada de estimulação. E isto é feito, de forma fácil, tanto na modalidade presencial como à distância…

De facto, o EMDR é uma psicoterapia permissiva. Uma psicoterapia que até pode ser feita em auto-EMDR, ou num modelo misto… Porque não, portanto, na modalidade online, à distância, em que no “outro lado da linha” lá está a pessoa a fazer o seu auto-EMDR e do lado de cá, digamos assim, o psicoterapeuta como facilitador, a traçar o caminho mais ajustado à problemática da pessoa, sugerindo alterações, ordenando pausas, convidando a observações…

Tem que haver preparação prévia

E quanto à preparação da sessão? De facto, tem que haver, naturalmente.  A pessoa na sua casa, ou noutro lugar que escolha, tem que criar, pois, as mesmas condições que existem no consultório do psicólogo. Ou seja, como já referimos, tem que haver condições para que se verifique um ambiente tranquilo e sigiloso… Um espaço no qual a pessoa, sempre que necessário, se possa estabilizar facilmente.

Em suma, a intervenção psicológica à distância é uma oportunidade para se aumentarem as respostas no sentido de se prevenir o desenvolvimento de problemas de saúde mental… Mas será que esta abordagem permite monitorizar e fazer a gestão dos resultados do processo?…. Os estudos dizem dão uma resposta positiva: sim, é possível, só tem é que haver algumas preocupações suplementares…. Mas são preocupações que se podem analisadas com a pessoa, a fim de se garantir a necessária eficácia psicoterapêutica…

A confidencialidade das várias plataformas

Outra questão que aparece nas discussões que se fazem sobre o EMDR online é aquela que se relaciona com a fiabilidade das plataformas – nomeadamente, em termos de segurança ligada à confidencialidade e ao sigilo.

Há, portanto, a discussão sobre se as plataformas eletrónicas devem ser certificadas, criptografadas, de modo a protegerem, com toda a segurança, confidencialidade da pessoa… Há quem defenda que deverão ser usadas plataformas específicas, não as do mainstream.

Ora, há quem diga bem de umas e há quem diga mal de outras. Mas será que não poderá haver interesses comerciais por detrás? De facto, alguns argumentos apresentados têm, por exemplo, a ver com o facto da Microsoft, que detém o Skype, ser obrigada a comunicar à polícia, ou às autoridades judiciais, os conteúdos das comunicações… Ora, é claro, que se houver matéria para tal todas as plataformas, WhatsApp, ZOOM, HangOut, VSEE, Messenger, FaceTime, Google Vídeo, também o deverão fazer.

Enfim, há psicoterapeutas que preferem determinada plataforma… Referem, por exemplo, que é mais fácil de usar, que nunca se perde a conexão, que tem mais qualidade de som, que tem mais qualidade de imagem, que as definições e as configurações são mais amigáveis…

Há que saber usar as tecnologias a partir da primeira sessão

Uma das dificuldades que pode surgir, de facto, tem a ver, precisamente, com o uso da tecnologia em si mesma. Na verdade, o psicoterapeuta EMDR deve estar muito familiarizado com as novas formas digitais de se comunicar. Por exemplo, uma coisa muito simples:  tem que saber levar a cabo uma videoconferência através de um computador, com ligação à Internet. É, realmente, o mínimo. Mas não só: deve estar também à vontade com o uso de um smartphone. E com ele saber, igualmente, comunicar, tanto por voz, como por imagem, e também por chat.

Portanto, um psicólogo que queira, hoje em dia, apoiar as pessoas à distância, deve ter uma boa literacia digital. E deverá também gostar de usar as tecnologias, deverá, pois, sentir-se bem a usá-las, de uma forma confortável. Deverá gostar, sem dúvida, de comunicar à distância, tanto através de um simples telefone, como de um headset ligado a um computador.

E tudo começa logo na primeira sessão…

O ideal é que haja Internet com banda larga de alta velocidade

De facto, é muito importante que a primeira sessão corra minimamente bem. E isto para que a pessoa não fique logo desencorajada pelo surgimento de eventuais problemas técnicos. Na verdade, as tecnologias, apesar de cada vez mais avançadas, têm sempres os seus bugs. Há sempre, de facto, imponderáveis, coisas com as quais não contamos. Portanto, um psicólogo, e muito mais um psicoterapeuta EMDR, deverá estar preparado para fazer face a disfunções não expectáveis. Deverá, pois, dominar, pelo menos razoavelmente bem, um PC, um Tablet, um telemóvel inteligente, as webcams, os microfones, os auriculares, etc.

Um psicólogo deve, pois, saber usar os múltiplos gadgets, mas também perceber uma coisa básica muito importante: a ligação por internet tem que ser sólida e robusta. O ideal, de facto, é que haja Internet com banda larga de alta velocidade, de preferência distribuída através de fibra ótica.

Enfim, não quer dizer que também não se possa comunicar através de uma ligação de Internet ADSL menos potente. Mas, de facto, em EMDR, é mesmo conveniente que a ligação nunca vá abaixo pelas razões já atrás apontadas…

O local e o setting psicoterapêutico

Para além questões mais tecnológicas, há as mesmas questões que se colocam em qualquer setting psicoterapêutico presencial.

Há que, de facto, ter cuidados com os locais a partir dos quais se vai comunicar. Portanto, como em qualquer abordagem, também o psicoterapeuta EMDR se deve preocupar com o espaço em que se encontra. O ideal é que o local tenha uma aparência profissional, com uma iluminação adequada, com um fundo neutro em frente à webcam. E do lado da pessoa? Só há que lhe pedir que escolha também um local que garanta a confidencialidade, recatado, insonorizado e em que haja meios alternativos à comunicação.

Repetimos:  para além de uma boa ligação à Internet, o ideal é que haja também um telefone fixo, ou então um bom sinal de rede, de preferência 4G, para que se possa usar um telemóvel – em locais onde não há uma boa cobertura de rede não é possível, de facto, levar a cabo um atendimento psicológico à distância.

Porque é importante, de facto, que, ou através de uma boa ligação de dados ou de uma boa rede wi-fi, se possa usar um telemóvel. Enfim, um telemóvel no qual estejam instaladas aplicações como, por exemplo, o WhatsApp ou o Skype, mas também o Facebook ou o HangOut… Só que ainda há alguns locais em Portugal nos quais, lamentavelmente, não há um sinal de rede com um mínimo de qualidade…

A pessoa pode receber uma pequena formação em TIC dada pelo psicólogo

Uma das dificuldades que, igualmente, se discute é a questão de, numa forma on-line, não se conseguir ler completamente a linguagem corporal da pessoa. Realmente, assim poderá ser. Dependerá da qualidade da imagem, mas não só. De facto, há muita informação que se poderá captar, principalmente a nível facial. Mas esta observação também tem que ser aprendida. Aqui estamos a falar mais do lado do psicoterapeuta, o qual deverá aprender, realmente, a observar de uma forma digital

Mas convém, também, sem dúvida, que a pessoa que vai seguir uma terapêutica EMDR também tenha uma boa capacidade para lidar com estas novas formas de comunicação. E que passa logo por saber resolver alguns problemas técnicos ligados às TIC. Ou se ainda não tiver essa competência, que tenha a capacidade de aprender. Ora, o psicólogo poderá dar uma pequena formação à pessoa. E isso até pode começar por ajudar a fortalecer o relacionamento psicoterapêutico.

Portanto, será importante explicar à pessoa que na primeira sessão poderão surgir problemas ou desafios técnicos. Que isso é natural, mas que em parceria, e com o devido tempo, tudo se poderá resolver.

Estimulação bilateral online comandada pelo psicoterapeuta

Para além da plataforma a usar, há também a questão dos dispositivos e ferramentas a usar. Na verdade, na psicoterapia EMDR, desde há muito que proliferam os gadgets para a estimulação bilateral – há quase que uma parafernália de dispositivos para tal.

A estimulação bilateral pode, de facto, ser feita de várias formas, como já referimos. Pode ser efetuada através de uns headphones, ou auriculares para os BLS, ou seja, para se fazer a estimulação bilateral. E nesses fones podem-se passar ficheiros sonoros com alta estereofonia. De facto, há cada vez mais bandas sonoras cujo download é gratuito. Assim, com uns auriculares, a pessoa pode ouvir o psicólogo e, ao mesmo tempo, ouvir os tais ficheiros sonoros bilaterais.

Mas a estimulação também pode ser visual. Para isso basta pedir à pessoa que olhe para cada um dos lados do monitor. Pode facilitar colocar duas marcas nos extremos que sejam, por exemplo, coloridas, num tom mais chamativo. E, assim, a pessoa pode fazer movimentos oculares alternados olhando para um lado e para o outro. E a velocidade com deverão ser feitos também não será um problema. De facto, a velocidade pode se comandada pelo psicoterapeuta EMDR, porque este está a seguir os seus movimentos de olhos no ecrã.

Há também vídeos no Youtube que permitem que a pessoa faça o movimento dos olhos bilateralmente. São vídeos em que se mostra, por exemplo, um ponto de luz, que vai da esquerda para a direita, ou vice-versa. Mas esse movimento também pode ser vertical ou oblíquo. E a velocidade pode ser ajustável.

Estimulação bilateral online autogénica

A estimulação bilateral pode ser também autogénica. E, para isso, basta pedirmos à pessoa que cruze os seus braços e que vá fazendo, por exemplo, tapping alternado. Pode bater nos seus ombros, mas também nos seus joelhos, sempre sob o comando do psicoterapeuta que lhe vai dando indicações através do microfone do computador ou do smartphone.

Há também que acrescentar que a comunicação pode ser enriquecida através do complemento de emails, ou mesmo de simples mensagens de texto. Há, realmente, pessoas que até preferem usar apenas o chat.

Portanto, um psicoterapeuta de EMDR on-line terá que dominar todas estas ferramentas tecnológicas e eletrónicas. Há psicólogos que, naturalmente, já possuem estas competência, mas outros haverão que precisam de fazer formação neste domínio. Não haverá ainda essa formação específica em Portugal, parece-nos, mas existe profusa formação noutros países. E há mesmo formação específica para psicoterapeutas EMDR on-line.

São cursos onde se aprende que há que fazer um acordo com a pessoa em relação à plataforma tecnológica a usar. A pessoa pode, por exemplo, preferir o Skype ao qual já está mais habituado. Mas se preferir, em vez disso, o WhatsApp também não há problema. O psicoterapeuta só tem que falar dos riscos que podem haver com a segurança da confidencialidade. Mas, enfim, não será muito diferente do que acontece numa situação presencial. Realmente nesta situação a conversa também poderá ser escutada, por exemplo, atrás da porta, ou através da inclusão de microfones furtivos…

Protocolo de EMDR totalmente online

Será então que é possível levar a cabo um protocolo EMDR totalmente online? Sim, sem dúvida, é o que muitos psicoterapeutas já dizem. E no EMDR online as fases também se sucedem normalmente. A busca dos traumas, o diagnóstico para se encontrarem os grandes, mas também os pequenos traumas, tudo pode ser feito à distância. E tudo isso pode acontecer muito rapidamente. Para que depois se possa fazer, por exemplo, a tal estimulação auditiva bilateral, para se reprocessarem as memórias negativas. E, quem já experimentou diz que a intensidade e a qualidade da ligação psicoterapêutica não é, de modo nenhum, prejudicada pelo facto de ocorrer à distância, de forma on-line.

Portanto, dizem os profissionais que já o fazem regularmente que a segurança, a tecnicidade, a eficácia, a eficiência, o conforto tem a mesma qualidade. Ou até mais. De facto, segundo o que alguns psicoterapeutas referem, a pessoa não precisa de arcar com o stress de, por exemplo, ter que utilizar um transporte, ter que que conduzir, muitas vezes em trânsito intenso, perigosos, de se vestir mais especialmente, de uma forma mais formal. Enfim tudo poderá fluir, pois, mais serenamente na modalidade de psicoterapia a distância, incluindo no EMDR.

EMDR online para várias problemáticas e idades

Portanto, a eficácia da psicoterapia EMDR, a partir de plataformas eletrónicas, no âmbito dos serviços de telesaúde com base na Internet, existe. E não é só a eficácia que estará presente. Na verdade, também estarão presentes outras vantagens que se prendem com o facto de mais pessoas poderem beneficiar de um serviço que nem sempre existe localmente. De facto, a videoconferência permite estar-se ao serviço de um número mais abrangente de pessoas.

A psicoterapia online, assim o indicam os estudos, é igualmente eficaz nos cuidados dirigidos a pessoas das mais variadas idades. É, portanto, adequada a várias populações: a crianças, a adolescentes, a jovens, a pessoas de meia idade e também a longevos.

E, em relação à população mais jovem, as conclusões são unânimes. De facto, a camada mais jovem cada vez mais prefere uma comunicação não presencial. Na verdade, os jovens cada vez mais utilizam as mensagens escritas e as videochamadas. E fazem-no com extrema facilidade. Assim, talvez por isso, a intervenção psicológica à distância parece que até será, em muitos casos, voltamos a referir, mais eficaz que os serviços de psicologia presenciais.

Realmente a população jovem está cada vez mais fascinada com a tecnologia. E os estudos apontam para o facto de haver menos relatos de interações insatisfatórias por videoconferência do que pessoalmente. E o mesmo se está a passar com o EMDR. De facto, o EMDR começou por ser uma psicoterapia mais especialmente indicada para Stress Pós-traumático. Mas, o que é certo é que, atualmente, se está a usar para outros problemas de saúde mental, e cada vez mais à distância.

O EMDR tem vindo, naturalmente, a evoluir

Neste site já o mostrámos: o EMDR tem por base um modelo, que é o PAI. Este modelo implica oito fases, em três frentes: passado, presente e futuro. Ou seja, o EMDR considera que grande parte da psicopatologia é devida à codificação de experiências adversas traumáticas ou perturbadoras da vida. Neste modelo considera-se que nessas experiências podem ser acessadas e reprocessadas determinadas informações. Isso pode ser feito, já o vimos, através da tal estimulação visual, auditiva ou tátil bilateral alternada. E, segundo este modelo, é isso que, realmente, vai facilitar o reprocessamento de informações mal armazenadas e geradoras de perturbação na pessoa.

É, portanto, uma abordagem que tem vindo a evoluir. Tanto conceptualmente como metodologicamente. De facto, até há pouco tempo atrás a psicoterapia EMDR era levada a acabo apenas frente a frente. Era levada a cabo numa sessão que podia variar, por norma, entre os 50 e os 90 minutos. E até há pouco tempo acreditava-se que esta psicoterapia não era passível de ser levada a cabo à distância. Dizia-se isto porque, de facto, se considerava muito importante que o psicoterapeuta fosse monitorizando e fazendo a gestão dos resultados do processo.

Que o psicoterapeuta domine as tecnologias emergentes

Ora, na verdade, continua a achar isso mesmo. Mas, o que é certo é que isso também pode ser feito, afinal, online, a milhares de quilómetros de distância. E, pelos vistos, igualmente com resultados efetivos. Ora, o que será preciso, pois, é que o psicoterapeuta domine as tecnologias emergentes. Que saiba usar as plataformas que existem profusamente ao seu dispor.

E não se trata apenas de usar as plataformas, também tem que saber usar os programas de software apropriados. Tudo isso para alcançar os tais resultados desejados. Na verdade, há cada vez mais softwares e apps disponíveis para tal. E até existem ao dispor de uma forma gratuita para ambas as partes, para o psicoterapeuta e para a pessoa.

As falhas tecnológicas existem e continuarão a existir…

Mas voltemos à questão da estabilização emocional da pessoa numa sessão EMDR à distância. De facto, é importante que a pessoa esteja previamente preparada e que tenha capacidade para se estabilizar.  Ora, por vezes, a ligação pode cair.  Portanto, logo desde o início, a pessoa deverá estar consciente que isso pode acontecer. Com efeito, deverá ter capacidade para se estabilizar até que a chamada possa ser restabelecida. Realmente, a capacidade da pessoa poder continuar a processar, a estabilizar-se até a ligação se restabelecer vai se muito importante.

Enfim, as falhas tecnológicas existem, mas só temos é que saber lidar com elas. E numa boa relação a dois isso também pode acontecer, ou seja, ambas as partes poderão estar bem cientes que as falhas acontecem, mas que se podem ultrapassar. Faz, pois, parte intrínseca de um processo psicoterapêutico on-line.

Para algumas pessoas a relação face a face continuará a ser insubstituível

Agora, voltando aos mais jovens. É realmente isso que acontece quando estes recorrem a plataformas como o Facebook, ou o Tinder, em que se conhecem primeiro virtualmente e só depois presencialmente. De facto, há pessoas que em que o processo de sedução e de enamoramento acontece online, com as ferramentas de comunicação on-line, em que se forma a conexão emocional antes de haver um encontro face a face. Mas também há pessoas em que isto tem de acontecer ao contrário.

Realmente, há pessoas que são incapazes de se envolverem efetivamente com um psicoterapeuta de maneira eficaz sem antes o terem encontrado face a face. Para alguns, de facto, uma interação online pode não ter a riqueza experiencial de um encontro face a face. E há, de facto, muitas pessoas que vão querer encontrar-se face-a-face primeiro. Isto para integrar as suas impressões num todo mais percetível, mais congruente com os seus valores. Vão, pois, querer, buscar um relacionamento físico antes.

Enfim, cada caso é um caso.

Para algumas pessoas a relação online pode ser mais enriquecedora

Ora, no mundo das psicologias e das psicoterapias também se podem sempre propor à pessoa ambas as modalidades.  Porque, de facto, até há pessoas que se expressam de uma forma mais fácil na modalidade on-line. Realmente há pessoa que se dão melhor numa forma de comunicação que até, dizem alguns estudos, encoraja a expressão psicoterapêutica e a autorreflexão.

Na verdade, pode acontecer que as pessoas percebam um contexto em que podem ser mais honestos em relação aos seus próprios sentimentos. Pode haver, de facto, uma redução da timidez, da do embaraço, da vergonha, o que vai permitir chegar mais facilmente à origem dos problemas.

E tudo isto vai fazer com que se ganhe tempo, que o psicoterapeuta chegue mais rapidamente à origem. E tudo isto vai tornar a psicoterapia mais eficaz e eficiente, com redução do tempo, com dispêndio de menos energia por ambas as partes.

Tempo para a identificação do trauma

De facto, numa psicoterapia EMDR investe-se tempo na identificação do trauma … E, sabe-se, há vários sinais que indicam a existência de um trauma emocional. Porque, o que é certo é que nem toda a gente desenvolve um trauma a partir de uma determinada situação.

Ora, um dos sinais é quando a pessoa nos diz que a experiência passada ainda está no presente. Está no presente e a incomodar. E incomoda porque, por exemplo, se têm pesadelos sobre o assunto, ou porque se têm reações que não são proporcionais ao estímulo que se tem pela frente.

Por exemplo, a pessoa pode começar a não dormir repousadamente. Pode chorar frequentemente. Pode rer acessos de raiva e agressividade descontrolada. Pode começar “apenas” a tremer. Ou pode sentir-se mesmo muito mal diante de pequenas coisas que fazem lembrar o tal evento traumático. Pode também ser vítima de perturbações alimentares, etc., etc.

Arranjar alternativas para as falhas tecnológicas

E, portanto, tal como numa sessão presencial, também poderão acontecer as mais diversas respostas numa sessão à distância. Assim, o psicoterapeuta tem que avaliar bem as possíveis reações no processo. Para que possa arranjar alternativas. De facto, do outro lado da linha está um ser humano que precisa de ajuda. É claro que, em princípio, estará um adulto, não uma criança – ainda que possa estar, mas acompanhada pelos seus pais, de resto, como numa situação de EMDR presencial.

De qualquer modo, do outro lado da linha há sempre um adulto. E esse adulto não pode ser tratado como uma criança. De facto, podemos tratá-lo como alguém que será capaz de fazer face a uma eventual falha tecnológica. É tudo, pois, uma questão de preparação.

Psicoterapia online para ultrapassar barreiras

Em suma, olhemos para a psicoterapia online como um meio de oferecer tratamentos a populações que estão em locais geográficos desprovidos da oferta de atendimento psicológico. Olhemos para o apoio psicológico à distância como uma forma de colmatar dificuldades financeiras. Como uma forma de ultrapassar barreiras físicas.

Realmente há áreas que de outra forma nunca seriam passíveis de serem beneficiadas por estas novas oportunidades. E se a tecnologia ainda vai falhando, preparemo-nos para uma nova realidade que está aí: cada vez mais a tecnologia estará mais próxima dos 100% em termos de fiabilidade. É realmente, tudo parece assim indicar, uma questão de pouco tempo mais.

A deontologia na psicoterapia EMDR online

Cada vez há, de facto, mais sites de psicologia na Internet a oferecer todo este tipo de serviços. E uma questão que logo se coloca é se estes sites deverão ser objeto de alguma certificação ou de algum escrutínio por parte das entidades oficiais. Ora, parece óbvio que deverão ser os profissionais de Psicologia os grandes responsáveis pela adequação e pertinência dos métodos e técnicas na prestação de serviços.

De facto, parece que o bom senso aponta para que deverá ser da responsabilidade de cada psicólogo selecionar as tecnologias a usar, de modo a serem adequadas ao tipo de serviço prestado. E cada Psicólogo deverá pois cumprir o que está disposto no seu Código Deontológico. Ou seja, o procedimento escolhido deverá ser tecnicamente adequado, deverá incluir uma metodologia igualmente adequada e pertinente. E a ética deverá ser escrupulosamente seguida tal como numa intervenção presencial.

As tecnologias usadas em cada serviço devem, pois, ser apoiadas por uma fundamentação o mais possível científica, mas também por uma fundamentação ética. De facto, hoje em dia é impossível ignorar o valor acrescentado das mediações de informação e comunicação, através da Internet. É impossível não reconhecer o valor da televisão por streaming, dos smartphones, das plataformas digitais, das Apps… Mas a ética tem que continuar presente…

O Código Deontológico dos Psicólogos na sua prática à distância

As tecnologias da informação e da comunicação estão realmente a evoluir a uma velocidade impressionante. E não sabemos sequer o que pode vir por aí mais. Ora, os psicólogos têm que estar preparados para a mudança constante de paradigmas interventivos.

Mas, é claro que há uma coisa que não pode mudar: as TICs deverão estar sempre em consonância com o Código Deontológico dos Psicólogos. Façam-se consultas, façam-se atendimentos psicológicos, de um modo síncrono ou assíncrono, levem-se a cabo processos de seleção de recursos humanos, utilizem-se instrumentos psicológicos de avaliação… Mas façam-se através do escrupuloso cumprimento ético das normas vigentes.

Realmente, a responsabilidade técnica e ética será sempre do psicólogo que leva a cabo essas intervenções. Deverá ser, pois, ele a avaliar de forma rigorosa se o tipo de serviço à distância, síncrono, assíncrono é compaginável com os objetivos da intervenção. Deverá ser, realmente, o psicólogo a perceber o que é que beneficia mais a pessoa. Deverá ser ele a ter sempre a preocupação de que os recursos tecnológicos utilizados garantam o sigilo das informações. E deverá ser ele a dar as informações à pessoa sobre todo o processo, de preferência por via escrita, ainda que devam ser complementadas por explicações verbais para que não subsistam quaisquer dúvidas.

 

 

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