COMO É QUE ESTÁ O SEU APEGO AO TELEMÓVEL?

O telemóvel, o smartphone, ou uma tela qualquer, será o cigarro deste atual século? Andaremos nós agarrados ao telemóvel, ao computador, como se estivéssemos a fumar um cigarro? Andaremos nas redes sociais, tal como frequentamos os restaurantes de fast food?

Será que as redes sociais, a internet, as aplicações, que as há para tudo e mais alguma coisa, serão a indústria do tabaco dos tempos atuais? Os telemóveis, ou os smartphones, não nos provocam o cancro, nem obesidade, é certo… Mas, também é certo, estarão a provocar-nos qualquer coisa que não é nada benéfica para a nossa saúde… E, ao pensarmos assim, estaremos a ser catastrofistas?

É só para nos distrairmos

Talvez estejamos, sim, a ser pessimistas, mas o que é certo é que, segundo as estatísticas, passamos, em média, mais de duas horas agarrados ao telemóvel – não são duas horas seguidas, é certo, mas são vários bocadinhos que, somados, dão essa conta.

Dizem também os números que a maior parte do tempo é passado no Facebook, a lermos coisas que, a maior parte das vezes, não têm qualquer interesse. Realmente, até somos nós próprios que concluímos isso, depois de estarmos ali, com o nosso dedo, a tentar que, no feed de notícias, apareça alguma coisa com interesse.

Enfim, diremos que foi só para nos entretermos, para nos distrairmos um pouco. Mas isso até faz lembrar os fumadores que também dizem que fumam um cigarro apenas para se distraírem um pouco, não é?

Estamos cada vez mais agarrados

Mas a “culpa” não será apenas do facebook… É que também nos serve consultarmos o email. Também nos serve mostrarmos umas fotos que, entretanto, tirámos, ou que nos foram enviadas. Também nos serve para pormos uns alarmes de despertador, para nos lembrarmos de algumas coisas que temos a fazer… Também nos serve usarmos o WhatsApp, o YouTube, o Instagram…

Ou seja, tudo serve para nos dar a justificação para pegarmos no telemóvel mais um pouco… Ora, sabemos que começou a haver cada vez mais pessoas agarrados ao tabaco, com o surgimento da indústria tabaqueira. E também agora, com o surgimento da indústria das tecnologias, cada vez mais há pessoas agarradas ao telemóvel. Ou a um ecrã qualquer.

De facto, são, realmente, muitos milhões. Mas mesmo muitos, dizem as estatísticas, as pessoas que, em todo o mundo, estão quase permanentemente ligados aos seus smartphones.

Teremos uma nomofobia?

Sabemos que os fumadores não se sentem nada bem quando estão sem cigarros. Ora, também os utilizadores de telemóvel não se sentem nada bem se, por exemplo, se esquecem dele em casa.

E isso até já tem um nome: nomofobia (no que em inglês significa não e mo que é a primeira sílaba da palavra mobile, que, também em inglês, significa telemóvel).

Assim, as pessoas que sofrem desta perturbação apresentam um estado de grande desconforto emocional. De facto, estas pessoas podem até sofrer de angústia. São estados que se se verificam, perante a perspetiva de não conseguirem comunicar. Ou de  não poderem ser contactados. Enfim, com o facto de não estarem permanentemente online.

Escravos do nosso telemóvel

Estas pessoas estão pelo mundo inteiro. Em Portugal até há uma média superior. De facto, dizem as estatísticas que cada português tem mais do que um telemóvel…

Mas, enfim, não seremos diferentes no que toca a sentirmo-nos atraídos pelas mensagens que recebemos. Não seremos diferentes em relação às notificações, aos likes das publicações que postamo. Não seremos diferentes em relação à “mania” dos emails. Não seremos diferentes em relação à vontade de seguir as notícias atoda a hora…

De facto, lemos cada vez mais rapidamente, queremos saber cada vez mais e mais de novidades… Mas têm que ser inéditas, porque já nada nos espanta. Nem mesmo um porco andar de skate, ou um cão a tocar piano nos surpreende…. Esperamos, realmente, mais e mais, queremos coisas diferentes de tudo o que possa surgir….

Estaremos, então, viciados, tal como um fumador que, cada vez mais, aumenta o número de cigarros que consome? Sim, podemos estar viciados. Podemos estar agarrados. E, realmente, até podemos ter-nos tornado escravos do nosso telemóvel, sendo ele que nos domina.

Há psicólogos especializados

Em Portugal, serão cerca de 14% as pessoas que já estarão muito viciadas, sendo sobretudo jovens, e mulheres, que consomem, por exemplo, o que as youtubers famosas da moda publicam em vídeo de um modo praticamente diário.

E já há psicólogos especializados neste tipo de perturbação, ainda que haja similitude com os processos que envolvem o consumo de substâncias químicas nocivas, tais como a nicotina, a cocaína, a heroína, o álcool… De facto, os efeitos parecem ser semelhantes.

Parecem ser semelhantes, porque as dependências fisiológicas e psicológicas se instalam mais ou menos da mesma forma. E vão provocar os tais sérios danos ao nível dos comportamentos, sobretudo relacionais, e das emoções… E, depois, lá vêm os rótulos ligados a quadros depressivos, obsessivo-compulsivos e de ansiedade generalizada…

Uma injeção de dopamina

Mas será tudo mau no uso exagerado dos telemóveis? De facto, começa a colocar-se a hipótese de que o consumo de drogas tenha vindo a baixar por causa disso mesmo.

Ou seja, estar agarrado ao telemóvel poderá trazer o “benefício” de uma droga, poderá dar aquele efeito de euforia, ainda que passageiro, que, por exemplo, o álcool dá.

De facto, por exemplo, uma chuva de likes num determinado post, enfim, para não falarmos das vitórias nos videojogos, poderá provocar uma espécie de injeção de dopamina. E isso vai trazer uma sensação de bem-estar, de autoconfiança e até de euforia na pessoa que o publicou.

A deixar de fora outras atividades prazerosas

Mas, o grande problema é o mesmo que se passa no consumo de drogas.

Ou seja, o problema é o consumidor viciado não reconhecer que está, realmente, dependente, neste caso do telemóvel, da internet, do ecrã.

Portanto, não reconhece o seu vício, não percebe que está mesmo horas exageradas agarrado. Não reconhece, do mesmo modo, que está a deixar de fora outras atividades que também lhe poderiam dar prazer e que, ao mesmo tempo, até seriam mais favoráveis à sua saúde, física e psicológica.

Tempo Bem Gasto

Ora, o objetivo de uma intervenção psicoterapêutica, nestes casos, é levar a pessoa a compreender isso mesmo: que há outras atividades prazerosas do dia a dia, que lhe permitem lidar com as suas emoções de uma forma mais saudável.

Porque a questão que importa é, de facto, perceber que estar muito tempo agarrado a um ecrã só está, muitas vezes, a encobrir as dificuldades em se dedicar às coisas mais simples e pequenas da vida. E estas sim são aquelas que podem proporcionar mais recompensas em prol de sermos mais felizes. São exemplos disso estar a conviver, cara a cara, com outras pessoas.

De facto, são as pequenas coisas, apreciadas “no modo Mindfull”, aquilo a que se pode chamar “Tempo Bem Gasto”.

Fugir dos algoritmos viciantes

Ou será que não é bem assim? Porque há quem defenda que os telemóveis até fomentam a interação entre as pessoas. Por exemplo, num jantar social poderá servir de quebra-gelo, podendo-se mostrar fotos, comentar-se uma notícia qualquer e isso servir para alimentar um diálogo ou animar uma conversa.

Há quem considere que pode servir, da mesma forma, para as pessoas terem coisas comuns a comentar, porque, apesar da internet ser um mundo imenso, toda a gente conhece aqueles assuntos e vídeos virais e, portanto, o diálogo pode fluir com maior normalidade

Há, ainda, que advogue que, muito facilmente, podemos moderar-nos. Podemos fazê-lo, colocando, por exemplo o telemóvel fora do nosso alcance. Assim, não pegarmos nele, instintivamente. Podemos também desligar as notificações. Podemos desinstalar as apps que não tenham utilidade.

Enfim, assim, conseguirmos resistir aos tais “Algoritmos Viciantes” e, talvez, com moderação é claro, poderemos conseguir usar o nosso telemóvel para o tal “Tempo Bem Gasto”…

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Ficam, pois, aqui estas reflexões…

E você? Como é que está o seu apego em relação ao telemóvel e afins?

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