Tenho muita ansiedade e timidez quando falo com pessoas!

Ansiedade social, fobia social, desconforto, nervosismo, grande timidez quando interagimos com outras pessoas… Agrava-se quando temos de falar em público, quando temos de nos relacionar com o sexo oposto, com superiores hierárquicos. E temos medo de causarmos má impressão: “O que vão pensar de mim?”; “Vão-me criticar!”; “Vão fazer uma má avaliação da minha pessoa!”….

Ansiolíticos para a ansiedade há, de facto, muitos…

Muitas pessoas, em todo o mundo, tomam medicamentos para tentarem estar mais calmos em determinadas situações sociais. E em Portugal? Será que os portugueses são calmos ao ponto de não precisarem disso? Enfim, talvez haja povos com mais ansiedade que nós. Depende da definição de ansiedade. Mas o que é certo é que existe um grande consumo de ansiolíticos no nosso país. Aliás, segundo o Infarmed, Portugal é “um dos países com maior consumo de ansiolíticos, hipnóticos e sedativos”, pertencentes, sobretudo, ao grupo das benzodiazepinas. E muitas vezes são usados precisamente para situações de grande inibição social.

E há inúmeros medicamentos. Cada vez mais. Temos as benzodiazepinas ansiolíticas, como o alprazolam, o lorazepam e o diazepam. Temos os análogos das benzodiazepinas, como o zolpidem. Portugal, ainda conforme o Infarmed, utiliza maioritariamente benzodiazepinas ansiolíticas e utiliza menos o zolpidem. Temos também as benzodiazepinas hipnóticas, tais como a flunitrazepam  de ação intermédia e a flurazepam de longa ação.

Enfim, há um número muito elevado de substâncias químicas para a ansiedade, sendo estas apenas um pequeno exemplo. Mas, já agora, saibamos onde é que a prescrição da maior parte das benzodiazepinas e análogos tem origem… De facto, também segundo o Infarmed, a origem localiza-se nos cuidados de saúde primários do setor público.

Ansiedade normal ou patológica?

Deixemos, então, os medicamentos, porque esse é o mundo da Medicina, que não o da psicologia.  Falemos da ansiedade…

Em primeiro lugar reconheçamos que há diversos tipos de ansiedade. Há a normal, digamos assim, aquela ansiedade mais urbana, que tem a ver como o corre-corre do dia-a-dia… Ora, para essa podemos recorrer ao relaxamento em ginásios, a massagens, ao Yoga, ao mindfulness, à meditação em geral… Podemos, pois, procurar a tranquilidade praticando atividades mais serenas, como caminhadas, passeios, praticando hobbys diversos, lendo, pintando, ouvindo música, etc.

Mas também há a ansiedade patológica. E essa é aquela ansiedade que pode estar ligada a fobias, a ataques de pânico… Ora, as fobias podem ser diversas, e podem também incluir as sociais, por exemplo aquelas que assentam numa ansiedade que nos leva ao medo de falarmos em público… Ou mesmo aquela que leva  muitas pessoas a terem muito pouco à vontade na interação com outras pessoas. E muitas vezes, sim, pode tratar-se de uma ansiedade patológica. Ora, é aqui que uma psicoterapia, com ou sem ajuda de medicamentos psicotrópicos, poderá ter mesmo que ser utilizada.

Timidez versus ansiedade social

De facto, se estivermos na presença de uma ansiedade patológica, idas ao ginásio, caminhadas, passeios à beira-mar ou massagens, poderão não ser suficientes…

Neste post, vamos falar de uma ansiedade que pode aparecer em diferentes graus. E vamos falar daquela timidez que, realmente, pode andar perto de ser patológica.

Começamos por abordar dois conceitos, no entanto sem preocupação de rigor técnico e científico: a timidez e a ansiedade social… Neste sentido, a diferença entre timidez e ansiedade social é muito semelhante àquela que existe relativamente à tristeza e à depressão. Ou seja, nem todas as pessoas que, às vezes, se sentem tristes têm uma depressão. Tal como, nem todas as pessoas tímidas estão na “categoria” das pessoas com ansiedade social.

A ansiedade social atinge muita gente, causa sofrimento e, muitas vezes, a pessoa acha que é mesmo assim, que não há nada a fazer, que faz parte da sua maneira de ser, que está como que condenada a tal. Até porque podemos sentir grande timidez, grande incómodo numa situação e noutras até podemos estar à vontade. Há até pessoas que se sentem calmas a falar para multidões, mas que se sentem nervosas a falar para um grupo mais restrito, em que há maior intimidade.

Podemos ultrapassar a timidez?

Portanto, pode ser uma questão que tem a ver com estilos e traços de personalidade. Na verdade, há pessoas mais tímidas, há pessoas mais introvertidas… Mas até podem não ser muito ansiosas… Ou seja, podem até não ter a “temática” de quererem agradar sempre muito, podem até não ser perfecionistas, ao ponto de quererem dar sempre a máxima impressão de si próprios aos outros. Há, realmente, de tudo.

Mas o “grande problema”, digamos assim, é quando a ansiedade interfere nas mais pequenas coisas. Pode, por exemplo, interferir numa conversa com um colega de trabalho, com um vizinho. De facto, uma grande timidez pode interferir em vários aspetos da socialização. Pode interferir com a tomada de decisões, na escola, no trabalho, na vida amorosa. Pode, realmente, atrapalhar tudo que tenha a ver com o contacto com outras pessoas.

Muitas vezes a timidez é, realmente, um exagero. E é tal o exagero que a vida das pessoas fica afetada, com muito menos qualidade…  No entanto, frequentemente, as próprias pessoas conseguem ultrapassar, ao longo da sua vida, esta sua timidez. De facto, há muitos exemplos de crianças e adolescentes que a ultrapassam. E isso vai permitir-lhes ter êxito, por exemplo, em exames orais, na carreira de professores, de formadores, nas interações com o sexo posto, de modo a casarem, a terem filhos…

Trabalhar a ansiedade numa dimensão multidisciplinar

Portanto, estarmos numa situação social qualquer, ou seja, estarmos simplesmente com outras pessoas, pode-nos causar alguma ansiedade. Mas há pessoas que têm, realmente, um nível muito elevado de ansiedade social. E neste caso, podem ficar muito nervosas, muito desconfortáveis emocionalmente, com muito medo de causarem má impressão, de serem ridicularizadas, de serem avaliadas negativamente. É aqui que, de facto, poderá haver a necessidade de uma psicoterapia, que pode ser coadjuvada por medicamentos, ou não. Porque em muitas situações a ansiedade pode, por exemplo, interferir no sono. Será, pois, necessário, em algumas situações mais graves, introduzir medicamentos.

Na verdade, é muito importante descartar as variáveis mais orgânicas na origem da ansiedade. Realmente, talvez também não se possa psicologizar tudo. Muitas vezes as razões para a ansiedade prendem-se, por exemplo, com problemas cardíacos. Portanto, pode-se, e deve-se  trabalhar a ansiedade numa dimensão multidisciplinar. De facto, o psiquiatra e o psicólogo deverão trabalhar em sintonia. Pode-se, com efeito, levar a cabo uma psicoterapia, ao mesmo tempo que a pessoa toma determinada medicação ansiolítica.

E os estudos apontam para esta direção: o ideal é que se combinem as duas abordagens. Porque, de facto, a química atinge, num curto prazo, resultados mais rápidos. Só que é, realmente, num primeiro momento. Porque, de facto, a psicoterapia, num médio e longo prazo, alcançará resultados mais sustentáveis, mais duráveis.

Receio de algumas situações sociais

Para tal, há, pois, que, numa psicoterapia, encontrar as origens e as fontes da ansiedade. Para que seja eliminada, de preferência. Mas também há situações em que isso pode não ser possível. Ou seja, pode não se conseguir erradicar totalmente essa ansiedade perturbadora, mas a pessoa pode aprender a melhor lidar com ela.

De facto, estas questões podem ser tratadas num processo psicoterapêutico, suportadas na vinculação e no contrato terapêutico estabelecido entre o psicoterapeuta e a pessoa.

Realmente, cada caso é um caso, havendo, pois, que escolher o caminho mais adequado. Há, de facto, que escolher o tipo de abordagem psicoterapêutica a seguir. Depois, a pessoa poderá ter que fazer todo um balanço da sua vida. Tudo isto, para introduzir, por exemplo, mudanças no seu estilo de vida. Poderá, pois, ter que reformular até alguns valores. Poderá, por exemplo, dar maior importância à sua vida de lazer do que à sua vida profissional.

Só que nem sempre isso é possível. E, assim, há pessoas que têm mesmo de enfrentar determinadas situações mais ansiogénicas. Podem ter receio de algumas situações laborais, como, por exemplo, reuniões de trabalho, apresentações, discursos, atuações em público… Mas pode haver também quem tenha desconforto nas áreas mais ligadas ao lazer: em festas, convívios, ou quando estão, simplesmente, com amigos…

Expetativas do desempenho

Uma das situações sociais em que uma pessoa pode apresentar grande receio, medo ou até pânico é, realmente, a de falar em público. E pode haver muitas causas para isto. Há pessoas que são simplesmente assim, mais tímidas, mais introvertidas… Outras há que são mais perfecionistas… Tudo isso faz parte da sua personalidade, a qual depende, naturalmente, de muitos fatores, sejam eles hereditários, educacionais…

Mas estas pessoas não têm que, forçosamente, sofrer quando estão em situação de convívio. Não têm que ter expectativas inadequadas para si mesmo, que dificilmente podem ser atingidas. Não têm que sentir-se extremamente ansiosas quando estão em público, com medo de falharem, de serem julgadas negativamente… Porque há solução… Há, de facto, soluções… Estas pessoas não têm que viver, por exemplo, com a impossibilidade de fazerem relacionamentos adequados no seu dia-a-dia.

Com efeito, a ansiedade social pode, como já referimos, afetar o relacionamento social, tanto com desconhecidos, como familiares, porque basta a mais simples interação social, uma pequena conversa, para que tudo se torne muito difícil, em todos os domínios: trabalho, escola, vida conjugal, etc. Mas há soluções…

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